Negócios
Investimentos na medida e na hora certa
Soluções de virtualização de armazenamento buscam atender às exigências das corporações para gerenciar plataformas heterogêneas de storage de forma mais eficiente.
Por Genílson Cesar, especial para o COMPUTERWORLD.
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A subutilização dos sofisticados - e caríssimos - ambientes de armazenamento de dados que cresceram nas corporações nos últimos anos não é uma surpresa nos departamentos de tecnologia da informação. Baseados em múltiplas plataformas, de diferentes fornecedores, esses sistemas acabam dando uma trabalheira danada na hora dos CIOs gerenciarem e planejarem as novas necessidades de armazenamento.
Esse problema recorrente tem sido a justificativa de empresas do mundo inteiro para aderirem à nova onda de virtualização dos sistemas de armazenamento de dados que chega ao país. "Uma em cada quatro corporações que possuem grandes volumes de dados considera a virtualização de storage uma das três principais iniciativas para tornar o ambiente de armazenamento mais inteligente", diz Tony Prigmore, analista sênior do Enterprise Strategy Group, empresa de consultoria norte-americana especializada no mercado de TI.
Os fornecedores de soluções de virtualização, como EMC, Hitachi, HP e IBM, concordam com os clientes de Prigmore e acreditam que seus novos produtos precisam ter o objetivo de superar dificuldades de gerenciamento de ambientes heterogêneos de storage e reduzir a escalada de custos. "Proteção do investimento, capacidade de atendimento a novas demandas tecnológicas com relativa simplicidade e baixo envolvimento técnico dos operadores são algumas das vantagens que estão atraindo as corporações", comenta João Carlos Lopes, gerente de marketing da área de storage da HP Brasil.
Não é uma simples questão de marketing. Para os fornecedores, a virtualização é hoje uma decisão estratégica. Há motivações para isso: o volume de dados está em explosão - segundo alguns analistas cresce até 400% ao ano com a utilização de novas aplicações nas áreas de comércio eletrônico, gestão da cadeia de fornecedores e mensagens eletrônicas, entre outros.
Além disso, muitas empresas investiram fábulas de recursos em múltiplas arquiteturas de storage para suportar essa gama variada de aplicações, acessadas em diferentes bases de dados."O desafio é gerenciar esse mundo heterogêneo de armazenamento de dados", avalia João Bonassis, engenheiro de sistemas da EMC Brasil.
É uma exigência dos clientes que a fabricante norte-americana de sistema de storage está procurando atender, agora, com o lançamento do Invista, uma plataforma de virtualização em rede, SAN (Storage Area Network). O sistema integra hardware e software dentro de uma arquitetura inovadora denominada out-of-band, que coloca a inteligência de virtualização na rede de armazenamento - e não dentro dos dispositivos ou arrays - para eliminar impactos sobre a performance do servidor ou da aplicação.
"O Invista permite a criação de volumes virtuais dentro da rede de armazenamento, formando um ambiente dinâmico dentro do qual os recursos físicos podem ser movidos e alterados rapidamente sem interrupção", diz Herman Pais, diretor de tecnologia da EMC.
Mas não é só: além de proporcionar essa migração, cópia e réplica de dados em múltiplos sistemas de armazenamento heterogêneo, o Invista reduz, significativamente, segundo o executivo, o tempo gasto pelos administradores de storage com tarefas de gerenciamento do grande volume de informações.
A EMC tem um projeto em implantação do Invista no HSBC, mas o banco não divulga informações sobre seu andamento. Nos Estados Unidos, um dos usuários é a Kroll Ontrack, subsidiária de serviços de tecnologia da Kroll, que fornece soluções de investigação eletrônica.
O sistema é vital para os clientes da Kroll que dependem de acesso rápido e seguro a documentos e informações relacionados aos seus casos, informa Steve McCaa, arquiteto técnico sênior da empresa. "Além de possibilitar um gerenciamento melhor dos nossos data center, a virtualização de storage baseada em rede também vai garantir que nossos clientes possam acessar suas informações críticas conforme necessário", diz o executivo.
Ao contrário da EMC, a Hitachi Data Systems investiu na arquitetura in-band para virtualização do ambiente de armazenamento multi-fornecedor. A filial brasileira já tem projetos em implantação do seu sistema high-end denominado HDS TagmaStore Universal Plataform, lançado mundialmente no final do ano passado, em pelo menos quatro grandes corporações brasileiras: Banco Central, Banco do Brasil, Bradesco e Embraer.
"É uma solução combinada de hardware e software que traz a virtualização para dentro da controladora de storage, evitando sobrecarga da rede, dos servidores ou dos switches", diz Paulo Castanheira, diretor-geral da HDS no Brasil. "Permite acessar os dados em diferentes equipamentos de storage por um único ponto de contato", completa.
A HP incluiu em seu portfólio pelo menos cinco linhas de soluções - virtualização via software no servidor, interna no disk array, em arquitetura in-band, em rede SAN (Storage Area Network) de alta performance, e através de grid computing. Com uma presença muito forte no segmento high end, a HP investe forte também no segmento das pequenas e médias empresas com a família de sistemas EVA, uma solução de disk array virtual que pode atingir capacidades acima de 8 terabytes.
O sistema faz a virtualização dos discos, ou seja, a agregação das informações, dentro do storage. Impõe facilidades de criar caminhos de acesso aos dados e favorece o crescimento dinâmico dos volumes armazenados sem prejudicar as aplicações, além de implementar o espelhamento remoto.
Um de seus clientes da HP é a Grendene, fabricante brasileira de calçados, com faturamento de 1,5 bilhão de dólares. A empresa adquiriu dois sistemas EVA 5000 para fazer a virtualização dos discos que rodam as aplicações de ERP da Datasul e do banco de dados Progress, de suas três fábricas no país.
Todas as informações estão centralizadas num único ponto, numa única interface web. "Como se trata de uma empresa com alta capacidade de produção - um par de calçados a cada sete segundos - a Grendene não pode parar. Se houver qualquer parada da área de TI, a empresa fica fora do ar em menos de oito horas. E o EVA traz essa garantia de alta disponibilidade; contribui para que a infra-estrutura de TI não permita qualquer interrupção das operações das fábricas", conta Lopes.
No caso da IBM, informa Maurício Afonso da Conceição, gerente de soluções de infra-estrutura, a linha de virtualização da empresa não se prendeu às nomeclaturas in-band ou out-of-band. "Temos dois produtos - o SAN File Systems e o SAN Volume Controller - que trabalham em uma camada entre os servidores de aplicação e a SAN, dentro dos conceitos de virtualização de arquivos e lógica", explica.
Alguns projetos estão sendo desenvolvidos em empresas de grande porte, no mercado financeiro, principalmente, mas os clientes preferem manter sigilo. "Ambos os dispositivos podem reduzir os custos ao mesmo tempo em que elevam o desempenho dos discos atuais", diz Conceição.
Benefícios reais da virtualização
- Gestão centralizada de todo storage
- Melhor acesso de usuários e aplicações
- Redução de custos de treinamento
- Facilidade de administração
- Redução de custos de storage físico
- Eliminação do downtime
- Mais escalabilidade
- Alocação de capacidade sob demanda
Fonte: Veritas
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