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Negócios

Pequenas e médias são alvo de fabricantes de PCs

Com nova estratégia, companhias obtêm desempenho um pouco melhor nos cinco primeiros meses do ano.

Por Computerworld

22 de junho de 2004 - 10h45
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Genilson Cezar, especial para COMPUTERWORLD


As compras das grandes empresas para renovar o parque de computadores, montado em grande parte em 1999 para atender basicamente as exigências do bug do milênio, e a corrida, ainda, em marcha lenta, das pequenas e médias empresas, o chamado mercado SMB, para chegar ao sagrado mundo da computação, respondem pela recuperação do mercado brasileiro de PCs nos cinco primeiros meses deste ano.
Não há números muito precisos, mas os principais fabricantes de computadores do País – HP, Dell, Itautec e IBM – acreditam no crescimento das vendas ao longo do ano, em torno de 7%, em relação ao volume faturado em 2003, que correspondeu a 3,1 milhões de computadores. “Não é nenhuma explosão de vendas, porém o crescimento deste ano já é bastante expressivo”, diz Cristina Palmaka, vice-presidente do grupo de sistemas pessoais da HP Brasil, que terminou 2003 com a maior participação no mercado brasileiro de PCs.
No que se refere à atualização tecnológica, de acordo com os fabricantes, as empresas usuárias estão hoje mais conscientes em relação ao investimento que fazem e quanto ao retorno que obtêm. “Estamos colhendo agora os resultados da nossa estratégia de mostrar aos clientes o acerto de suas decisões de investir em ferramentas de computação que proporcionam maiores índices de redução de custos”, diz Flávio Haddad, diretor da unidade de PCs da IBM Brasil. Segundo ele, as empresas que investiram nos computadores da empresa, atraídas pelas promessas de melhor custo total de propriedade, são as mesmas que estão procurando hoje renovar o já quase obsoleto parque de máquinas. “A estratégia Think, lançada em 2002, foi uma forma de chegar ao mercado em condições de atrair os clientes, que postergaram seus investimentos em tecnologia da informação, a fazer agora a renovação de sua infra-estrutura de computadores”, diz Haddad.

Marketing e promoções
Mas o principal alvo das estratégias comerciais da indústria de computadores para recuperar o fraco desempenho das vendas registrado nos últimos dois anos é mesmo o mercado das pequenas e médias empresas. Vale tudo para atrair o pequeno comprador. A Dell do Brasil, por exemplo, desfechou uma agressiva companha de marketing e vendas, na última quinzena de maio, para conquistar novas fatias do mercado SMB. Um dos pontos altos da promoção foram os planos de financiamentos de compra de computadores, que variam do pagamento em até seis vezes com juros de CDL, ou uma entrada e mais 11 prestações mensais com juros de 1,99%, ao leasing com uma entrada mais 24 vezes ou opção de uma entrada mais 36 prestações com juros de 1,75%. “A idéia é facilitar ao máximo o crédito para o pequeno empresário e obter vantagens frente aos concorrentes do mercado”, diz Daniel Neiva, gerente de marketing e produto da Dell. A HP Financial Service também  fornece leasing para as pequenas e médias empresas com taxas de mercado, informa Cristina Palmaka.
Embora tímidos, os sinais de recuperação nos primeiros meses do ano não afetam os planos de produção dos fabricantes brasileiros. Ou seja, não há indicações que possa haver problemas com o fornecimento de componentes para a indústria de PCs, como memória, placa-mãe ou monitores. “As vendas estão acontecendo de maneira evolutiva, não é um crescimento inesperado. A Intel adotou uma estratégia para suportar os atuais níveis de produção dos fabricantes brasileiros”, diz Elber Mazaro, gerente de marketing da Intel do Brasil.
Para a Itautec Philco, cuja receita bruta na área de informática chegou a R$ 109,2 milhões no primeiro trimestre do ano, as alianças estratégicas firmadas com fornecedores globais (Intel e ADM, na parte de processadores, Seagate e Samsung, na área de discos rígidos, e Philips e LG, no tocante a monitores), asseguram um grau de proteçãoa mais contra a possível de partes e componentes. “A fábrica instalada no bairro do Tatuapé, em São Paulo, produz hoje de 100 mil a 150 mil computadores, mas está preparada para duplicar a capacidade”, garante Lincon Kanomori, diretor da unidade de micros e mobiles da Itautec Philco.


Notebooks em decolagem

Os notebooks, cujos preços variam de R$ 4,5 mil a R$ 11 mil, estão em alta no mercado brasileiro. Objetos de desejo do usuário de informática, os computadores portáteis se inserem cada vez mais nos ambientes tecnológicos das empresas brasileiras. Em 2003, dos 3,1 milhão de computadores vendidos no País, de acordo com o IDC Brasil, pelo menos 5% foram notebooks. “A nossa expectativa é que a participação dos notebooks nas vendas deste ano seja um pouco maior, em torno de 7 a 8%”, calcula Ricardo Teixeira, responsável pela área comercial de micros e mobiles da Itautec Philco. Segundo ele, os preços ainda estão muito altos, em comparação com os PCs de mesa, mas houve uma queda expressiva dos custos dos equipamentos do ano passado para cá. “Além da diminuição dos custos de produção, os preços dos painéis LCD também caíram e a indústria repassou esses ganhos para o preço do produto final”, diz.
Por si só, a diminuição dos preços dos notebooks não justifica o alto percentual de vendas dos equipamentos realizadas neste ano. “Existe hoje toda uma vontade das empresas de privilegiar a produtividade e maior mobilidade dos funcionários. E isso, junto com as redes sem fio, acabou puxando esse aumento de vendas” diz Cristina Palmaka, vice-presidente do grupo de sistemas pessoais da HP Brasil. Na HP, segundo ela, o notebook foi a única unidade de negócio que não teve decréscimo de vendas em 2003, e continua em alta em 2004. “Essa é uma categoria que está crescendo e justifica a nossa decisão fabricar no Brasil quase 90% do nosso volume de vendas.”
Também para a IBM Brasil, os notebooks crescem a taxas duas vezes maiores que os PCs desktops, o que levou a empresa a decidir pela produção local desses equipamentos, terceirizada com a Solectron, cuja fábrica fica em Jaguariúna, no interior de São Paulo. Dos quatro modelos de notebooks comercializados pela IBM, apenas um é importado. “A velocidade de crescimento desse mercado e o potencial de participação nas vendas totais garantem o acerto de nossa decisão”, diz Flávio Haddad, diretor da unidade de PCs da IBM.

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