Governo
PC popular com Windows chega ao mercado brasileiro
Fabricante Epcom Eletrônica coloca à venda nas lojas da rede Magazine Luíza o computador com dual boot ao mesmo preço da máquina só com Linux, contrariando as expectativas dos defensores do código aberto.
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
Os integrantes do governo federal que defendiam a exclusividade dos sistemas operacionais de código aberto no programa de inclusão digital Computador para Todos, ao que parece, perderam a batalha. Desde a última segunda-feira (07/06), a fabricante Epcom Eletrônica – credenciada no programa – já vende a 1.399 reais um computador com dois sistemas operacionais (dual boot), uma distribuição Linux e outra Windows Starter Edition, da Microsoft.
De acordo com Silvana Rossini, gerente comercial da Epcom, as máquinas estão à venda na rede Magazine Luíza a 1.399 reais, mesmo valor daquelas comercializadas apenas com a distribuição de código aberto da Metasys. Segundo a executiva, a companhia fez uma consulta ainda no mês de fevereiro ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e teve o sinal verde para incluir o dual boot.
“Isso [inclusão dos dois sistemas] não fere a lei. Estamos seguindo 100% das exigências do programa de código aberto e oferecendo ainda mais opções aos clientes”, ressalta a executiva.
Não é isso o que diz o diretor do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Sérgio Rosa. Em entrevista ao COMPUTERWORLD, Rosa garante que fabricantes que insistirem na ação devem ter benefícios fiscais retirados.
O debate sobre a possibilidade ou não de inclusão de dual boot já acontecia no governo federal há alguns meses. Isso porque diante da inexistência de veto explícito à inclusão de dois sistemas operacionais na portaria que regulamenta o programa Computador para Todos, vários fabricantes cogitavam a possibilidade de inclusão dos dois sistemas operacionais.
Em entrevista ao COMPUTERWORLD na ocasião, Cezar Alvarez, assessor especial da Presidência da República e coordenador do programa, reconheceu que o governo pode ter falhado na redação da portaria e considerou alterar até mesmo o texto do documento.
Segundo a gerente comercial da Epcom, incluir o dual boot nas máquinas do Computador para Todos sempre foi um projeto da empresa. Neste primeiro lote cerca de 4 mil máquinas serão comercializadas pelo Magazine Luiza, e a expectativa é que a média mensal de equipamentos vendidos ao varejista fique entre 5 mil e 7 mil unidades.
A companhia não pretende abandonar a comercialização das máquinas apenas com Linux, mas espera que a nova alternativa alavanque as vendas. “Hoje vendemos em média 6 mil máquinas do programa por mês. A expectativa é chegar até o fim do ano com algo em torno de 8 mil unidades mensais”, ressalta Silvana. Desde o início do Computador para Todos, a Epcom já vendeu cerca de 20 mil computadores, trabalhando também com a Americanas.com e com a Shoptime.
Configuração avançada, preço igual
Outra situação polêmica que foi questionada por integrantes do governo federal antes mesmo do surgimento do equipamento com dual boot foi o preço. Alvarez, por exemplo, acreditava que seria muito difícil o fabricante incluir o dual boot e manter o mesmo valor para o produto em virtude de suporte e da própria licença. A Epcom, no entanto, manteve o mesmo patamar de preço, e atribui a possibilidade à negociação com os diversos fornecedores. “Houve um comprometimento de nossos parceiros para todos os itens do que equipamento, de maneira a manter o mesmo preço”, diz.
O novo equipamento traz processador Celeron D315, disco rígido de 40 Gigabytes (GB), 256 Megabytes (MB) de memória, gravador de CD e distribuições Linux (Metasys) e Windows Starter Edition. Segundo a executiva, é possível inclusive que, posteriormente, os compradores do novo PC popular façam a atualização inclusive para o Windows XP Home.
Opiniões divididas
A opção do governo federal por Linux no Computador para Todos era clara desde a concepção do programa. No entanto, apesar da resposta positiva do MCT às consultas sobre a possibilidade do dual boot, alguns fabricantes optaram pela cautela. “A Positivo perguntou à Sepin [Secretaria de Política de Informática] se poderia utilizar o dual boot e teve resposta afirmativa. Mas ao consultar outros integrantes do governo fomos informados de que se incluíssemos a tecnologia, as regras seriam mudadas”, informa Hélio Rotenberg, diretor da Positivo. Rotenberg informou ainda que a Positivo prefere seguir as regras atuais. Fontes de mercado informaram que a Novadata também estaria interessada na tecnologia, mas a companhia negou a informação.
Procurado pela reportagem, o coordenado do programa, Cezar Alvarez, ainda não se posicionou sobre o assunto.


