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Storage ganha opções tecnológicas

Custos em queda, tecnologias mais avançadas e maior integração entre as plataformas apontam os novos rumos do mercado de soluções de storage. Muitos CIOs já estão aproveitando essa nova realidade.

Por Computerworld

18 de dezembro de 2003 - 13h20
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Nando Rodrigues

 

Como tudo o que diz respeito à inovação tecnológica, cedo ou tarde as discussões deixam de focar apenas as novidades e se voltam para entender e apoiar o cliente na determinação da melhor alternativa para a solução dos problemas. É nesse momento que entra em pauta a geração de resultados e a necessidade de se aproveitar a infra-estrutura disponível como forma de preservar os recursos já aplicados. Isso porque, na hora de investir, o executivo de TI precisa justificar o projeto com números precisos sobre os ganhos que a empresa irá alcançar, ou pelo menos o quanto irá economizar.

 

“Todo mundo está muito preocupado com o que vai investir e quer saber de quanto será o ROI (return on investment) que se irá alcançar”, diz João Carlos Lopes, gerente de marketing em storage da Hewlett-Packard. Dados da International Data Corporation (IDC) mostram que volume de informações dentro das empresas cresce cerca de 34% ao ano – há fornecedores que estimam esse crescimento em até 60% –, exigindo cada vez mais espaço de armazenamento. Ou seja, a necessidade cresce em uma escala inversa da disponibilidade de recursos financeiros.

 

Os números da IDC mostram, ainda, que existe uma ociosidade média no uso dos discos que fica entre 50% a 60% e de até 40% nas fitas, enquanto a área de TI continua a exigir novos investimentos em hardware. Qual é o problema, então? Bruno Lobo, diretor geral da Veritas do Brasil, dá uma dica. O executivo explica que é comum a empresa ter várias unidades de discos, de marcas diferentes, e não conseguir desfrutar de toda a capacidade instalada. “Se tiver, por exemplo, dois discos de 1 TB (terabyte), é bem provável que a rede não enxergue 2 TB de espaço disponível e sim duas unidades de 1 TB cada, não compartilháveis”.

 

Além disso, completa Lobo, a falta de uma inteligência adequada na engenharia e na administração das informações pode colocar em pé de igualdade dados críticos à operação da empresa e informações de usuários finais como imagens e arquivos MP3, ainda mais quando o storage é resultado da consolidação de servidores, situação muito comum em diversas corporações.

 

A situação ficou tão caótica que o interesse por conhecer melhor a informação de que se dispõe e tratá-las da maneira mais adequada gerou um mercado que, só no ano passado, movimentou no Brasil US$ 112 milhões em soluções de gerenciamento de armazenamento (software), um crescimento de 31% sobre o ano anterior, segundo a IDC. Os fornecedores mais tradicionais do segmento, como EMC, HP, IBM e Hitachi, foram ágeis para se ajustar a esse cenário, mesmo porque não têm a intenção de perder mercado. Primeiro formaram parcerias bilaterais para assegurar a interoperabilidade de plataformas, permitindo atuar em projetos heterogêneos. A padronização foi o passo seguinte, que resultou na criação de uma entidade (Snia.org) que hoje determina as regras do setor.

 

Com isso, alguns diferenciais e também os problemas decorrentes de tecnologias proprietárias caíram por terra, colocando essa categoria de hardware também no rumo da “comoditização”. O que se vê agora é uma corrida acirrada, com pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento, para oferecer sistemas de gerenciamento capazes de trabalhar não só com equipamentos de várias marcas, mas com topologias de storage distintas, como redes SAN (Storage Area Network) e DAS (Direct Attached Storage). Paralelamente, os serviços de consultoria também ganharam espaço.

