G. Steve Burrill, presidente da Foundation for the National Medals of Science and Technology e visionário do investimento em biotecnologia, fala sobre este mercado.
Em entrevista por telefone ao COMPUTERWORLD Brasil, o guru Steve Burrill, que estará no Brasil amanhã (27/09), fala sobre o momento da biotecnologia no mundo, os problemas financeiros que serão enfrentados nos próximos anos se não houver investimento no setor e o que espera do setor privado no País. Um dos mais importantes profissionais do setor virá ao Brasil para participar da Analitica Latin America, evento bi-anual sobre biotecnologia, nanotecnologia e tendências em ciências da saúde, que começa hoje (26/09) e vai até sexta-feira (28/09), em São Paulo.
COMPUTERWORLD – Qual é o momento atual da biotecnologia no mundo?
G Steve Burrill – Agora estamos vivendo uma fase preditiva e preventiva na medicina. Com a tecnologia aplicada à medicina, conseguimos descobrir doenças mais cedo e curá-las, aumentando assim o tempo de vida das pessoas. Se as pessoas vivem mais, o custo mundial em saúde irá dobrar nos próximos cinco anos. Isto porque a população vai ficar mais velha e exigirá mais cuidados.
COMPUTERWORLD – De que forma é possível reverter este problema?
Burrill – Investir em prevenção de doenças e qualidade de vida. Este é o cerne da questão e a tecnologia para a ciência da vida está aí para isto. E não precisa de muito investimento, não é preciso montar uma empresa imensa, hoje em dia, para depois se tornar mundial. Atualmente, uma empresa de um funcionário é uma empresa global. A economia nesta área mudou.
COMPUTERWORLD – E como o Brasil se insere neste contexto?
Burrill – O Brasil corre sério risco de se prejudicar se não entender que é preciso investir em tecnologia rapidamente. E, volto a insistir, não é preciso criar empresas enormes. O Brasil tem agricultura e tem recursos enormes para se dar bem neste mercado.
COMPUTERWORLD – Como está o Brazil em relação aos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China)?
Burrill – A Índia já é um grande competidor com criação de boas drogas e uma base de ciência e investimento em tecnologia. Eles saem na frente por causa disto. A China vem sem segundo lugar, com a medicina extremamente avançada. O Brasil vem depois deles, mas bem atrás. O importante é que são todas economias crescentes e com muito potencial.
COMPUTERWORLD – Quais são os países que estão mais à frente em biotecnologia hoje?
Burrill – Os Estados Unidos estão, de longe, à frente do restante do mundo. Em segundo lugar eu diria que Alemanha e os países nórdicos.
COMPUTERWORLD – Sobre o que mais o senhor vai falar em seu palestra na Analitica Latin América?
Burrill – Uma mensagem que é muito importante é que não importa o que foi feito até agora, o importante é o que será feito daqui para a frente.