Negócios
IBM tenta reforçar base de Linux em parceiros estratégicos
A big blue está trabalhando com grandes fornecedores de software ao redor do mundo como a brasileira Microsiga - em uma verdadeira peregrinação para ampliar a oferta de soluções baseadas em sistema de código-fonte aberto.
Por Ricardo Cesar
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Ricardo Cesar "Vimos uma grande oportunidade no Linux e nossos parceiros também enxergaram isso. Agora estamos estudando formas de ampliar a participação de soluções Linux no mercado", disse Stallings. "Na América Latina, os clientes precisam saber que há muitos produtos Linux disponíveis e eles ainda não sabem", afirmou. Stallings reuniu-se com a direção da Microsiga, na sede da empresa, em São Paulo, para traçar ações que permitam fortalecer o Linux na empresa brasileira. Segundo o diretor de marketing e alianças da Microsiga, Cláudio Bessa, atualmente cerca de 10% dos negócios da empresa são fechados em plataforma Linux. Isso inclui desde aplicações de ERP até soluções verticais. "Estamos estudando como ampliar isso", afirmou Bessa, que não arrisca previsões sobre a taxa de crescimento que o sistema de código aberto terá em sua base de clientes. "Temos um modelo de aliança com alguns parceiros, que são muito mais do que revendedores para a IBM. É o caso da Microsiga, com quem trabalhamos em conjunto para prover soluções, traçar estratégias de marketing e definir como iremos ao mercado", conta Stallings. "É nesse tipo de parceiro que queremos ver a base de Linux crescer." Stallings conta que está trabalhando com "os parceiros mais fortes e os grandes ISVs ao redor do mundo" em uma verdadeira peregrinação para reforçar a oferta de soluções baseadas em sistema de código-fonte aberto. Um dos pontos-chave que estão sendo discutidos é como criar "receitas" de migração de outras plataformas para Linux. "Quando um cliente vai mudar de uma outra plataforma para Linux, queremos ter uma fórmula pronta para que isso ocorra de forma mais fácil e rápida." Para dar uma dimensão da importância que o Linux adquiriu na IBM, o executivo conta que 20% de todos os negócios de mainframe da big blue no mundo já são fechados em uma base de Linux. O gerente-geral da IBM afirma que o Linux é o sistema operacional que avança mais rapidamente no mercado de servidores e diz que o sistema de código-aberto garante uma via fácil de migração para quem está em plataforma Unix, pois o conhecimento técnico para operar as duas plataformas é semelhante. "O Linux permite usar o conhecimento dos profissionais que a empresa já tem em casa", diz. "Antes os Chiefs Information Officer (CIO) procuravam muito Linux por causa do custo. Agora a preocupação é obter retorno sobre os investimentos e isso reforçou mais ainda a posição do freeware no mercado. Os clientes estão percebendo que com Linux eles podem recuperar os investimentos feitos em Unix, por exemplo." Apesar de todo o entusiasmo com o freeware, Stallings descarta a possibilidade de que um dia a IBM se torne uma empresa "100% Linux" e abandone suas outras plataformas. "Isso não está nos planos. Queremos que o Linux seja uma opção a mais para nossos clientes, não a única opção. Queremos oferecer oportunidade de escolha." O gerente de tecnologia Linux da IBM Brasil, Tarcisio Lopes, afirma que a demanda por freeware é grande no País. "Vemos um crescimento muito expressivo de Linux no Brasil. O lado positivo é que Linux significa uma ótima oportunidade de transferência de tecnologia para países em desenvolvimento, pois seu código é aberto. Com soluções proprietárias isso não acontece", destaca Lopes. "O sistema operacional deixou de ser uma caixa preta para nós", reforça Omar Edson Varela, gerente regional de alianças da IBM.
Fica cada vez mais claro que o Linux tornou-se peça-chave na estratégia da IBM. Agora a big blue quer que o mesmo aconteça com seus principais parceiros comerciais, sobretudo os fornecedores de software (chamados de "ISVs" Independent Software Vendors). Esta foi a razão que trouxe ao Brasil Jim Stallings, gerente-geral de Linux da IBM Corp., que está visitando alguns dos parceiros mais importantes da companhia no País para estudar formas de aumentar a participação da plataforma Linux nas vendas dessas empresas.
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