 

O diretor de tecnologia para América Latina da EMC, Hermann Pais, diz que a inteligência tem que estar presente nos três elementos que formam uma solução de storage: dispositivos (discos e fitas principalmente), servidores e na camada intermediárias, que faz a conectividade de tudo isso. “Estamos saindo de uma situação em que o disco deixa de ser um periférico para se tornar um elemento da rede, assumindo características a ela pertinentes como níveis de serviço, disponibilidade, tempo de resposta, gerenciamento e a relação custo x benefício. E temos que enfrentar a realidade: um fornecer único não pode resolver tudo isso”, frisa.

 

O senso comum dos fornecedores aponta para três categorias de solução. A primeira delas, a SAN, é voltada para um volume grande de dados estruturados (acima de cem gigabytes), com elevada quantidade de acessos e número limitado de usuários. Os servidores de aplicação e os discos são intermediados por um switch, que faz o papel do servidor de arquivos. É a solução recomendada para atender nessa categoria aplicações que exigem alta capacidade, tempo de resposta reduzido e com redundância para evitar interrupções de serviço, como sistemas de gestão (ERP), informações financeiras, entre outras.

 

Em uma escala intermediária composta por informações não estruturadas como arquivos de usuário final, pequenos bancos de dados, arquivos de imagem e áudio, além do correio eletrônico, a solução mais adequada é a Network Attached Storage (NAS), topologia que coloca os discos como dispositivos da rede e não periféricos de um único servidor.

 

No extremo oposto estão as unidades de armazenamento mais estáveis, denominadas Content Addressed Storage (CAS) que, como as unidades de fita tradicionais, se prestam para guardar dados de baixa utilização e retenção por longos períodos, como informações fiscais. As CAS são mais caras que as unidades de fitas, mas utilizam um tipo especial de endereçamento que possibilita uma economia significativa de espaço de armazenamento e no tempo de recuperação da informação. Como se vê, não faltam opções para todos os gostos – e bolsos.

 

Virtualização é alternativa viável

 

A saída mais econômica e que vem guiando os projetos atuais de soluções de storage é a chamada virtualização – técnica que coloca, por meio de software, os dispositivos de armazenamento disponíveis em toda a rede, de qualquer tecnologia, como volumes de unidades virtuais de storage, ampliando a capacidade total para uso das aplicações. Segundo a DataQuest, em 2002, o mercado mundial de aplicações de virtualização movimentou US$ 156 milhões, quase 10% do que se investiu em software de gerenciamento.

 

Bruno Lobo, diretor geral da Veritas do Brasil, comenta que mesmo essa técnica ainda deixa a desejar. Segundo o executivo, a promessa de virtualização oferecida pelos fabricantes de hardware se restringe aos dispositivos da própria marca. “Somos a única empresa que oferece um produto sem vínculo algum com qualquer fabricante”, diz. O diretor da EMC rebate: “Somos agnósticos quanto ao tipo de servidor, sistema operacional, plataforma de conectividade ou tipo de armazenamento”.

 

A virtualização pode seguir dois caminhos. João Carlos Lopes, da HP, explica que uma delas é feita a partir do servidor. Nesse caso, cada máquina vai exigir uma licença de software, o que aumenta o custo da solução. A saída mais em conta é a solução em rede, que exige um hardware intermediário, no caso o switch na rede SAN, para receber uma única versão do virtualizador que irá orquestrar toda a infra-estrutura.

 

E a preocupação com o valor do investimento não deve jamais ser deixada de lado. Francisco Manoel de Oliveira e Silva, responsável pela área técnica da Brocade no país, afirma que o virtualizador precisa ser capaz de destinar o recurso necessário para cada aplicação que roda na rede no momento em que ele é requisitado.

 

Com funções básicas semelhantes e peculiaridades que os tornam mais adequados ou fáceis para a realização de algumas funções, existem no mercado diversas soluções de virtualização que representam o estada da arte do segmento, a maior parte voltadas para ambientes de grandes corporações. Entre elas, destacam-se o HP OpenView Continous Access Storage Appliance (Casa), a IBM TotalStorage Virtualization Family, o Hitachi Freedom Storage e o EMC PowerPath.

|Computerworld - Edição 397 - 05/11/2003|

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