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Mercado

Oito segredos que fazem da Apple a número 1

O colunista Mike Elgan analisa as estratégias e explica, passo-a-passo, porque a Apple é hoje a principal empresa do mercado de tecnologia e produtos de consumo.

Por COMPUTERWORLD

21 de setembro de 2007 - 17h40
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Sempre polêmico, o colunista do COMPUTERWORLD-EUA Mike Elgan se debruça mais uma vez sobre a estratégia da Apple. Dessa vez, o analista prepara uma lista de motivos que, em sua opinião, levaram a companhia a ser uma destaca líder de mercado.

Em um artigo recente, afirmei que o aumento do sucesso da Apple vai levar a acusações de monopólio e a uma avalanche de cópias. No mesmo texto fiz questão de detalhar as razões pelas quais a companhia deveria ser defendida contra isso. Agora, gostaria de discutir os segredos do crescimento da Apple e convidar os fabricantes de PCs, eletrônicos de consumo e outros, para roubar essas idéias - tudo em nome de produtos melhores!

Uma análise rápida deixa claro: a Apple não é a maior empresa de eletrônicos de consumo nem a mais rentável. Então o que eu quero dizer é que quando digo ela que é a número 1? Basicamente, você pode dividir empresas de consumo eletrônico em dois grupos: a Apple e as demais. A Apple é diferente. Sua influência no design global é muito maior do que de outros competidores. A lealdade dos clientes é significativamente maior. A marca Apple e o recado de seus produtos, de forma geral, está longe de exceder o que você pode esperar.

O CEO da Microsoft, Steve Ballmer, é famoso por um vídeo louco em que grita “Eu amo essa empresa...”, em inglês. Com a Apple, são os clientes que fazem isso. E isso não é acidental e não é um fenômeno passivo. A Apple sabe coisas de que as outras não. Mas eu vou acabar com o mistério e contar oito desses segredos.

1.    Engenharia e design sempre juntos, sem exceções
O processo normal na maioria das empresas é chamar os designers ao final do processo de desenvolvimento de produtos para criar uma "capa" de experiência ao redor de todas as características e tecnologias de engenharia e marketing criadas.

Na Apple, os designers ditam a regra. Eles descobrem brilhantes detalhes de como vai ser a cara do produto, o sentimento que ele vai despertar e o trabalho que vai fazer - só depois os engenheiros são acionados para que se descubra como as idéias serão postas em prática.

Anos atrás, Jeff Hawkins mudou o mundo criando o Palm Pilot. Ele desenvolveu o produto caminhando com um bloco de madeira do tamanho do Palm Pilot, fingindo usar o equipamento, por todos os lados. Ao longo desse processo, anotou o que gostaria de fazer com aquilo e como gostaria de usá-lo. Hawkins se recusou a ser influenciado por produtos existentes.

Na hora em que entregou as idéias aos engenheiros, o Palm Pilot estava conceitualmente completo. Claro, o produto recebeu várias sugestões do time de engenharia - “e se adicionássemos isso ou aquilo, alguns botões aqui e ali, ficaria mais rápido assim...” -, mas a concepção original prevaleceu.

A Palm parece ter perdido sua abordagem visionária e agora está pagando o preço. Mas a Apple ainda tem isso dentro de si.

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2.    Menos é melhor
A visão de analistas de mercado, na grande maioria das empresas, tem mais força do que a sua visão de produtos. O resultado disso é uma super segmentação de produtos.

A Sony, por exemplo, anunciou quatro novos gravadores Blu-ray HDD. Quatro! Cada um com pequenas e, quase sempre, irrelevantes diferenças. A empresa obviamente pensa que os consumidores vão dedicar uma hora do seu tempo só para considerar as opções variadas do Blu-ray. Na realidade, a tendência é que os clientes fiquem paralisados e escolham fugir do assunto, confusos. Agora imagine se a Sony colocasse toda a sua energia em um só gravador Blu-ray HDD. Eu provavelmente ia querer um.

Isso é o que a Apple faz. Ela tenta desenvolver o menor número possível de produtos, cada um com o apelo mais amigável possível. Sim, existem múltiplos iPods, mas o overlap de características tende ao zero e é muito fácil de aprender que produto faz o quê.

Olhe para o iPhone. Ou para o OS X. Ou qualquer outra área de produto. A experiência de ir a uma loja da Apple desperta na pessoa uma satisfação diante da variedade de produtos. Você pode até testar cada um dos produtos na loja em 30 minutos, não incluindo conteúdos e acessórios.

A Microsoft deveria ter aprendido este segredo em janeiro. O Vista foi lançado em tantas versões que os especialistas tiveram de publicar tabelas para explicar o que estava à venda. Os clientes ainda não têm uma pista sobre as diferenças entre as variações de versão. Comprar um Vista não é uma aventura divertida. É uma lição de casa daquelas bem chatas.

Deixe-me colocar isso de forma extremamente clara para todas as companhias que ainda não captaram a mensagem: todas essas sutis variações de produto geram muitas expectativas. E a ansiedade faz as pessoas não quererem o seu produto. Menos é melhor.

Opinião do Leitor [1 comentários]

Elgan teve seu dia de John Dvorak

É claro que Elgan simplificou a questão o quanto pôde. Seguramente há mais detalhes nessa história e seguramente quase tudo que Elgan disse é verdade. Quase. Seu grande pecado nesse ponto é diminuir a importância da qualidade aplicada pela Apple em seus produtos. Ao fazê-lo, afronta a inteligência do usuário e anula a escolha consciente feita por muitos. A vasta maioria dos usuários de Windows não faz idéia da existência do Mac OS X — ela não escolheu o Windows, simplesmente comprou um PC que já veio com um sistema operacional que, por acaso, era o Windows —, enquanto a vasta maioria dos usuários de Mac OS X conhece o Windows por ser obrigada a usá-lo na empresa ou escola e fez uma escolha consciente pelo Mac.

Parece também que Elgan andou assistindo demais os comerciais da Apple. Veio como um usuário de PC que encara os comerciais de modo muito pessoal. Elgan deveria procurar conhecer o significado da expressão “complexo de inferioridade”.

Elgan, um recado diretamente para você: amamos a Apple porque ela produz hardware e software superior. Amamos a Apple porque ela inventa coisas novas e reinventa coisas velhas. Amamos a Apple porque ela tenta mudar as coisas para melhor. Não compramos Macs, iPods e iPhones só para sermos aceitos em algum grupo formado por seres superiores: isso é apenas um efeito colateral. :-)
Marcelo - 21 Set 2007, 19h37
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