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Infra-estrutura

Pólos de desenvolvimento no Sudeste ganham vida própria

Mais maduros, pólos de desenvolvimento da região Sudeste descolam-se do ambiente acadêmico e ganham vida própria.

Por Fabio Barros, do COMPUTERWORLD

02 de julho de 2008 - 07h30
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A região Sudeste concentra hoje quase 50% da população do País e cerca de 60% do PIB (produto Interno Bruto) nacional. É também a região com maior densidade demográfica – mais de 70 habitantes / km² - e a que tem o maior índice de urbanização, cerca de 90%. Estas características se refletem também em seus pólos de desenvolvimento de software.

As iniciativas existentes hoje no Sudeste não têm tanto foco na retenção de mão-de-obra, como no Nordeste, tampouco o objetivo de criar, por meio da especialização, um mercado até ali inexistente, como no Sul. A mão-de-obra existe, e deve permanecer por aqui, assim como o mercado, um dos mais dinâmicos do País.

Com este perfil, o que a região Sudeste busca é seu fortalecimento como mercado e pólo desenvolvedore neste sentido conta com a participação muito mais efetiva do mercado privado, sem dispensar uma forcinha do governo. Foi o caso do TecVitória, criado na capital do Espírito Santo em 1995, com o objetivo de incubar empresas de TI.

Mapa da Inovação no Brasil:
Software nordestino ganha espaço em outros mercado 
Existem mais de 12 pólos de tecnologia do Sul do Brasil 

“O foco era atender empresas do setor de metal-mecânica, muito fortes aqui na região funcionou”, conta Vinícius Barbosa, superintendente do TecVitória. Cinco anos depois, um grupo de empresários decidiu que o Estado deveria se recredenciar junto ao Softex e, em 2002, o centro começou a incubar empresas de software e a centralizar todas as outras iniciativas voltadas a este mercado.

Hoje, com 1,2 mil metros quadrados, o TecVitória concentra o Centro Softex Genesis, o Pólo de Desenvolvimento de Software de Vitória, o Parque Tecnológico da cidade, o Centro de Desenvolvimento de Software 3D (criado com investimento de 500 mil reais da prefeitura), o capítulo capixaba do PMI e o Centro de Desenvolvimento de Informática (CDI).

“Temos hoje 80 empresas associadas, estamos participação da reconstrução da Assespro/ES e nossa incubadora tem hoje sete empresas, sem contar outras sete já graduadas”, diz Barbosa.

O superintendente afirma que a convergência – física e de interesses – foi muito positiva para o processo de fortalecimento. Hoje, as empresas ligadas ao TecVitória movimentam cerca de 60 milhões de reais ao ano e empregam 3,2 mil profissionais, 95% deles com formação superior.

Investimentos
Em Petrópolis (RJ) a situação não é diferente. A iniciativa Petrópolis Tecnópolis reúne hoje 72 empresas de software com faturamento médio de 2 milhões de reais e entre 10 a 15 funcionários cada.

“No início queríamos trazer grandes empresas para cá, mas estavam todas em São Paulo. A estratégia migrou para trazer para cá áreas que não tivessem ligação direta com o cliente”, explica Ana Hofmann, gerente-executiva do Petrópolis Tecnópolis.

Com a nova estratégia, o centro conseguiu atrair áreas de desenvolvimento de algumas empresas (foram oito em 2005, cinco em 2006 e quatro em 2007), dando início a um ecossistema que hoje conta também com três incubadoras. “O importante é que as empresas percebam que temos um berço de articulação para o crescimento de empresas aqui”, defende Ana.

Ela reconhece que, em iniciativas deste tipo, a participação do poder público é fundamental. Em Petrópolis, por exemplo, as empresas de software pagam apenas 2% de ISS (Imposto sobre Serviços) e, em alguns casos, conseguem até 80% de descontos porque trocam serviços com a prefeitura.

O apoio vem também de outras esferas: o MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) investiu 1,5 milhão de reais na criação de uma estrutura de fibra óptica, que estará disponível a partir de 2009.

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