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Storage: gerenciamento é o desafio

A extensa lista de erros cometidos nas estratégias de armazenamento de dados no dia-a-dia é encabeçada pela não utilização completa dos recursos existentes e acréscimo de novos equipamentos sem conhecer ao certo o que a empresa já possui.

Por Ricardo Cesar

30 de julho de 2003 - 13h06
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Ricardo Cesar

Gerenciar os recursos disponíveis e atender às necessidades da empresa com um orçamento cada vez mais apertado são os dois grandes desafios dos Chiefs Information Officer (CIOs) no campo do armazenamento de dados. A extensa lista de erros cometidos nas estratégias de storage no dia-a-dia é encabeçada pela não utilização completa dos recursos existentes e acréscimo de novos equipamentos sem conhecer ao certo o que a empresa já possui.

Dois estudos dão números ao problema. Um trabalho da International Data Corporation (IDC) revela que, em média, o custo bruto de storage caiu abaixo de US$ 0,10 por Mb, ao passo que o custo de gerencia-lo chega a US$ 1,35/Mb por ano. Já o Gartner estima que para cada dólar gasto em compra de soluções, cinco são desembolsados para controlar e manter o que foi adquirido.

"Gasta-se muito mais para gerenciar o que o CIO comprou do que o valor da compra em si", diz Marcelo Vallim, consultor da Computer Associates (CA). O consultor acredita que o ponto central é conhecer as necessidades corporativas ao invés de investir em aquisição de hardware ininterruptamente, como é prática comum em muitas empresas. Daí a importância do chamado Gerenciamento de Recursos de Storage (SRM, da sigla em inglês).

O conceito abrange relatórios para classificar os dados, políticas de alocação, automação, análise de tendência e planejamento de capacidade, gerenciamento baseado na aplicação, monitoração de performance e até cobrança departamental pelo uso de storage.

"É necessário classificar dados. Vejo arquivos que não são acessados normalmente e que poderiam ser alocados em fita, ao invés de ocupar, por exemplo, 500 giga em disco", diz Vallim. A CA também recomenda uma análise de tendência baseada no histórico da empresa para saber qual orçamento para storage será necessário no próximo ano. Outro ponto a ser considerado é a definição de centros de custo dentro da empresa.

O diretor-geral da subsidiária brasileira da Veritas, Bruno Lobo, segue uma linha de raciocínio similar. Ele defende que o atual quadro econômico agrava a necessidade de se racionalizar o uso de recursos - e isso é válido para a área de storage, cujo custo pode aumentar muitas vezes se os dados forem armazenados indiscriminadamente, sem buscar a melhor opção em cada caso. "Estamos na era em que os CIOs têm de fazer mais com menos", diz.

Nesse contexto, preservar o que já foi feito torna-se essencial, assim como provar o retorno de qualquer investimento. "O recurso mais caro é aquele que você já comprou e não utiliza totalmente", diz Lobo. "Obter recursos para investir em TI é uma questão relativa. Um dólar é caro quando não se consegue justificar o retorno que ele trará, e milhões de dólares podem estar disponíveis se isso se reverter em ganhos para a empresa."

Solução de software

Na visão do executivo, investir em software de storage é uma das melhores opções para reduzir os custos de armazenagem. Ele cita sistemas de virtualização que permitem que hardware de diferentes fabricantes tenham interoperabilidade e funções de provisionamento dinâmico, que permitem utilizar os recursos disponíveis segundo as necessidades da empresa.

A missão de executar uma política de gerenciamento de storage varia de acordo com a carteira de fornecedores de cada companhia. Quando a empresa adquire toda a solução de um mesmo fornecedor, o trabalho torna-se mais fácil. Em contrapartida, ela fica amarrada a uma só solução e com pouca margem de manobra na eventualidade de o provedor de TI aumentar seus preços ou sair do mercado.

Se optar por múltiplos fornecedores, no entanto, surgem problemas de incompatibilidade. A saída pode ser adquirir soluções especializadas de fornecedores de software para integrar sistemas heterogêneos de storage e obter um ponto único de gerenciamento.

Vallim, da CA, acredita que uma visão consolidada e centralizada do ambiente de storage é fundamental. Mas o consultor destaca que sempre é preciso levar em conta a relação custo x benefício. Isso é especialmente verdade para sistemas de backup e recuperação de dados. "O CIO precisa considerar duas variáveis: o tempo que a empresa pode ficar parada e o orçamento disponível", diz.

