Negócios
Na trilha da consolidação
Em intenso processo de fusões e aquisições, os fornecedores de sistemas de storage se preparam para disputar um mercado que exige soluções melhores a um custo menor.
Por COMPUTERWORLD
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O movimento de fusões e aquisições de companhias no mercado de armazenamento está deslocando o embate que se trava em torno desse milionário negócio para um campo substancialmente mais promissor que a simples venda de produtos. Trata-se da oferta de soluções que integrem cada vez mais as variadas plataformas de armazenamento de dados, de servidores, software e serviços. O objetivo: extrair mais valor da informação com menor custo total de investimento, dentro dos novos conceitos de ILM-Information Lifecycle Management, ou gerenciamento do ciclo de vida da informação.
Os caminhos trilhados pelos fornecedores levam a um cenário ainda não de todo definido. As fusões realizadas nos Estados Unidos dependem de aprovação governamental e as novas estratégias demoram a se concretizar. Mas os preparativos das empresas para compor uma nova imagem no mercado estão se acelerando. "Com a aquisição da StorageTek pela Sun Microsystems, nossa percepção é que, no mínimo, vamos expandir o nosso canal de vendas junto ao segmento de clientes high end", avalia Paulo Castanheira, diretor-geral da Hitachi Data Systems no Brasil.
No caso da compra da Veritas pela Symantec, efetivada em janeiro, havia o temor, segundo ele, de que alterações internas pudessem afetar a ação da HDS na área de soluções corporativas. "Nada mudou até agora e seguimos mantendo nossa parceria em negócios, pois temos soluções complementares e não conflitantes", diz Castanheira.
As representações brasileiras da StorageTek e da Sun continuam operando normalmente, como duas empresas independentes e parceiras, até que a fusão se concretize. A StorageTek acredita que, com a incorporação, vai passar a atuar principalmente em projetos que envolvem a venda de armazenamento e servidores.
A empresa admite que a fusão com a Sun abre um canal de expansão aos negócios da Hitachi, fabricante de sistemas de armazenamento de dados para o segmento high end. "Nosso foco nunca foi brigar com a EMC ou com a Hitachi no segmento de grande porte de storage. Por isso, nossa fusão com a Sun, parceira da Hitachi em OEM, certamente vai contribuir para aumentar os volumes de venda de sistemas da fabricante japonesa", analisa Márcio Venzi, executivos de novos negócios da StorageTek.
A estratégia da EMC também segue o caminho da convergência de sistemas de processamento e de armazenamento de dados (leia quadro ao lado). "Nosso objetivo é evoluir em outras direções, incluindo servidores, redes, software e serviços, e não apenas hardware de storage", diz Herman Pais, diretor de tecnologia da filial brasileira. O plano se apóia numa série de aquisições realizadas nos últimos 18 meses - compra da Legato, Documentum, Dantz e Smarts. Os efeitos dessa política não são infrutíferos. Em 2004, a EMC teve uma receita líquida global de 8,2 bilhões de dólares e a expectativa é de manter a taxa de crescimento anual em torno de 30%.
A EMC não divulga informações de faturamento no país, mas indica que as taxas de crescimento têm sido superiores às do mercado de TI como um todo. Um grande fator para esse sucesso, de acordo com Paulo Cunha, gerente geral da EMC no Brasil, são as parcerias e as investidas no mercado SMB (small e medium business). "Com as novas alianças e aquisições, mostramos aos clientes que a EMC não é só uma empresa de armazenamento de dados", diz Cunha.
Por enquanto, a NetApp, fabricante de soluções avançadas para redes de armazenamento de dados, não faz parte de qualquer relação de prováveis candidatos à consolidação, informa Mauro Figueiredo, diretor-geral da subsidiária brasileira. "Pode até haver novas fusões no mercado de storage, mas a NetApp não está à venda", diz Figueiredo. Ao contrário. A estratégia da empresa, que faturou 1,7 bilhão de dólares no ano fiscal que terminou em abril, segundo o executivo, é de investir para adquirir empresas que agreguem valor às suas soluções.
Há pouco mais de um ano, a NetApp comprou a Spinaker, fornecedora de soluções para diagnóstico de storage para networking computer, e em meados de junho comprou a Decru, fabricante de software para encriptação de dados, por aproximadamente 272 milhões de dólares em dinheiro e ações. No Brasil, a empresa conta com uma base de 150 clientes e 450 sistemas de storage instalados. "Neste ano, devemos crescer acima de 60% em receita; atuamos num mercado emergente, onde tudo ainda está por fazer", afirma.
O futuro na visão da EMC
Joe Tucci, chief executive officer (CEO) da EMC, acredita que virtualização de storage, gerenciamento de dados e metadados serão os principais motores de investimentos na indústria de armazenamento de dados daqui para a frente. "Hoje, praticamente sabemos apenas armazenar muito bem os dados, mas ainda existe muito desenvolvimento a ser feito para dar real inteligência às soluções", diz o executivo.
Com cerca de 1 bilhão de dólares de investimentos dedicados à pesquisa e desenvolvimento, Tucci acredita ainda que os principais desafios da empresa são alavancar as vendas fora dos Estados Unidos, país que representa hoje quase 60% do faturamento da companhia. Além de investir no desenvolvimento de novas tecnologias para oferecer ferramentas de gerenciamento e virtualização de dados, a empresa vem apostando pesado na aquisição de novas ferramentas ou companhias. Há pouco mais de um ano, a empresa comprou a VMWare por cerca de 500 milhões de dólares e hoje domina o mercado de virtualização em servidores Intel, de acordo com a consultoria Gartner.
"Neste momento, estamos atuando como compradores e ainda enxergamos muitas boas oportunidades de aquisição no mercado. Mas se alguém nos fizer uma excelente proposta não vamos descartá-la sem conversas", afirma Tucci. O executivo acrescentou que, no momento, não perde tempo pensando nisso, até porque sabe que o valor de mercado da empresa atualmente é alto para qualquer comprador: 35 bilhões de dólares. (SP)
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