Mercado
A VMWare contra o resto do mercado
Empresa líder em virtualização de servidores começa a enfrentar a concorrência de gigantes, como a Microsoft
Por Redação do COMPUTERWORLD
VMware é sinônimo de virtualização de servidor x86. É líder incontestável,
com mais da metade ou 80% do mercado utilizando seu hipervisor, dependendo de
quem está contando. Mas a armadura está começando a apresentar rachaduras.
Produtos concorrentes estão aparecendo em toda parte. A gigante Microsoft
prepara um ataque com a liberação, em breve, do Hyper-V, ao mesmo tempo em que
os investidores puniram a VMware pelo crescimento decepcionante dos lucros em
fins de janeiro, quando as ações da companhia caíram 34% em um único dia. “A
apreensão mora na cabeça de quem usa a coroa.” Pergunte a Bill Shakespeare – ou
Bill Belichick.
“O VMware é o campeão neste momento, mas é mais ou menos como o New
England Patriots”, compara Laura DiDio, analista do Yankee Group. “Quando você
está vencendo, tem um alvo nas costas. Todo mundo quer derrubá-lo.” Portanto,
se VMware é o Patriots, quem são os Giants?
A escolha óbvia é a Microsoft. Mas também poderia ser a Citrix – ou Sun,
Oracle, Virtual Iron, Novell ou Red Hat. A maior vulnerabilidade do VMware é o
preço, diz DiDio, que acaba de divulgar um relatório sobre a guerra de preços
da virtualização.
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Uma pesquisa realizada pelo Yankee Group no ano passado mostrou que 55% dos usuários que estão apostando na virtualização de servidor planejam adotar o VMware, 29% estão optando por Microsoft, 14% estão indecisos e o restante está comprando de outros fornecedores. Segundo algumas estimativas, a VMware detém 80% do mercado ou mais, números não incluem Unix e virtualização de mainframe, segmento no qual a IBM é um grande player.
A Microsoft é vista como a empresa que tem maior chance de superar a forte liderança de mercado da VMware. Mas é um mercado que está crescendo rapidamente e cada participante tem a oportunidade de criar seu próprio nicho e desviar clientes da VMware e do seu carro-chefe, o ESX Server. A seguir, uma visão detalhada das empresas que, na opinião de diversos analistas, representam as ameaças maiores à VMware.
Microsoft
Thomas Bittman, analista do Gartner, prevê que a Microsoft terá seu próprio
produto, mas ele não ocupará, necessariamente, o primeiro lugar nas mentes dos
usuários. “A VMware será o grande player corporativo e a Microsoft será o
grande player do midmarket”, diz Bittman, que está fazendo um levantamento
sobre o mercado de virtualização. “A batalha será principalmente entre estes
dois. Todos os demais são, basicamente, players em nichos.”
A tecnologia de virtualização de servidor proprietária da Microsoft é uma das
três principais arquiteturas do mercado, junto com a da VMware e o hipervisor
de código aberto Xen. O produto Virtual Server da Microsoft nunca decolou
realmente, apesar de estar no mercado há muitos anos, mas a empresa está
mirando no VMware novamente com o Hyper-V, que se encontra disponível em versão
beta como parte do Windows Server 2008 e deverá ser liberado dentro de cinco
meses.
DiDio considera a parceria entre a Microsoft e a Citrix (dona da XenSource)
um elemento relevante da estratégia da Microsoft, embora outros analistas
acreditem que a Microsoft vai enfraquecer esta relação quando seu próprio
hipervisor chegar ao mercado.
Nesta parceria, a Citrix virtualiza o Windows e a Microsoft suporta produtos
Citrix. O System Center Virtual Machine Manager da Microsoft pode gerenciar
tanto o Citrix XenServer quanto o Citrix Presentation Server. O produto de
virtualização de desktop da Citrix suportará o Hyper-V e haverá
interoperabilidade entre servidores virtuais executados sobre os hipervisores
de ambas as empresas, explica DiDio.
A Microsoft também tem parcerias com a Novell e a Sun, e a próxima versão do
Virtual Machine Manager vai gerenciar software VMware. “A estratégia da
Microsoft é, essencialmente, cercar a VMware com todas estas parcerias”,
observa DiDio.
A Microsoft quer se diferenciar ao permitir que seu hipervisor rode em uma
ampla gama de servidores compatíveis com o Windows, suportando diversos modelos
de Linux e simplificando o processo de instalação, de acordo com Zane Adam,
diretor sênior de estratégia de virtualização da companhia. “Aprendemos uma
coisa conversando com os clientes: haverá hipervisores em toda parte e
gerenciá-los será o próximo grande desafio.”
