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Mercado

Kodak: reta final rumo à reorganização

Companhia que precisou adaptar todo o seu modelo de negócios dos filmes à era digital entra nos seis meses finais do prazo para remodelar suas operações.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

23 de julho de 2007 - 08h25
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Detentora de uma posição confortável no mercado de câmeras, filmes e papéis fotográficos durante décadas em todo o mundo, a Eastman Kodak viu, gradualmente, as aparentes bases sólidas de seus negócios serem abaladas pelas tecnologias digitais. Ao contrário do que previam muitos, os novos padrões caíram rapidamente nos hábitos de consumo dos usuários e fizeram com que a companhia, assim como outros fabricantes do setor, fosse forçada a se adaptar à nova realidade. Mais do que isso, uma espécie de reinvenção.

Entre as estratégias da Kodak, além de lançar câmeras digitais, inovar em serviços e tentar se firmar também como companhia de impressão para compensar a queda acentuada das receitas com filmes – de 7,05 bilhões de dólares para 4,1 bilhões entre os anos de 2004 e 2006 – esteve o início de sua reforma estrutural quatro anos atrás. O objetivo? A elaboração de um modelo rentável capaz de sustentar a companhia ao longo dos anos vindouros.

O dia 31 de dezembro de 2007 marca o prazo final para esta fase de reestruturação em todas as subsidiárias do mundo. Ou seja, em praticamente seis meses as unidades regionais já precisarão estar ajustadas às estratégias da matriz para prosseguir em uma nova fase, que tentará colocar a Kodak também entre as grandes do mercado doméstico e SMB de impressão. Em entrevista exclusiva ao COMPUTERWORLD, Fernando Bautista, presidente da companhia no Brasil revela o que mudou nos últimos tempos e as perspectivas futuras para as operações locais. Confira os principais trechos:

COMPUTERWORLD – A Kodak tem passado por um momento de transição importante, deixando de ser uma empresa de filmes e papel fotográfico para ser uma empresa digital. Como tem sido esse processo?
Fernando Bautista – O caminho tem sido longo e difícil, já que o momento implica modificações acentuadas no modelo de negócios para se adequar à era da fotografia com captura digital. O consumidor, por sua vez, também modifica seus hábitos de impressão nesse momento, já que fotografa e imprime quatro vezes mais do que no modelo convencional de fotografia. O momento para a empresa está também em propor soluções de impressão, fazendo deste um negócio rentável.

CW – Quais as transformações mais significativas até agora?
Bautista – Estamos em um momento de transformação de portfólio, acompanhando as demandas do mercado. Até agora estivemos centrados em traçar um modelo de negócios para redimensionar e dar flexibilidade às linhas de produtos. No Brasil somos líderes no mercado de câmeras digitais há mais ou menos dois anos, e no mundo estamos disputando a liderança em áreas geográficas como Estados Unidos, Europa e Ásia. No que diz respeito a fotografia, três divisões diferentes – consumo, profissional e digital -, foram fundidas em apenas uma. Além disso, vendemos a área de imagens para saúde no fim de 2006 para concentrar naquilo que hoje é nosso foco, como a divisão de artes gráficas e impressão.

CW – Que tipo de reorganização foi feita nas fábricas?
Bautista – Transferimos a divisão de manufatura de filmes, papéis de impressão, radiográficos e químicos de São José dos Campos para Manaus em 2005. Hoje em Manaus está localizada toda a produção desse tipo de material e também a montagem das câmeras digitais, feita de forma terceirizada. Em São José dos Campos as operações de 10 prédios foram concentradas em dois, sendo que predominam por lá as operações de logística, infra-estrutura, jurídico, TI, finanças e suporte administrativo. Não existe mais produção por lá. Em São Paulo, ficam localizadas as operações comerciais, de vendas e marketing.

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