Governo
Inovação no Brasil: Pólos de desenvolvimento na região sul
Qual é o diferencial dos centros de desenvolvimento em cidades como Londrina, Joinville, Florianópolis, Porto Alegre, entre outras?
Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD
Na região sul do Brasil, há no
mínimo 12 pólos tecnológicos. Como mostrou o mapa da inovação publicado na
edição passada do COMPUTERWORLD, o Brasil investe cada vez mais em pesquisa, e
gaúchos, catarinenses e paranaenses não querem ficar para trás.
Ao contrário. Há alguns anos surgiram centros em Curitiba, Londrina, Joinville, Florianópolis, Porto Alegre, Blumenau, Pato Branco e Maringá, que aceleram os trabalhos de pesquisa e de união de empresas e fazem com que a região se destaque no País com um grande número de parques.
Mapa
da Inovação no Brasil:
Software
nordestino ganha espaço em outros mercado
Pólos
de tecnologia do Sudeste
Os resultados mostram que a aposta vale à pena. O Tecnopuc, parque científico e tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do RS (PUC-RS) criado há quatro anos, recebia no início de suas operações apenas cinco milhões de reais para investimentos em pesquisa em inovação. No ano passado, entretanto, “calculei que os projetos que estavam em vigência envolveram 50 milhões de reais e que ultrapassaram 100 pesquisas”, afirma o diretor do Tecnopuc, Roberto Astor Moschetta.
Na opinião do executivo, os parques tecnológicos têm destaque porque representam para as empresas a possibilidade de estarem bastante próximas de centros de pesquisas em áreas correlatas à sua atuação. Isso significa maior possibilidade de lançar produtos novos, segundo Moschetta. “Esse entorno propício à inovação é o que mais atrai”, acredita.
O Tecnopuc, diz, se destaca em
áreas como tecnologia da informação, telecomunicações, eletroeletrônica,
biotecnologia e energias alternativas. “São áreas em que a Universidade tem
cursos de mestrado e doutorado e, portanto, profissionais qualificados que
auxiliam nas pesquisas”, conta.
O ambiente criado e o contato entre empresas e pesquisadores em algum momento transborda e foge ao controle da universidade a que os pólos estão ligados. “Isso é saudável e, tomadas as proporções, é o que aconteceu na universidade de Stanford (EUA) e o Vale do Silício, quando as relações se expandiram tanto que resultaram na formação de uma área geográfica de pesquisa e inovação”, confronta.
Caxias do Sul
Outro parque do Rio Grande do
Sul, o Trino Pólo, que fica em Caxias do Sul (segunda maior
cidade do estado), foi fundado justamente depois da busca das empresas, das
instituições de ensino e pesquisa e dos órgãos do governo por um ambiente que
proporcionasse a realização de inovação, desenvolvimento tecnológico e
cooperação entre as companhias. Hoje, o pólo é formado por 60 empresas de TI –
que empregam mil profissionais –, além de quatro entidades empresariais e três
instituições de ensino superior e do Poder Executivo Estadual e Municipal.
Mas nem só as pesquisas justificam os pólos. O parque de Blumenau, por exemplo, atua também para defender os interesses das empresas associadas – hoje são 50, além das mais de 500 que existem na cidade, conhecida por ter mais empresas de TI do que padarias. O presidente da Blusoft, Jeziel Montanha, resume: “Atuamos em prol do setor de tecnologia”.
Segundo ele, a Associação busca o crescimento do segmento por meio do agrupamento de empresas em Arranjos Produtivos Locais (APLs), para favorecer a exportação, e também para a promoção de eventos que façam a cidade ter uma marca no ramo. “Nossas estratégias têm ajudado o setor crescer na região a um ritmo de 20% ano após ano e atrai empresas como a T-Systems, que se instalou na cidade”, explica.
Além disso, Montanha destaca iniciativas do Blusoft para sanar o problema da mão-de-obra, que afeta o mercado de tecnologia de modo geral. Em uma delas, o Pólo de Blumenau atuou junto com a Fundação Internacional para a Juventude (IYF) e, com o apoio do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), passou a financiar formação técnica para o mercado de trabalho. “Assim acompanhamos adolescentes desde o colégio até a colocação no mercado de trabalho”, conta.
Concorrência
Mas se em apenas três estados –
com poucas cidades que se destacam pela atividade industrial e de pesquisa (RS é
mais forte em
agroindústria, SC em turismo) – existem 12 pólos, poderia haver
um espaço de competitividade entre eles?
Montanha, do Blusoft, conta que os pólos de Santa Catarina, como o Softville (Joinville), o Geness (Florianópolis) e o próprio Blusoft, adotaram uma postura diferente dos demais estados, para evitar que isso acontecesse e passaram a trabalhar em conjunto em algumas situações. “Isso nos dá força para negociar politicamente e buscar incentivos fiscais, por exemplo”, diz.
A apresentação integrada ocorre também quando os pólos apresentam projetos que pedem recursos da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) ou do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “Nos apresentamos falando do estado e as discussões deixam de ser feitas pólo a pólo”, comemora.
Em contrapartida, Moschetta, da Tecnopuc, avalia que enquanto os parques tecnológicos brasileiros têm até 2,5 mil pessoas – o Tecnopuc está ampliando suas instalações e pretende aumentar para 5 mil funcionários até 2009 –, na Índia existem pólos com 30 mil pessoas trabalhando. “Por essa razão considero que estamos longe de correr o risco de competir, pois temos muito espaço para atuar e crescer”, defende.


