Governança
Dispersão de projetos: a vilã de uma boa governança de TI
Para CEO da consultoria de origem holandesa Quint, a não integração de projetos é um dos principais erros atuais que podem levar a uma governança de TI não eficiente.
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
Não é de hoje que uma sopa de letrinhas relacionadas a governança de TI faz parte do cardápio dos gestores de tecnologia. ITIL, CMMI, Cobit, ISO são só algumas das metodologias ou frameworks seguidos por diversas companhias ao redor do mundo. E não são poucas que já afirmam tirar vantagem delas: melhor entrega de serviços, aprimoramento no processo de desenvolvimento de software e melhorias na gestão de problemas são só alguns exemplos.
Mas mesmo com tais metodologias disponíveis no mercado há algum tempo – e já com atualizações como no caso do ITIL 3.0 e do Cobit 4.1 –, muitas companhias não têm tirado o máximo de aproveitamento de cada uma delas como poderiam. Tudo isso em virtude de não estabelecerem uma relação proveitosa entre os projetos que envolvem esses frameworks, no famoso esquema “muito se fala e pouco se integra”.
Essa dispersão de iniciativas é, na avaliação de Hans van Herwaarden, CEO da consultoria de origem holandesa Quint Wellington Redwood, um dos principais erros das companhias atuais em governança de TI. “Geralmente esses projetos não são conectados o que impede que as companhias extraiam mais valor de cada framework que vão implantar”, assinala. Para Herwaarden, os frameworks e disciplinas devem ser apenas parte de um esquema maior a ser integrado e com objetivos claros.
Na prática, não deveria existir um projeto único de ITIL isolado de um focado em Cobit, por exemplo. A arquitetura de algum tipo de integração como no modelo matricial é, na avaliação do executivo, o melhor caminho para o bom aproveitamento de todas as metodologias envolvidas.
Nesse sentido é que a companhia defende o modelo batizado de IPW Frameworks. Trata-se de um grande guarda-chuva capaz de abrigar melhores práticas de ITIL, CMMI, Cobit e até da lei fiscal norte-americana Sarbanes-Oxley e das diversas divisões de ISO. “É um grande apanhado de conceitos que servem para as empresas começarem a compreender cada um deles e analisar a viabilidade da implementação. É como se fossem peças de um grande quebra-cabeça”, pontua Herwaarden.
O executivo afirma ainda que o modelo não prevê necessariamente a implantação completa de todos os frameworks ou normas, mas sim o aprofundamento só daquilo que efetivamente viabilizar transformações positivas nos negócios – o que será deduzido após a análise dos benefícios e desafios de cada um deles.
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Da mesma forma, nem todas as certificações relacionadas são necessárias. As vantagens dessa abordagem, diz, estão especialmente no fato de as companhias poderem conhecer os princípios das metodologias, adotar as disciplinas que mais lhes interessem e trabalhar diretamente em um projeto para integrar processos de cada um deles.
Entretanto, como em todo bom projeto de governança de TI, o executivo ressalta a necessidade de se ter objetivos claros em termos de resultado, o famoso “saber onde quer chegar”. Isso porque, segundo Herwaarden, um erro comum, na avaliação de Herwaarden, está em as empresas embarcar na idéia de gerenciamento de serviços sem colocar os negócios no centro do projeto. “É comum as empresas colocarem muito foco em infra-estrutura de TI e deixarem de lado as discussões sobre como fazer os negócios terem melhor desempenho. É outro grande risco desses projetos”, comenta.
Tal abordagem proposta pela Quint vem ganhando diversos adeptos em todo o mundo. Segundo o executivo, só nos últimos meses foram 300 grandes projetos realizados globalmente nessa linha.


