O modelo ASP ( Application Service Provider) renasce nas mãos de fornecedores que acreditam em um novo conceito de oferta, agora mais específico e voltado a negócios, não a produtos.
O modelo de Application Service Provider (ASP) ganha novo fôlego e estímulo de fornecedores que garantem: agora o negócio é pra valer.
Fábio Barros
Há cerca de dois anos, várias empresas invadiram o mercado oferecendo o que parecia ser a solução para todos os problemas das áreas de Tecnologia de Informação das corporações.
Sob o pomposo nome de ASP (Application Service Provider), estes fornecedores prometiam redução de custos com hardware, software e gerenciamento.
O tempo passou e o modelo foi praticamente esquecido pelo mercado, parecendo fadado a ser lembrado como mais um factóide tecnológico que não pegou.
Mas algumas ondas voltam e, no vácuo das discussões sobre terceirização de aplicativos e serviços, alguns fornecedores retomam a oferta.
Empresas como Computeasy, Veritas, Computer Associates e Proceda são unânimes ao afirmar que, desta vez, as coisas serão diferentes. O próprio modelo, dizem, guarda características distintas das que eram oferecidas há algum tempo: as propostas de hoje são mais realistas, focadas em soluções (e não em produtos) e menos abrangentes, geralmente dedicadas a um departamento ou área específica do cliente.
As soluções eram oferecidas em data centers milionários e a segurança era uma restrição, avalia Rogério Sanches, diretor da Computeasy no Brasil.
A empresa acaba de fechar parcerias com a Veritas e a Computer Associates para oferta de pacotes de serviço ao mercado.
Além da redução no custo das licenças, Sanches garante uma estrutura mais enxuta.
Para atender à demanda hoje de cerca de 15% do faturamento e previsão de crescimento entre 80% e 100% este ano o executivo montou o que chama de data center modesto.
Nosso parque é montado com máquinas semi-novas, vindas de feiras ou demonstrações e, com os acordos, oferecemos soluções de monitoramento e segurança, explica, lembrando que o cliente compra o direito de uso de seu parque por tempo determinado.
Segunda onda
O que vivemos agora é uma segunda onda de ASP, agora com preocupação maior em adicionar valor. É nesse momento que ajudamos os IDCs a oferecer este valor, atesta Christopher Cook, gerente de marketing da Veritas que, além de Computeasy, tem a Tnext, a Optiglobe e a .comDominio como parceiros.
Para estas companhias, a Veritas oferece soluções de disaster recovery e gerenciamento de storage e, na avaliação de Cook, ainda não se trata de um mercado consolidado ou maduro.
Mesmo assim acreditamos em um salto entre este ano e o ano que vem, afirma, prevendo que, dos atuais 10% a 15% do faturamento, o modelo deve saltar para 20% ou 30% em um ano.
Para Maura Silveira, gerente de marketing e vendas indiretas da Computer Associates no Brasil, a diferença entre o novo modelo e o antigo está no foco.
O antigo ASP era voltado a produto, sem analisar as necessidades do cliente. Agora nós transformamos a tecnologia em ferramentas que serão oferecidas em um pacote de serviços, explica.
No caso da CA, a oferta inclui soluções de gerenciamento de rede e de armazenamento e é feita por parceiros como Computeasy, Planus, Netcentric e Compushop.
A executiva afirma que há outras alianças em negociação, mas preferiu não adiantar detalhes.
Não há uma meta, mas um grupo de parceiros que estão em treinamento. Alguns vão para a vende de produtos, outros adotarão o MSP (Management Service Provider), diz.
Maura Silveira não detalha números, mas afirma que a intenção da CA é mais do que duplicar o número de clientes no modelo atualmente são 15.
O escopo do serviço é o resultado. O cliente não quer entrar no mérito dos produtos que serão utilizados para isso.