Mas a tecnologia da Microsoft não tem dois recursos que os clientes mais
exigentes demandam, ressalta Jeffrey Gaggin, analista de software corporativo
da Avian Securities Um deles é a migração em tempo real, que permite mover de
um dispositivo físico para outro uma aplicação que está rodando em um servidor
virtual. Com a solução da Microsoft, esta migração leva 5 ou 10 segundos,
enquanto com a solução da VMware ela é feita quase que instantaneamente. O
segundo recurso ausente é “hot add”, ou a capacidade de acrescentar memória a um
servidor enquanto ele está executando.
“Para além do servidor está a capacidade de gerenciar a coisa toda”, diz
Gaggin. “É aqui que o VMware, de fato, agrega valor. Será uma barreira no
caminho da Microsoft.” Ainda assim, quando a Microsoft lançar o Hyper-V, poderá
afetar a margem de lucro da VMware. “Será que as pessoas vão querer pagar mais
pela oferta da VMware? É difícil saber.”
Citrix
Alguns analistas acreditam que a Citrix tem a segunda maior chance de avançar
na liderança de mercado da VMware. A jogada de mestre da Citrix foi comprar a
XenSource, comandada pelos desenvolvedores do hipervisor Xen, no ano passado,
por 500 milhões de dólares.
O potencial da Citrix de atrapalhar a VMware parece estar, em grande parte, na
dependência de a Microsoft se posicionar mais como concorrente ou parceria.
Bittman acha que a Citrix adquiriu a XenSource na esperança de licenciar a
tecnologia para a Microsoft e impedi-la de levar o Hyper-V adiante. Obviamente,
isso não aconteceu. Microsoft, Sun e Oracle impõem à VMware ameaças muito
maiores do que a Citrix.
“A única oportunidade clara é agora, antes que e a Microsoft entre no
mercado”, avisa Bittman. “Depois que o Hyper-V chegar, não creio que a Citrix
será agressiva em virtualização de servidor. A Microsoft tem grandes recursos.
Não vejo como a Citrix possa competir.”
O plano de negócio da Citrix, porém, abrange mais do que virtualização de
servidor, promovendo o software XenDesktop como “a melhor maneira de entregar
desktops Windows”. A Nemertes Research sustenta que a aquisição pela Citrix
dará à XenSource “força financeira e de marketing substancial” na cruzada para
competir com a VMware e que o acirramento da disputa levará a mais inovação na
tecnologia de virtualização.
DiDio, por sua vez, não vê a Microsoft esfriando a parceria com a Citrix. “A
Microsoft precisa da Citrix neste campo tanto quanto a Citrix precisa da
Microsoft”, argumenta. “A Citrix oferece virtualização do desktop maravilhosa e
gerenciamento de storage maravilhoso. A Microsoft está atrasada no mercado em
muitas destas coisas”, diz.
Sun
O hipervisor Xen provê a base do produto de virtualização de x86 da Sun,
conhecido como xVM. A empresa não está sozinha aqui: o Xen é utilizado por
praticamente todos os grandes concorrentes da VMware, incluindo Oracle, Novell,
Red Hat, Virtual Iron e Citrix. Cada um deles está se esforçando para garantir
que o hipervisor Xen seja mais robusto, porém, mais importante, cada um deles
está tentando se destacar com ferramentas de gerenciamento, aponta Bittman.
Ele considera a Sun a segunda maior ameaça à VMware, logo atrás da
Microsoft. “Minha visão é de que se a Sun não agir, será uma corrida com apenas
dois cavalos.” O mercado de virtualização ainda está bastante inexplorado.
Apenas cerca de 10% dos servidores são virtualizados. VMware e Microsoft
poderiam conquistar nove entre cada dez clientes e ainda haveria uma fatia
considerável para a Sun, sem mencionar a Citrix e outros concorrentes, calculam
os analistas.
“Há muito espaço para muitas empresas crescerem nesta arena sem impactar o
market share da VMware”, estima Charlie Burns, analista da Saugatuck
Technology. A Sun, de uma maneira geral, não se saiu bem no mercado de
software, mas Bittman está otimista porque a virtualização é algo muito próximo
do expertise da Sun – gerenciamento de hardware. “Gerenciar máquinas virtuais é
só um passo além de gerenciar o próprio hardware”, diz Bittman. “Consideramos a
Sun um azarão. A prova estará na execução.”
