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Virtualização e código aberto nos planos da NetApp
Dan Warmenhoven, CEO da NetApp, conta como espera manter sua trajetória de crescimento e quais as estratégias para abocanhar fatias do mercado da EMC.
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Se você pensou que a recente parceria da Network Appliance (NetApp) com a IBM dizia respeito a levar o fornecedor de servidores de storage para dentro do ambiente das grandes corporações, Dan Warmenhoven, CEO da NetApp, quer que você pense de novo. A NetApp já está lá e os clientes corporativos estão ajudando a fomentar seu extraordinário crescimento de vendas.
Como muitas empresas ambiciosas do Vale do Silício, a NetApp foi duramente atingida pelo estouro da bolha pontocom, mas a receita da empresa agora está crescendo cerca de 30% ao ano. Mais conhecida por vender servidores de storage NAS (network attached storage), a empresa está em busca de novas áreas para crescer e tem um concorrente claro em mente: a EMC. Warmenhoven, ele próprio um ex-IBM que dirige a empresa desde 1994, reuniu-se com jornalistas do IDG para discutir o papel de software de virtualização e dos ambientes de código aberto na estratégia da Network Appliance. A seguir, os melhores trechos da entrevista.
IDG - Muitos concorrentes baseiam seus produtos em um sistema operacional de código aberto, mas não é o caso da NetApp. Qual foi o impacto do open source na sua empresa?
Warmenhoven - Foi gigantesco, não como uma ameaça competitiva, mas como uma oportunidade. No mundo dos servidores, código aberto significa, realmente, Linux, e acreditamos que a adoção de computadores estilo Linux e Lintel nos proporciona mais uma dessas oportunidades de mudança no mercado.
Estivemos muito envolvidos no amadurecimento do Linux como tecnologia de servidor. Colaboramos com o desenvolvimento da infra-estrutura Linux/NFS (Network File System) financiando projetos na Universidade de Michigan. Agora temos em nossa folha de pagamento Trond Myklebust, mentor do Linux NFS cliente. Estamos muito envolvidos com a iniciativa de virtualização Xen porque achamos que há uma oportunidade para nós.
IDG - Qual é o plano da NetApp para virtualização? A EMC comprou a VMware e tudo indica que a virtualização será um aspecto muito mais importante do negócio de storage.
Warmenhoven - O que a VMware faz é pegar um servidor maior e dividi-lo em múltiplos servidores pequenos. É isso que realmente fazem bem. Acho que a próxima onda, porém, será pegar múltiplos servidores pequenos e agregá-los em uma única máquina virtual. E, para nós, é aí que está o futuro de blade computing.
Você pode ver a gênese para esse tipo de coisa no IBM Blade Center. Mas a versão genérica real está vindo de empresas estreantes como a Virtual Iron. O que quero fazer é tratar CPUs como uma commodity e poder criar uma capacidade de computação para uma aplicação específica que seja verdadeiramente flexível. Se a aplicação só roda durante duas horas todo dia, quero poder utilizá-la quando ela roda e quero poder utilizá-la em outra coisa quando terminar.
IDG - Quanto à EMC, está muito claro que VMware será a tecnologia capacitadora para isso. Como você vai atingir este objetivo na NetApp?
Warmenhoven - Com soluções de código aberto e parcerias. Não tenho que possuir algo para capitalizar sobre algo. A aquisição da Legato pela EMC foi uma excelente demonstração disso. Eles compraram 10% de market share. Minha visão é de que facilitou a possibilidade de fazermos parceria com os outros 90%.
Na véspera do anúncio, a Veritas tinha uma parceria estreita com a Network Appliance, mas também estava bem próxima da EMC, e tiveram que manter um equilíbrio. Se bancassem os favoritos, poderiam acabar tendo um problema de mercado. Logo após o anúncio da compra da Legato pela EMC, nossa relação com a Veritas passou de boa a ótima. Não houve mais ambigüidade em relação a quem era o parceiro certo.
IDG - Você está achando, então, que a tecnologia de virtualização acabará fazendo parte do sistema operacional?
Warmenhoven - Na realidade, estou achando que VMware não será líder de mercado na próxima geração.
IDG - Outra empresa com quem você desenvolveu laços mais estreitos foi a IBM, que agora está vendendo produtos da NetApp. O negócio com a IBM tratava de levar a NetApp para contas maiores?
Warmenhoven - Não. Foi uma cobertura geográfica e envolveu outros verticais que nunca havíamos enfocado. A IBM está focada no setor público em governos estaduais e municipais. Somos grandes na esfera federal, mas não fizemos nada nas áreas estadual e municipal. A IBM é realmente grande em serviços de saúde. Nunca tentamos atacar os serviços de saúde. Varejo também. Nunca enfocamos o varejo. A IBM é muito forte no varejo. Também tem a ver com alcance do mercado, no sentido de que eles atuam em muitos países onde não estamos.
Não tenho presença no leste europeu. Tenho dois funcionários em Moscou. Acho que eles são os únicos do leste europeu. A IBM tem muitos negócios lá. Na América do Sul, temos uma equipe de um tamanho muito bom no Brasil, mas, fora disso, não temos cobertura.
Esta percepção de que precisamos deles para entrar na corporação não poderia estar mais longe da verdade. É o mesmo que dizer que precisamos deles para ajudar nosso balanço patrimonial ou algo assim.
Analise os fatos. Conseguimos entrar em contas importantes em grande estilo. Minha conta maior no ano passado foi o Citigroup. Vamos situar. No ano passado, nossa receita foi de cerca de US$ 1,6 bilhão. Qual você acha que é a receita da IBM na minha empresa neste ano? Talvez eu devesse fazer uma projeção. Acho que estamos liderando o mundo para um crescimento ano a ano de 30%, aproximadamente, portanto, no ano que vem nossa receita será de US$ 2,1 bilhões. Qual você acha que é a receita da IBM nesta projeção? Quão rápido eles podem crescer? Eu ficaria surpreso se fosse mais de US$ 100 milhões. Ficaria pasmo. Quando a IBM contribuir com algo, estaremos a caminho de US$ 4 bilhões. Então, não é uma questão de "dependo da estratégia da IBM".
IDG - Vocês já usaram o processador Alpha, mas mudaram para Intel. O que acha da recente mudança da Apple para Intel?
Warmenhoven - Sempre me perguntei por que eles tinham optado pelo PowerPC. O PowerPC não é um microprocessador ruim, mas carrega um custo. Eles poderiam obter melhor preço/performance com Intel por causa do volume. Ou afeta suas margens ou afeta seus preços, e a Apple sempre tem um preço superior. Eu pergunto: "Por que vocês insistem nisso?"
IDG - A resposta simples é que eles tinham uma maneira de se diferenciar das máquinas Intel.
Warmenhoven - Rapaz, alguém tem de me ajudar com esta explicação. Já escutei isso antes e digo: "Puxa, esta é a explicação mais superficial que jamais ouvi". Vejamos... o chip na placa-mãe determina quais são as características externas? Você tem que me ajudar aqui. Simplesmente não consigo entender.
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