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| A recuperação do modelo ASP começa a chamar a atenção de outras empresas. Um bom exemplo é a Proceda, que prepara sua entrada no que chama de mercado de prestação de serviços de valor agregado. Já há soluções definidas para o mercado de mainframes, que serão comercializadas no modelo on-demand, explica Paulo Melhado, diretor comercial da Proceda. O executivo não dá muitas informações, mas afirma que há parcerias fechadas e outras em andamento, para fornecimento de serviços como call center, por exemplo, no modelo BSP (Business Service Provider). A nova frente de atuação tem como meta representar entre 30% e 40% do faturamento da Proceda em dois anos, o que não é pouco, levando-se em conta que a companhia prevê faturar, em 2003, cerca de R$ 139 milhões. |
A Metalfrio, fabricante de equipamentos de refrigeração, adota solução no modelo ASP e confirma vantagens prometidas pelo fornecedor
Para agilizar os processos internos de compras a Metalfrio Solutions, fabricante de equipamentos de refrigeração ligado ao grupo BSH Continental (Bosh and Siemens Hausgeräte), implantou uma ferramenta de e-procurement, sistema de aquisição eletrônica, contratada no regime ASP.
Até junho do ano passado, todo o processo de compras da companhia era realizado de maneira convencional. Na hora de adquirir uma mercadoria, um funcionário do departamento de compras levantava todos os fornecedores, enviava comunicados a cada um informando o que seria adquirido e as condições escolhidas pela empresa. Após receber várias ofertas, escolhia o melhor orçamento.
Porém, da triagem dos fornecedores até a aprovação da melhor oferta, passavam-se vários dias.
Uma única pessoa era responsável pela compra de não-produtivos (para a infra-estrutura da empresa), manutenção, reposição e operação, comenta Almir Camargo, diretor negócios do ClienteCom, e-business da HOLD Process & IT Solutions e responsável pela implantação do sistema.
A Metalfrio Solutions optou pela solução na modalidade ASP.
O foco da Metalfrio é produzir e vender freezers. Não podemos nos ocupar com tecnologia, segurança, links dedicados e servidores. Portanto resolvemos adotar uma solução em ASP, explica Marcelo Passadore, gerente de Tecnologia da Informação da companhia.
Operação e planos
O projeto piloto teve início em agosto do ano passado. No final de dezembro realizamos algumas cotações e pedidos pelo sistema, comenta Passadore.
Porém a grande estréia aconteceu no último dia 15 de abril, quando a empresa realizou seu primeiro leilão reverso para adquirir uma solução de revisão da rede lógica de TI.
Inicialmente preparamos toda a avaliação dos fornecedores. O segundo passo foi a apresentação do projeto a ser realizado às empresas concorrentes, seguido do material descritivo, explica.
No dia marcado os fornecedores entraram no sistema e disponibilizaram suas propostas.
Finalizado o tempo do leilão reverso, o sistema enviou um alerta com o resultado.
Como o processo é transparente e online, o fornecedor que perde a concorrência fica sabendo o preço do ganhador, o que o auxilia a se posicionar frente aos valores praticados pelo mercado, diz Passadore.
De maneira geral ainda é muito cedo para medirmos a redução em valores, porém já sentimos uma melhoria considerável no ciclo de aprovação dos pedidos, além de um ganho operacional com maior agilidade e segurança no processo de compras, explica Passadore.
Segundo ele, antes alguns documentos importantes demoravam para serem localizados. Agora tudo está disponível no sistema.
Estimamos uma redução em torno de 25% a 30% nos custos com o processo de compras, comemora.
Com os resultados em mãos, o executivo contabiliza benefícios.
De acordo com ele, a equipe de TI da Metalfrio Solutions é hoje composta por quatro pessoas.
Se a empresa amplia o número de turnos, não tenho que me preocupar com plantões, exemplifica, lembrando que o investimento feito na solução foi de, no máximo, 30% do custo da estrutura.
Mais que isso, o executivo prepara-se para a adoção de um novo serviço dentro do modelo.
Vamos entrar em processo para a contratação da empresa que desenvolverá nossa extranet, revela, dizendo que o objetivo de sua área é crescer, sem aumentar custos.
|Computerworld - Edição 385 - 14/05/2003|