O xVM, da Sun, é um conjunto de tecnologias de virtualização tanto do desktop
quanto do servidor x86. A empresa também tem um hipervisor SPARC para seu
próprio hardware. Recentemente, reforçou seu portfólio de virtualização com a
aquisição da Innotek, que fornece software de virtualização do desktop dirigido
a desenvolvedores que querem criar, testar e rodar aplicações em diversos
sistemas operacionais.
“A verdadeira estratégia deles, obviamente, é baseada no sistema operacional Solaris, em virtualizar o Solaris”, explica DiDio. “A abordagem é terem estas áreas contidas, que proporcionam ambientes de execução isolados dentro do Solaris.”
Oracle
O fundador e CEO Larry Ellison não se esquiva a cutucar a VMware. Ele já previu
que a VMware terá o mesmo fim da Netscape. Ellison está concluindo a compra da
BEA Systems, que tem uma parceira com a VMware para fornecer produtos de
virtualização Java. Esta iniciativa poderá frustrar alguns planos da VMware,
embora ainda não esteja claro como a Oracle pretende encaixar a BEA em sua
estratégia de virtualização, opina DiDio. A Oracle está estreando no mercado de
virtualização com o Oracle VM, que possui recursos avançados como migração em
tempo real.
A Oracle, conhecida por seus produtos de banco de dados e servidor de
aplicação, está direcionando o VM principalmente para clientes pesados do
Oracle. “É uma atitude defensiva”, avalia Bittman. “Eles não querem a VMware ou
a Microsoft sustentando a pilha Oracle. Isso retira o controle potencial de uma
conta. De todo modo, o Oracle VM não precisa gerar dinheiro. É uma meta defensiva.”
George Hamilton, analista do Yankee Group, concorda que a iniciativa da Oracle
é, em essência, uma reação competitiva destinada a preservar sua atual base de
clientes, e não uma tentativa ousada de expandir para novos mercados.
Na opinião de DiDio, do Yankee Group, a Oracle está sendo mais ambiciosa do que
isso. Seu histórico de aquisições a posiciona como um player agressivo em
vários mercados e ela não deixará passar a oportunidade que está sendo
oferecida no espaço da virtualização, em franco crescimento. “Larry Ellison
está indo às compras há três anos”, diz DiDio. “A Oracle quer agarrar uma
parcela do mercado de virtualização.”
Virtual Iron
Este fornecedor conta que recebeu um grande incentivo com as modificações de
hardware realizadas pela Intel e pela AMD, que facilitaram desenvolver software
de virtualização. A Virtual Iron sempre suportou o Linux porque o sistema
operacional de código aberto podia ser reescrito de acordo com seus propósitos.
Agora a empresa também pode suportar o Windows por causa das atualizações de
processador, informou o CTO da empresa, Alex Vasilevsky, em agosto passado.
Mas, observa Burns, todos os fornecedores estão se beneficiando de
atualizações de hardware. “A questão passa a ser, então, quem é capaz de
suportar estas mudanças com o código mais otimizado ou a funcionalidade mais
ampla, ou quem é capaz de convencer estes designers de chips que eles precisam
continuar fazendo mais”, diz. A Intel e a AMD enfrentam uma faca de dois gumes,
já que melhorias em hardware relacionadas a virtualização permitiriam que os
usuários executassem mais workloads em menos servidores.
As ferramentas de gerenciamento da Virtual Iron oferecem capacidades de
migração e disaster recovery em tempo real, segundo DiDio. Bittman classifica a
Virtual Iron como a quinta maior ameaça à VMware, na frente da Novell e da Red
Hat, posicionadas em sexto e sétimo lugares, respectivamente. “AVirtual Iron
tem tecnologia interessante, mas é improvável que sobreviva como um pequeno
fornecedor”, prevê Bittman. “Provavelmente será adquirida por alguém.”
Pequenas e médias empresas tendem a ser atraídas para a Virtual Iron. “O plano
go-to-market da Virtual Iron é simples”, diz Hamilton. “Eles tentam se
posicionar como uma empresa que oferece capacidades muito semelhantes às da
VMware por um quinto do preço.”
Novell
O hipervisor Xen é embutido gratuitamente no SUSE Linux Enterprise Server 10 da
Novell e só é necessária uma licença do Linux para todas as imagens virtuais em
um servidor físico, segundo DiDio. A Novell procura se diferenciar com o
ZENworks Virtual Machine Management, que permite aos usuários gerenciar
qualquer ambiente virtual, seja ele Xen, Microsoft ou VMware.
