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Governo

Propostas de Lula para TI desapontam correligionários

Programa de governo para os anos de 2007 a 2010, apresentado na terça-feira (29/08), em São Paulo, diz pouco sobre software livre, inclusão digital e mesmo sobre o mercado de TI, dizem alguns correligionários.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

30 de agosto de 2006 - 12h27
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Boa parte dos correligionários e apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva envolvidos com questões de tecnologia não puderam esconder a decepção na noite de terça-feira (29/08) durante a apresentação do programa de governo proposto pelo Partido dos Trabalhadores para o período de 2007 a 2010.

Entrevistados pelo COMPUTERWORLD, três deles, que preferiram não se identificar, disseram que o plano proposto para a reeleição não deu atenção desejada a temas como inclusão digital e software livre.

“O que foi colocado no programa mostra que não existe uma política tão forte em software livre como se esperava. O governo quer nitidamente evitar o embate sobre o código aberto”, aponta uma das fontes, ressaltando a revisão de prioridades e a redução da ênfase no assunto, desencadeada principalmente com a saída de grandes defensores do código aberto, como o ex-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Sérgio Amadeu.

No documento, disponível na internet, as propostas apontam a intenção do governo de dar prosseguimento à política industrial e de inovação com ênfase para os setores de biotecnologia, energias renováveis e tecnologia da informação (especialmente TV digital e semicondutores). Quanto à ciência e tecnologia, o documento cita também a intenção de simplificar os mecanismos de acesso a programas de inovação por meio de incentivos fiscais e dar seqüência à estratégia nacional de ciência, tecnologia e inovação com ênfase no setor de software.

Segundo um dos partidários ouvidos, o detalhamento das propostas para inclusão digital também foi insuficiente. O documento considera apenas que pretende utilizar a tecnologia da informação como elemento estratégico para a ampliação das ações de inclusão digital.“Basicamente, o documento mostra que o governo não tem políticas claras para TI”, dispara.

De outro lado, um integrante da comissão de campanha do presidente designada para tratar dos assuntos de TI conversou com o COMPUTERWORLD e aponta que o material apresentado na noite de terça-feira em São Paulo não incluiu praticamente nada do material previamente fornecido pelos especialistas do setor. “Foi entregue um capítulo inteiro com propostas de TI ao comando de campanha, com vários detalhes inclusive sobre software livre. Não sei porque não foi incluído”, comenta.

Segundo o executivo, tal grupo deverá inclusive solicitar à coordenação de campanha nos próximos dias uma revisão na estratégia para esclarecer as propostas do candidato sobre a área de TI.

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