Gestão
Presidente da Booz Allen Hamilton do Brasil. Líder da Prática de Indústrias, América do Sul.
Gestão eficiente da demanda de TI
Em quase todas as organizações com as quais trabalhamos, fica evidente que a demanda do negócio é, em geral, muito superior à capacidade de TI para atendê-la.
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A abordagem para a transformação de TI que nós da Booz & Company denominamos “Lean IT” visa provocar mudanças profundas para melhorar o desempenho de TI em termos de nível de serviço e custos, garantindo um relacionamento construtivo com as áreas de negócio. Nesta edição, vamos explorar com mais detalhes as questões relativas à Gestão da Demanda.
Em quase todas as organizações com as quais trabalhamos, fica evidente que a demanda do negócio é, em geral, muito superior à capacidade de TI para atendê-la. Já nos deparamos com casos em que a área TI controlava e prometia entregar uma demanda duas vezes superior à sua capacidade, passando a falsa impressão de que ela seria atendida. Entretanto a falta de balanceamento de oferta e demanda acaba passando a sensação de que as solicitações não são entregues no prazo negociado. Por isso a gestão da demanda é um pilar importante para a transformação da área de TI.
Todavia, é preciso reconhecer que uma gestão adequada da demanda exige disciplina e controles rígidos. O ponto de partida para a gestão da demanda é a priorização das necessidades de negócio face à estratégia da empresa. Infelizmente, na maioria dos casos, este processo é conduzido “bottom up” e acaba favorecendo “quem grita mais alto”.
O processo de priorização dos requerimentos deve ser robusto, com critérios claros e pré-estabelecidos, tais como justificativa econômica e riscos. A condução de um processo desta natureza pela área de TI demanda analistas que, de fato, entendam do negócio e possam dialogar com as áreas de negócio.
Uma vez estabelecidas as prioridades, é necessário avaliar se a capacidade existente é suficiente para atender todas as demandas, ou se existem mecanismos e condições para aumentar a capacidade existente. O plano anual de TI deve refletir este equilíbrio e requer, muitas vezes, que se reavaliem as demandas ou se recorra a algum mecanismo para adequar a capacidade.
Inicia-se então o processo de acompanhamento da execução, que deve ter um controle rigoroso do escopo das solicitações iniciais, dos custos e das eventuais mudanças de prioridades. Para tal, é importante que o processo de gestão de demanda a segmente, reconhecendo as diferenças entre projetos estratégicos, projetos departamentais, manutenção evolutiva e manutenção corretiva.
A execução adequada do processo de gestão de demanda requer uma equipe estruturada, que faça a interface com as áreas de negócio para garantir o entendimento adequado das prioridades. É também fundamental uma comunicação constante e efetiva entre a área de TI e o restante da organização para que as prioridades sejam revistas quando necessário. Por exemplo, uma aquisição, que muitas vezes só é divulgada internamente depois de concretizadas as negociações, traz esforços significativos de integração e exige da área de TI uma adequação em relação ao plano anual original.
Um processo robusto de gestão de demanda também requer a implementação de ferramentas voltadas à automação do acompanhamento de projetos, gestão do portfólio e gestão das atividades de alocação de recursos a iniciativas priorizadas. Em resumo, uma adequada gestão de demanda garante que a agenda de TI reflita as necessidades estratégicas da empresa, fazendo com que os investimentos, de fato, gerem valor e que as atividades da área sejam geridas de maneira rigorosa, porém com flexibilidade.
Mais ainda, um processo robusto de gestão de demanda pode contribuir com até 40% entre todas as iniciativas de um plano de redução de custos em TI. Mas para isso requer, entre outras coisas, o comprometimento de toda organização com o processo definido, seguindo rigorosamente os mecanismos e critérios estabelecidos, com um foco muito grande em eliminação de desperdício. Para tal, é fundamental a participação ativa dos principais executivos da empresa para que todos saiam ganhando com uma TI mais ágil, flexível e adequada às expectativas do negócio.
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