Mercado
Onda de abertura de código: open source venceu?
Após várias empresas abrirem o código de seus softwares – no todo ou em parte – o perfil do mercado de software mudou, e muito. Saiba como.
Por Fábio Barros, do COMPUTERWORLD
Do início deste ano para cá, uma série de movimentos realizados por alguns ícones do mercado de software – e outros nem tanto – deram conta que o setor está, neste exato momento, passando por uma transformação. A abertura de parte dos códigos anunciada por empresas como Microsoft, SAP, Apple (somente para o iPod) e pela brasileira Datasul são sinais claros de que o open source venceu. Não o software aberto, mas o conceito que lhe deu força nos últimos anos.
Obviamente a apropriação do conceito não se deu sem pressão. Ao contrário, fatores como a web 2.0 e o crescimento da oferta de software como serviço tiveram sua participação. “Estes itens fizeram com que o próprio software e a colaboração ampliassem o poder de influência do usuário final sobre todo o mercado”, reconhece Jorge Steffens, presidente da Datasul, que no início de abril anunciou a abertura dos códigos fonte e dos requisitos de suas interfaces.
Escolado pelas experiências históricas de empresas que insistiram em manter suas tecnologias proprietárias, o mercado de software decidiu que era hora de permitir que o bolo fosse maior, o que em tese também deve aumentar suas fatias. “Um ponto importante destas iniciativas é que elas vão gerar uma oferta maior dos aplicativos para os sistemas destas empresas. Mais que isso, ter um desenvolvedor trabalhando no aprimoramento de seu produto é sempre bom: o cliente fica satisfeito e sua empresa não teve trabalho para isso”, compara Júlio Pagani, analista da IDC Brasil.
Waldir Arevolo, principal analista da TGT Consulting, concorda. “Estas empresas estão ganhando escala e seus clientes vão ganhar mais módulos, mais rapidamente”, afirma. O segredo está na manutenção do que os especialistas chamam de a ‘espinha dorsal’ do software, que continuará sob o controle de seus criadores. “Estas empresas estão tomando o cuidado de manter fechadas as espinhas dorsais de seus sistemas. Se você garante o que o software tem de fazer como objetivo, a forma como isso vai acontecer não fará diferença. Ampliam-se as possibilidades sem a perda da razão de ser de seus produtos”, diz.
Os especialistas garantem que os maiores beneficiados pela mudança de postura serão os clientes. “Se o usuário tiver especialização técnica, ele mesmo resolve o problema dele, se não tiver, poderá contar com um número maior de fornecedores que poderão fazê-lo. O importante é que a abertura ocorra de fato e seja clara: o que será aberto e o que poderá ser feito”, diz Pagani, da IDC.
Meios diferentes
Apesar de o destino ser o mesmo, cada companhia, pelo menos até aqui, escolheu seu caminho. A Microsoft, por exemplo, reconhece a influência do mercado open source em seu modelo. “Esta influência é clara nos lançamentos que fizemos de 2002 para cá, como no Windows Server 2008”, exemplifica Roberto Prado, gerente de estratégia da Microsoft Brasil. Para ele, o conceito da interoperabilidade é dominante no mercado de software.


