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Mercado trava guerra de nervos

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A indústria da Tecnologia da Informação não está numa boa fase. As vendas caem, os prejuízos aparecem e as ações despencam. Acionistas, presidentes e funcionários estão em pânico. Mesmo que seja passageiro, acaba despertando uma série de ações e reações dos principais atores do setor e, de alguma forma, acabamos envolvidos.<

27 de setembro de 2001 - 11h57
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A indústria da Tecnologia da Informação não está numa boa fase. As vendas caem, os prejuízos aparecem e as ações despencam. Acionistas, presidentes e funcionários estão em pânico. Mesmo que seja passageiro, acaba despertando uma série de ações e reações dos principais atores do setor e, de alguma forma, acabamos envolvidos.

Numa época como esta, os mais fracos ficam a um passo de serem engolidos. Ser fraco não significa ser pequeno, como mostra a recente aquisição da Compaq pela HP. Basta uma notícia ruim ou um resultado aquém do esperado para que o valor da ação caia, e propicie as condições para se passar de caçador à caça. Do dia para noite, um dos nossos fornecedores pode deixar de existir!

Não é a primeira vez que abordamos a influência do mercado de capitais. Muitas das iniciativas dos nossos fornecedores não são voltadas a nós, os clientes, e sim, aos investidores. É preciso cativá-los e convencê-los a manter ou aumentar suas participações. Afinal, trata-se de um ramo dominado por empresas norte-americanas com capital muito pulverizado.

A situação econômica precária e as bolsas sensíveis não são motivos para que toda e qualquer estratégia dos grandes atores do mercado seja bem recebida. Os analistas estão cada vez mais capacitados para criticá-las. Às vezes, isto gera uma tensão adicional.

Um relatório recente do Gartner, sobre a Oracle, um dos líderes mundiais do software, foi motivo de polêmica. Intitulado “Oracle sob fogo”, ele apresenta diversos aspectos negativos sobre os produtos, sobre os resultados e sobre o gerenciamento da empresa. Sem entrar nos detalhes, dá para perceber que foi uma crítica dura e completa : o Gartner fez barba, cabelo e bigode!

A resposta da Oracle foi igualmente forte. Não só deu a sua versão dos fatos como também colocou em dúvida a credibilidade do Gartner. E foi além, apresentou artigos questionando todo o setor de pesquisas. Trata-se de um reflexo compreensível. Até mesmo um gigante como a Oracle não quer ser a bola da vez. O impacto de críticas deixadas sem respostas pode ser fatal!

Pelas notícias recentes extraídas da Internet, tem mais gente atirando no mesmo lugar: “Oracle pressionada para maior suporte, deveria focar na qualidade” (Giga Group), “Nota para a Oracle : pare de culpar os clientes” (Forrester Research), “IBM alista empresas de software na guerra contra a Oracle” (Computerworld/EUA), “A Oracle no fio” (Forbes).

Existem notas positivas a respeito da Oracle. Mas fica evidente que a empresa tem desafios relevantes. Só para refrescar a memória, IBM e Microsoft não estão neste segmento para conquistar nichos ou apenas marcar presença. É guerra para valer! Tudo isto pode ser totalmente esquecido em poucas semanas. Todos aqueles que criticaram a empresa reconhecem que ela tem condições para resolver os problemas. E, é claro, passar a “batata quente” para outro. Queremos o melhor para a Oracle, pois queremos um mundo competitivo.

Para os próximos meses, podemos esperar muitos movimentos importantes na indústria da Tecnologia da Informação. O mercado está nervoso. Vários analistas insistem que há espaço para movimentos de concentração. Neste cenário, ser a bola da vez pode significar a própria sobrevivência.

* Fernando Birman é gerente de Informática da Rhodia Poliamida

|Computerworld - Edição 350 - 19/09/2001|

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