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Arquivo confidencial da empresa X

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A informática tem se tornado, infelizmente, uma peça importante em esquemas de suporte à criminalidade planejada e metodizada em nível mundial.

03 de setembro de 2002 - 11h27
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Do primeiro andar, pelas janelas discretas do CPD, podia-se avistar os relevos de Buenaventura, região onde se crava a cidade de Cali, na Colômbia. Dentro do prédio, os seis técnicos e analistas de sistemas, em turnos de 8 horas, pilotavam um robusto mainframe AS-400, de US$ 1,5 milhão, servidor de uma rede com dezenas de terminais da empresa NVC.
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Preparavam a tirada dos backups de um sistema de bancos de dados, onde concentravam-se informações sobre competidores e concorrentes e sobre os quais um sistema de data mining customizado cruzava informações estratégicas sobre ligações telefônicas efetuadas e recebidas, seus destinos e origens.
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A NVC disputava um espesso mercado mundial de mais de US$ 70 bilhões/ano e necessitava de toda a infra-estrutura de tecnologia e de comunicação para apoiar a sua sofisticada logística de distribuição e extensa operação descentralizada.
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Os analistas do turno se preparavam também para cuidar de um site por onde os gerentes das diversas unidades da NVC no exterior atualizariam os saldos diários em dólares.
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Tudo isso foi interrompido pela invasão da força especial de repressão ao narcotráfico. Estava descontinuado um dos data centers do narcotráfico mundial. Os dados cruzados pelo sistema de mining, na realidade, apontavam funcionários da empresa que colaboravam com a justiça colombiana e que estavam sendo “deletados” gradativamente: do sistema e, digamos, do planeta.
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A empresa nunca se chamara NVC (North Valley Cali) – única ficção colocada no texto acima. O resto todo é verdadeiro e mostra, segundo a revista Business 2.0, de julho último, a crescente utilização de tecnologias sofisticadas pelo mundo do crime.
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Essa simbiose negativa nunca foi novidade e não seria diferente no campo lucrativo da indústria das drogas. Além de sistemas computacionais elaborados e complexos algoritmos de criptografia desenvolvidos para o narcodata, também foram detectadas frotas de submergíveis de pequeno porte e submarinos de segunda mão, comprados dos mercados decadentes do leste europeu. Tudo isso figurando no arsenal de tecnologia que joga a favor do crime.
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No Brasil, recentemente, diversas centrais clandestinas de comunicação por celular foram descobertas suportando uma rede onde PCC e CV planejavam suas ações diretamente do centro de decisão estratégica de um presídio carioca. Uma espécie de Tele-Jail ou pré BSC (Balanced Scorecard) da criminalidade brasileira.
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A Informática, a menos de alguns “hackers” tupiniquins ainda não certificados, aparecendo no cenário pós-copa, ainda não se configurou por aqui como elemento de suporte maior à criminalidade planejada e metodizada. É uma questão de tempo, pois temos potencial e condicionantes favoráveis. Infelizmente.
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Só por curiosidade, gostaria de saber a preferência tecnológica desses novos usuários da velha e não mais incólume tecnologia dos bits e bytes: prefeririam eles os produtos pirateados, o que contribuiria para o glamour e o cultivo natural à transgressão que exercitam, ou partiriam para a utilização de software livres, num rompante meio inconsciente e libertário? Dá uma boa monografia de MBA...
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Opinião do Leitor
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