Gestão
Presidente da Booz Allen Hamilton do Brasil. Líder da Prática de Indústrias, América do Sul.
DNA das organizações de TI
Você conhece o DNA de seu departamento de tecnologia? Pesquisa da Booz & Company detecta perfis organizacionais e identifica os mais saudáveis. Veja aqui como identificar a sua empresa.
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Nós, da Booz & Company, desenvolvemos um arcabouço chamado de “Organizational DNA” (ou Org DNA) para entender as organizações e avaliar se as características de cada organização favorecem um melhor desempenho. Este arcabouço foi construído com base em quatro pilares fundamentais: Direitos de Decisão, ou seja, mecânica e definição de responsabilidades na tomada de decisão;
Motivadores, isto é, incentivos utilizados pela organização – financeiros ou não; Informação, pilar que define as métricas de desempenho e os mecanismos de transferência de conhecimento; e Estrutura, que é a dimensão associada ao modelo organizacional adotado pela empresa
Com base neste arcabouço, desenvolvemos uma pesquisa global, que atualmente conta com mais de 50 mil respostas, para criar perfis organizacionais e identificar aqueles que são saudáveis. Mais recentemente, reconhecendo que os CIOs enfrentam desafios crescentes para gerenciar as organizações de TI, adaptamos o arcabouço e a pesquisa, gerando o que chamamos de “IT Org DNA”.
Esta pesquisa, voltada exclusivamente às áreas de TI, visa identificar os fatores de sucesso das organizações de TI e permite identificar se o perfil de uma organização é saudável ou não, isto é, se permite desempenho superior ou não. Identificamos sete tipos principais de organizações de TI, sendo três deles considerados saudáveis:
- Resiliente: organização flexível, que se adapta rapidamente às mudanças externas, mas mantêm foco e alinhamento estratégico;
- Just in time: aquela que tem ineficiências, mas que no final das contas, consegue entregar os serviços que foram solicitados à TI ao negócio;
- Militar: aquela que tem seus processos bem definidos e transparentes e garante a adesão de toda organização. Geralmente é uma organização de TI pouco flexível, mas que consegue entregar os serviços de TI de acordo com as necessidades de negócio
Os perfis de TI não saudáveis incluem: (a) “passivo-agressiva”, ou seja, organizações em conflito, baseadas em consenso, que tem dificuldade de implementar planos definidos; (b) “supergerenciada”, que são organizações burocráticas e políticas; (c) “fits and starts”, que são organizações que tem dificuldade de manter o alinhamento interno; e (d) “superdimensionadas”, que são organizações excessivamente complexas e com decisões muito centralizadas.
Atualmente a pesquisa global das organizações de TI conta com aproximadamente dois mil participantes, o que nos dá uma visão poderosa de insights e benchmark de diversos setores da indústria e de diversas geografias. Entre essas geografias, tenho o prazer de compartilhar alguns resultados muito interessantes da pesquisa realizada no Brasil.
Entre todos os países participantes, as organizações de TI no Brasil se encontram na terceira posição em termos do percentual das organizações de TI consideradas saudáveis (36%), atrás apenas da Itália com 40% e da Suíça com 46%. Entretanto, 43% dos participantes no Brasil ainda consideram a organização de TI não-saudável.
Tal fato reflete, assim como na pesquisa global, o fato de que o perfil da maior parte das organizações de TI seja classificado como “passiva-agressiva”. Acreditamos que isto reflita a realidade, pois muitas vezes vemos as organizações de TI tentando estabelecer algum tipo de disciplina para priorização das demandas, mas o processo é, de forma geral, determinado por “quem grita mais leva”.
Um aspecto muito interessante da pesquisa é notar que no Brasil, 65% das empresas com organizações de TI saudáveis são mais lucrativas que a média do seu segmento. Também vale ressaltar que a visão da “saúde” da organização de TI varia de acordo com o nível hierárquico na organização. No Brasil, a visão dos executivos tende a ser mais otimista: 43% consideram a organização de TI saudável, contra apenas 11% no nível gerencial.
Outro resultado interessante está relacionado ao reporte do CIO: Empresas onde o CIO se reporta ao CFO: somente 11% têm áreas de TI saudáveis; Empresas onde o CIO se reporta ao CEO: 45% têm organizações de TI saudáveis. Este resultado certamente levanta a necessidade de TI ser parte integrante da alta administração de empresa.
Por fim, o resultado mais revelador diz respeito ao perfil do próprio CIO. Nas empresas nas quais o CIO é focado na melhoria de processos apenas 17% das organizações de TI são saudáveis. Em contrapartida, empresas que tem um CIO com perfil empreendedor e inovador tendem a ter perfis saudáveis (55%).
Você também pode identificar o perfil da sua empresa, participando da pesquisa no site: www.orgdna.com/profiler/index-cio.cfm. Com a identificação do DNA da organização da TI e a comparação com outras empresas é possível identificar o que pode ser melhorado para que a sua organização de TI também seja saudável.
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