Publicidade

Negócios

Dell vê futuro no Linux para desktop

Em entrevista, Michael Dell fala sobre os investimentos da sua empresa, do trabalho com a Microsoft e das perspectivas do sistema operacional alternativo para PCs.

Por IDG News Service/EUA

21 de janeiro de 2003 - 18h02
página 1 de 1

Um dia repleto de entrevistas na sede da Dell Computers é mais do que o suficiente para se ter uma idéia do que os executivos consideram como os principais pontos fortes da empresa. Um vice-presidente após o outro fala sobre o sucesso da Dell em ouvir seus clientes, da busca de mercados mais fortes e atacam concorrentes com uma saudável dose de pragmatismo.

Por isso, quando a reportagem do IDG News Service sentou-se recentemente com o presidente do conselho e principal executivo da empresa, Michael Dell, pareceu apropriado perguntar a ele sobre alguns dos segmentos de mercado não tão solidificados que a Dell tem investido.

No caso do Linux para desktop, a fabricante investiu uma grande soma em dinheiro no ano passado, contando com o aquecimento da demanda, que não aconteceu, segundo Dell. Mas essa falha não impediu a empresa de atacar mercados novos como o de clusters de alto desempenho e clusters Linux executando o banco de dados Oracle. Dell apresentou um quadro de onde e quando ele vislumbra novas oportunidades.

IDG News Service: Tradicionalmente, a Dell vai onde o dinheiro está e em mercados mais estabelecidos. Atualmente, vocês estão indo atrás de coisas como clusters Linux executando Oracle e ambientes computacionais de alto desempenho com muita insistência, que parecem ser mais nichos até agora. Por que vocês decidiram entrar nesse tipo de negócio?

Michael Dell: Na verdade, os clientes decidem mais do que nós. Um número suficiente de clientes que deseja algum produto, nos motiva a fazer as coisas. Estamos estudando esse mercado de clustering a alguns anos com alguns PhDs que trabalham conosco. É uma idéia muito forte para nós porque o que estamos fazendo é pegar alguns componentes padrão de mercado, reuni-los e criar um supercomputador.

IDGNS: Falando em armazenamento, vocês fizeram uma parceria com a EMC para oferecer aos clientes uma gama completa de produtos de armazenamento, de low a high-end. Por que não fazer um acordo com um fabricante de servidores Unix também, para compor a linha de produtos de vocês e, quem sabe, abrir novas oportunidades de serviços?

MD: Quem você tem em mente?

IDGNS: Empresas como a Sun e IBM vendem muitas caixas da EMC.

MD: Estamos vendendo produtos de armazenamento da EMC que se conectam a uma máquina da Sun, mas o que estamos vendo no mercado é Linux substituindo Sun. Nesse sentido, eles estão mais para concorrentes.

IDGNS: É óbvio que o pessoal de Unix está concorrendo com vocês, mas a Dell também concorria com a EMC em armazenamento. Quando vocês decidiram que chegou a hora de fazer uma parceria e quando está na hora de competir?

MD: Em primeiro lugar, nosso foco está em coisas que possuem padrões amplamente aceitos. Vejo o Unix proprietário desaparecendo e dando lugar ao Linux e ao Windows. Essa é a tendência do mercado. Há certamente clientes ainda comprando essas coisas, mas acho que continuam incentivados pelo high-end e que o volume do mercado Unix será predominantemente Linux em servidores de grande volume como os da Dell.

IDGNS: O senhor vê a computação em bits como uma realidade para a Dell?

MD: Lógico, tudo depende das aplicações e do custo do processador. No momento estão surgindo aplicações disponíveis para 64 bits. Entraremos nesse mercado. Ele irá começar como um mercado high-end. Com o aumento no volume, poderá chegar para mais tipos de aplicações.

IDGNS: Vocês se comprometeram com a fabricante de equipamentos Newisys a lançar servidores baseados no chip Opteron de 64 bits da AMD?

MD: Não. Nossa estratégia na verdade não mudou. Podemos ter 64 bits tanto em servidores como em desktops. É bem provável que isso aconteça primeiro em servidores. Não vejo muitas pessoas pedindo 64 bits para PCs.

