Mercado
Oito segredos que fazem da Apple a número 1
O colunista Mike Elgan analisa as estratégias e explica, passo-a-passo, porque a Apple é hoje a principal empresa do mercado de tecnologia e produtos de consumo.
Por COMPUTERWORLD
Sempre polêmico, o colunista do COMPUTERWORLD-EUA Mike Elgan se debruça mais uma vez sobre a estratégia da Apple. Dessa vez, o analista prepara uma lista de motivos que, em sua opinião, levaram a companhia a ser uma destaca líder de mercado.
Em um artigo recente, afirmei que o aumento do sucesso da Apple vai levar a acusações de monopólio e a uma avalanche de cópias. No mesmo texto fiz questão de detalhar as razões pelas quais a companhia deveria ser defendida contra isso. Agora, gostaria de discutir os segredos do crescimento da Apple e convidar os fabricantes de PCs, eletrônicos de consumo e outros, para roubar essas idéias - tudo em nome de produtos melhores!
Uma análise rápida deixa claro: a Apple não é a maior empresa de eletrônicos de consumo nem a mais rentável. Então o que eu quero dizer é que quando digo ela que é a número 1? Basicamente, você pode dividir empresas de consumo eletrônico em dois grupos: a Apple e as demais. A Apple é diferente. Sua influência no design global é muito maior do que de outros competidores. A lealdade dos clientes é significativamente maior. A marca Apple e o recado de seus produtos, de forma geral, está longe de exceder o que você pode esperar.
O CEO da Microsoft, Steve Ballmer, é famoso por um vídeo louco em que grita “Eu amo essa empresa...”, em inglês. Com a Apple, são os clientes que fazem isso. E isso não é acidental e não é um fenômeno passivo. A Apple sabe coisas de que as outras não. Mas eu vou acabar com o mistério e contar oito desses segredos.
1. Engenharia e design sempre juntos, sem exceções
O processo normal na maioria das empresas é chamar os designers ao final do processo de desenvolvimento de produtos para criar uma "capa" de experiência ao redor de todas as características e tecnologias de engenharia e marketing criadas.
Na Apple, os designers ditam a regra. Eles descobrem brilhantes detalhes de como vai ser a cara do produto, o sentimento que ele vai despertar e o trabalho que vai fazer - só depois os engenheiros são acionados para que se descubra como as idéias serão postas em prática.
Anos atrás, Jeff Hawkins mudou o mundo criando o Palm Pilot. Ele desenvolveu o produto caminhando com um bloco de madeira do tamanho do Palm Pilot, fingindo usar o equipamento, por todos os lados. Ao longo desse processo, anotou o que gostaria de fazer com aquilo e como gostaria de usá-lo. Hawkins se recusou a ser influenciado por produtos existentes.
Na hora em que entregou as idéias aos engenheiros, o Palm Pilot estava conceitualmente completo. Claro, o produto recebeu várias sugestões do time de engenharia - “e se adicionássemos isso ou aquilo, alguns botões aqui e ali, ficaria mais rápido assim...” -, mas a concepção original prevaleceu.
A Palm parece ter perdido sua abordagem visionária e agora está pagando o preço. Mas a Apple ainda tem isso dentro de si.
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2. Menos é melhor
A visão de analistas de mercado, na grande maioria das empresas, tem mais força do que a sua visão de produtos. O resultado disso é uma super segmentação de produtos.
A Sony, por exemplo, anunciou quatro novos gravadores Blu-ray HDD. Quatro! Cada um com pequenas e, quase sempre, irrelevantes diferenças. A empresa obviamente pensa que os consumidores vão dedicar uma hora do seu tempo só para considerar as opções variadas do Blu-ray. Na realidade, a tendência é que os clientes fiquem paralisados e escolham fugir do assunto, confusos. Agora imagine se a Sony colocasse toda a sua energia em um só gravador Blu-ray HDD. Eu provavelmente ia querer um.
Isso é o que a Apple faz. Ela tenta desenvolver o menor número possível de produtos, cada um com o apelo mais amigável possível. Sim, existem múltiplos iPods, mas o overlap de características tende ao zero e é muito fácil de aprender que produto faz o quê.
Olhe para o iPhone. Ou para o OS X. Ou qualquer outra área de produto. A experiência de ir a uma loja da Apple desperta na pessoa uma satisfação diante da variedade de produtos. Você pode até testar cada um dos produtos na loja em 30 minutos, não incluindo conteúdos e acessórios.
A Microsoft deveria ter aprendido este segredo em janeiro. O Vista foi lançado em tantas versões que os especialistas tiveram de publicar tabelas para explicar o que estava à venda. Os clientes ainda não têm uma pista sobre as diferenças entre as variações de versão. Comprar um Vista não é uma aventura divertida. É uma lição de casa daquelas bem chatas.
Deixe-me colocar isso de forma extremamente clara para todas as companhias que ainda não captaram a mensagem: todas essas sutis variações de produto geram muitas expectativas. E a ansiedade faz as pessoas não quererem o seu produto. Menos é melhor.


