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Receita suspende compra de R$ 40 milhões em software da Microsoft

Tribunal de Contas já encontrou 11 irregularidades no edital de compra, que está suspendo desde agosto de 2007. Por isso, Receita vai aguardar decisão definitiva.

Por Redação do COMPUTERWORLD*

10 de janeiro de 2008 - 16h45
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Atendendo a uma recomendação do Ministério Público Federal, a Receita Federal suspendeu o pregão presencial RFB/COPOL nº 19/2007 para a aquisição de um lote de software de 44.087 licenças do programa Office 2007, orçadas em 40,89 milhões de reais, até que o Tribunal de Contas da União (TCU) finalize o processo de exame do pregão.

No ofício enviado à procuradora da República Inés Virgínia Prado Soares, a Receita Federal se comprometeu a aguardar a decisão definitiva do TCU e não realizar nenhuma licitação que tenha o mesmo objeto sem a prévia comunicação de 30 dias ao MPF, como está estipulado na recomendação.

O edital dessa compra estava suspenso desde agosto de 2007, mas a Receita Federal pretendia divulgar um novo edital conforme documentos apresentados em 27 de novembro ao TCU. Na nota técnica, a Receita anunciava: “um relançamento (do edital) poderia acontecer ou não, com alteração ou não, dependendo das decisões técnicas e políticas superiores”. 

Segundo comunicado distribuído pelo Ministério Público, a apuração sobre o pregão começou após uma denúncia anônima, em que um cidadão questionava a utilidade e a economicidade do pregão. A Coordenadoria de Informática do MPF-SP foi consultada e deu um parecer técnico no qual afirmou que a Receita pode abrir mão da compra em troca de softwares livres com as mesmas características.

Outros pontos levantados pelo MPF é que o pregão da Receita para a compra de software de código fechado contraria recomendação do governo federal para a adoção de softwares de código aberto (livre).

Além disso, o MPF descobriu a apuração do TCU que, até o momento, considera que o pregão fere o princípio da economicidade, uma vez que “se trata de escolha entre um produto com custo de aquisição orçado em 40,89 milhões de reais frente a outro produto cujo custo de aquisição é nulo”.

A 2ª diretoria técnica da 2ª secretaria de controle externo do TCU já indicou 11 irregularidades no edital, entre as quais a ausência de justificativa fundamentada para a compra excepcional de softwares, a aquisição de 44 mil licenças, sendo que a Receita, em todo o Brasil, possui somente 33.686 estações de trabalho, uma portaria da própria Receita que indica o uso de software livre e a exigência indevida no edital de que o licitante seja uma revenda que possua o certificado Microsoft Gold Certified Partner. 

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Após a resposta da Receita, o procedimento foi enviado à Procuradoria da República do Distrito Federal, em Brasília, para o prosseguimento da investigação. Procurada pelo COMPUTERWORLD, a Microsoft ainda não se pronunciou sobre a decisão.
 

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