IDGNS: A Dell realmente desistiu do Linux em desktop? Olhando para trás, vemos que vocês foram uma das primeiras empresas com Linux desde o desktop até o servidor high-end. Vocês também investiram bastante em empresas como a Eazel que estavam trabalhando para facilitar o uso de versões de Linux em desktops.

MD: Parte disso deu certo, outra parte não. Fizemos vários progressos, mas infelizmente o mercado de Linux para desktop não se desenvolveu em volume. É mais uma oportunidade para servidores.

IDGNS: Algumas pessoas da Eazel (agora extinta) disseram que a Dell ainda pretendia investir na empresa. Isso procede?

MD: Sim.

IDGNS: O seu compromisso com a Eazel na época não pareceu contradizer sua decisão em colocar o Linux como uma opção para os desktops em 2001?

MD: Acho que houve um mal-entendido sobre o que estamos incentivando ou não. Se você pensar na grande diversidade da nossa linha de produtos, verá que temos 150 modelos diferentes. A demanda por Linux no desktop existe, mas não é tão grande. Por isso, suportar Linux no desktop de cada modelo não é economicamente viável. Dessa forma, o que fizemos, na verdade, foi oferecê-lo em um grupo menor de configurações.

IDGNS: A impressão de que os clientes tinham que solicitar Linux para desktops em grandes quantidades, como pedido especial.

MD: Penso nas nossas estações de trabalho que podem ser compradas pela Web. Descobrimos que a demanda está na área educacional e científica, e que nessas áreas eles querem estações de trabalho. Mas também comercializamos sistemas com DOS gratuito, para que possa colocar seu próprio sistema operacional lá.

IDGNS: A Dell foi mencionada no caso antitruste da Microsoft, em que um memorando da Microsoft exprimia a insatisfação deles com a decisão de vocês em comercializar Linux em desktop.

MD: Uau! (cruza os dedos).

IDGNS: Uma boa parte do pessoal da Dell que trabalhava com Linux foi despedido depois da saída do Linux do desktop e algumas pessoas sugeriram que a Microsoft poderia tê-lo influenciado nessa direção. Mas o senhor diz que isso não passa de especulação...

MD: Não, continuamos a oferecer Linux no desktop e não há mais o que falar sobre isso. A Microsoft é um grande parceiro da Dell e eles não vendem somente para nós, assim como não vendemos somente produtos deles. A coisa é bem simples.

IDGNS: Não parece que o Linux teve muito sucesso em desktop nesse ano. O senhor acredita em uma revitalização?

MD: Se você olhar nossas principais atividades aqui vai verificar que isso é algo em que estamos interessados em presenciar. Mas se você perguntar se isso seria significativo nos próximos meses, diria que não. Não estamos torcendo contra. Se houver aumento no volume do mercado Linux no desktop, excelente.

IDGNS: A Dell foi uma das empresas que se declarou favorável da fusão entre a HP e a Compaq. Agora que a fusão ocorreu, que efeitos vocês estão sentindo?

MD: No trimestre passado, as nossas vendas cresceram 28% em unidades enquanto o restante do mercado cresceu 2%. Acho que a empresa que você mencionou teve crescimento negativo em unidades. Sendo assim, acredito que nos demos muito bem.

IDGNS: O senhor acha que a IBM e a HP trabalham com o modelo certo de uma única loja para tudo? É esse modelo, juntamente com o de grande foco em serviços, que irá sobreviver?

MD: Acho que nossos resultados foram muito bons no ano passado e acredito que eles falam por si. Com tradução da PC World

[ Leia outras notícias no site da PC World - ]]

Opinião do Leitor
Não há comentários para essa notícia
Publicidade
Publicidade
As mais lidas
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar

A elite do RH de TI e Telecom no Brasil

Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.

Veja o Especial

Confira o ranking:

  1. Chemtech
  2. Kaizen
  3. Microsoft
  4. Cisco do Brasil
  5. Google Brasil
Veja o ranking completo com as 60 empresas
coluna tv
Newsletters
Assine a Computerworld