“O posicionamento da Novell é de quem oferece ferramentas de gerenciamento
muito boas com o pacote ZENworks”, analisa Hamilton. Como a Microsoft, a Novell
poderá conquistar clientes por causa do seu expertise em gerenciar um sistema
operacional, na opinião de Burns.
“Pelo fato de terem uma distribuição de Linux, eles podem fazer mudanças e
dizer ‘as mudanças que fizemos aqui foram para fazê-lo funcionar melhor em um
ambiente virtual. Mas você precisa usar nossa versão de virtualização ao mesmo
tempo’”, diz Burns. “O VMware não tem isso.”
A Novell deu um grande passo no dia 25 de fevereiro, quando declarou que
desembolsará 205 milhões de dólares para adquirir a PlateSpin, fornecedora que
ajuda os clientes a adotar, estender e gerenciar virtualização de servidor no
data center. A PlateSpin comercializa o PowerConvert, que realiza conversão
físico-virtual de sistemas Windows para XenEnterprise Virtual Machines da
XenSource.
Red Hat
A distribuição Red Hat Enterprise Linux vem com o hipervisor Xen gratuitamente,
enquanto o RHEL Advanced Platform inclui recursos extras como virtualização de
storage, redundância e clustering de alta disponibilidade. A estratégia da Red
Hat se torna ainda mais interessante com a disponibilização recente do RHEL no
serviço Elastic Compute Cloud (EC2) da Amazon.com, em que os usuários pagam
pequenas taxas mensais.
“A Red Hat está divulgando agressivamente o fato de que sua solução de
virtualização é muito mais econômica do que a da VMware”, observa DiDio. O
vice-presidente da Red Hat, Scott Crenshaw, declarou que as empresas poderão
economizar “de 20 mil dólares a 30 mil dólares em custos de licenças” em
comparação ao VMware.
Bittman descarta as chances da Red Hat, dizendo que suas capacidades de
gerenciamento são abaixo da média. A Red Hat se encontra em posição semelhante
à da Novell, ambas tendo a vantagem de distribuir seu próprio sistema
operacional Linux. “Nesta altura, é realmente uma questão de quem faz
primeiro”, acredita Burns. “Quem oferece primeiro e de uma maneira confiável e
robusta.”
VMware
A VMware certamente não está de braços cruzados vendo a concorrência aumentar e
se fortalecer. Em janeiro, a empresa fechou um acordo para comprar a Thinstall,
fornecedora de virtualização de aplicação. A VMware promoveu o VMworld na
Europa, entre os dias 26 e 28 de fevereiro, e fez diversos anúncios, incluindo
acordos com a HP, Dell, IBM, Fujitsu e Siemens para fornecer servidores com uma
versão enxuta do hipervisor da VMware embutida no hardware. A companhia também
anunciou planos de abrir seu hipervisor a fornecedores de segurança com um
conjunto de APIs projetadas para facilitar a criação de produtos que protejam
máquinas virtuais.
A empresa não está preocupada com a concorrência, revela Stephen Herrod, CTO
da VMware, justificando que “produtos de possíveis concorrentes ainda não
chegaram de fato”. De todo modo, a VMware talvez seja obrigada a reduzir
preços, diz DiDio, mas de uma maneira geral está tomando as atitudes certas. “A
VMware tem um mercado a perder. Caberá aos concorrentes tomá-lo”, afirma Didio.
Além dos já mencionados, o mercado de virtualização inclui players em nichos
como a Cassatt, Egenera e Parallels. Se os clientes corporativos expandirem o
uso de virtualização tanto quanto alguns analistas prevêem, até alguém com 1%
do mercado poderá ter muito sucesso. “Estamos apenas nas bordas de um mercado
emergente. Qualquer um destes players em nichos poderá se tornar grande”,
sentencia DiDio.
Avanços de hardware estão propiciando que mais fornecedores desenvolvam
software de virtualização. A VMware pode manter suas participação dominante no
mercado, mas terá que trabalhar duro para rechaçar a concorrência. “A
tecnologia da VMware ainda está à frente da concorrência. Mas o acostamento da
estrada está apinhado de empresas que tinham tecnologia superior e saíram do
mercado. Lembre-se da Netscape”, diz Hamilton. “A VMware terá que oferecer uma
proposta de valor melhor do que apenas ser o único fornecedor que existe.”