No fim, será uma decisão de negócios. Não é por outro motivo que estabelecer uma política de gestão dos recursos de storage torna-se um item obrigatório na agenda de médias e grandes empresas. A era da improvisação em armazenamento de dados começa a ficar para trás.

Qual a qualidade dos seus dados?
Uma pesquisa da PriceWaterhouseCoopers, realizada com 600 corporações em todo o mundo, revela que apenas 41% das companhias estão confiantes na qualidade dos dados que possuem e um número ínfimo – 17% – confia em dados de terceiros. Cerca de 74% já tiveram problemas significativos nessa área. Apenas uma em cada três empresas se diz “muito confiante” com a qualidade dos dados que possui.
“Problemas de dados causam perdas efetivas de receita”, diz Maurício Girardello, diretor responsável pelas áreas de eficiência operacional e gerenciamento de dados da PwC. Em um caso real levantado na pesquisa, uma empresa, cujo nome foi preservado, deixou de ter lucro e apresentou prejuízo de US$ 8 milhões apenas por causa da falta de gestão da qualidade de dados.
Girardello aponta como um dos principais entraves o fato de que a responsabilidade pela estratégia dos dados não é abordada no nível decisório. Somente 41% das companhias entrevistadas tratam sobre gestão de dados em reuniões do conselho.

Comendo pelas beiradas

O mundo de soluções de storage sempre foi uma terra de gigantes, como EMC, Hitachi ou IBM. Enquanto essas multinacionais travam uma disputa cada vez mais acirrada, uma empresa brasileira tem conseguido engordar sua carteira de clientes abocanhando o que até agora estava longe da atenção das multinacionais: o chamado mercado mid-range. Trata-se da Sentry-Store, companhia fundada em 1991 que amealhou mais de cem contratos e fechou o ano passado com faturamento de R$ 15 milhões.

"Quando uma dessas fornecedoras de armazenamento de dados chega em um potencial cliente de grande porte, ela quer ser responsável por todo o storage corporativo. Nós olhamos os detalhes, procuramos ver onde há buracos no sistema e oferecemos soluções pontuais para endereçar problemas específicos", diz Jéferson Ferreira, diretor operacional da Sentry-Store. Com essa estratégia, a fornecedora tem soluções que cobrem todas as necessidades de empresas médias e também problemas departamentais de clientes de grande porte.

O desafio da Sentry é que as grandes fornecedoras voltaram sua atenção para o mercado de soluções de médio porte, em resposta à estagnação de sua base de clientes de grande porte. Mas, na visão de Ferreira, o aumento da concorrência representa também uma oportunidade. "Quando as grandes fornecedoras se interessam por um mercado, elas fazem barulho, conscientizam e ampliam essa base de potenciais clientes. Espero crescer no vácuo dos meus concorrentes maiores", diz.

Além disso, para enfrentar a competição crescente, a Sentry reforçou o seu portfólio de produtos. A nova estrela da empresa é o InteliNAS, uma solução de Network Attached Storage (NAS) que tem entre os seus pontos fortes o custo, a possibilidade de contar com múltiplos discos de paridade (discos extras disponíveis para segurança) e a incorporação de software de backup.

O produto é fruto de uma parceria com a InoStor Corporation, empresa do grupo Tandberg Data, que procurava um parceiro para distribuir o InteliNAS no País. Ferreira estima que as soluções de NAS para mid-range representam um mercado de US$ 12 milhões no Brasil. "Queremos conquistar 10% desse filão", diz.

Novos mercados e opções
Além da qualidade e gerenciamento de storage, o mercado vem caminhando também – e a passos rápidos – na direção da interoperabilidade. Um bom exemplo é a utilização de plataformas SCSI (scuzzy) baseadas em protocolo IP (Internet Protocol), uma das apostas da Network Appliance.
“É o melhor protocolo para integração de ambientes heterogêneos”, acredita Mauro Figueiredo, diretor-presidente da empresa no Brasil, lembrando que sua utilização é, na verdade, uma conseqüência da aceitação do IP pelo mercado como um todo.
A opinião é compartilhada por Andres Hurtado, diretor da companhia para a América Latina. “Empresas como IBM, Microsoft, Oracle e Cisco estão de acordo quanto ao protocolo. Isso dá uma idéia do impacto que ele terá no mercado, em pouco tempo”.
Com a possibilidade de interoperabilidade, os executivos prevêem o surgimento de novos mercados para os fornecedores de storage. “Há bons exemplos nos setores de segurança, entretenimento e distribuição de conteúdo”, diz Figueiredo, que cita como exemplos os últimos projetos desenvolvidos pela NetApp para clientes como Globo.com, Terra e Embratel. (FB)

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