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Estudo destaca pontos fortes do Brasil

Pesquisa internacional patrocinada pela Microsoft revela onde estão os destaques dos desenvolvedores nacionais e quais diretrizes governamentais deveriam ser tomadas para incentivar exportação.

Por Genilson Cezar, especial para o COMPUTERWORLD

17 de agosto de 2005 - 10h56
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Quais as capacidades do Brasil no mercado internacional de software? Como criar parâmetros para que o País possa aumentar sua competitividade frente a eventuais competidores e quais políticas públicas devem ser adotadas para fortalecer as companhias nacionais nessa acirrada disputa do global sourcing?

Não há respostas prontas, mas uma pesquisa realizada há pouco tempo pela consultoria francesa Ipsos Opinion em nove países (Brasil, Egito, Estônia, Hungria, Indonésia, Coréia do Sul, Malásia, Filipinas e Espanha), oferece algumas pistas.

Pelo levantamento, desenvolvimento e programação de softwares altamente customizados e desenvolvimento e programação de softwares complexos e de grande performance são vantagens uniques (oportunidades singulares numa tradução livre do termo) das empresas brasileiras.

"O Brasil não só tem capacidade analítica de absorver tecnologias, como também tem condições de desenvolver sistemas inovadores, para negócios específicos. Isso é uma vantagem competitiva internacional frente aos outros países", observa Paulo Cunha, diretor da Microsoft, empresa que patrocinou a pesquisa da Ipsos.

Denominado "The Industry, Its Primary Challenges and Perceived Trends: a survey of 9 countries with IT Professionals" (A indústria, seus principais desafios e tendências: uma pesquisa com profissionais de TI de nove países), o estudo focou esforços em locais que tinham uma relação equilibrada entre fornecimento de serviços e consumo de TI.

Não foram incluídos, certamente, os países mais exportadores de software como os Estados Unidos, que têm alto poder de consumo e de exportação de software, ou mesmo a Índia, que é a grande estrela das exportações mundiais de serviços de software - mas tem baixa demanda interna.

Pelo menos no caso brasileiro, a intenção era mostrar quais os caminhos para criar um ambiente favorável no País visando a instalar uma linha de produção voltada para o outsourcing global. No momento, indica Cunha, os maiores contratos de terceirização de software e serviços estão com as empresas internacionais, como EDS, IBM ou Accenture, que também competem globalmente. "Mas é preciso olhar onde o Brasil vai estar nos próximos anos", indica ele.

Seguramente, como um fornecedor de software para grandes arquiteturas, acredita o diretor da Microsoft. O SPB - Sistema de Pagamentos Brasileiro, o Imposto de Renda e o internet banking são algumas demonstrações do potencial dos desenvolvedores nacionais de criar aplicações end-to-end.

O software brasileiro mais exportado, informa Cunha, é o Siaf - Sistemas Integrados de Acompanhamento Financeiro, do governo federal. Trata-se de uma arquitetura monstruosa, que gerencia o equivalente a mais de 300 contas correntes por metro quadrado em Brasília - a partir de um único ponto de monitoramento, de forma integrada.

Além da facilidade de integração no conceito de web services, outra grande vantagem brasileira, segundo Cunha, é a entrega do código. Para o cliente nacional, o código é um fator fundamental, um objeto do negócio. Primeiro, porque tem segredos que só competem ao cliente, o que pode ser um fator de competitividade. Segundo, porque enfatiza a independência de manutenção. "É a propriedade intelectual colocada na venda do código", diz o executivo.

A Microsoft não pretende tirar conclusões definitivas a partir da pesquisa, mas pretende negociar com representantes do governo formas que ampliem a colaboração dos empresários para definição de uma política nacional em relação ao software, principalmente nesse momento de discussões acaloradas em torno da adoção ou não do software livre como orientação governamental.

O estudo é claro: na média, 75% dos entrevistados - fornecedores e clientes - utilizam a plataforma comercial da Microsoft. "A média mundial é muito baixa no open source", discursa Cunha.

Isso é importante do ponto de vista de definição de políticas indutoras para criar uma plataforma de exportação de software no país, avalia o executivo. "O governo tem todo o direito de decidir se quer ir ou não para o software livre. Mas não pode criar distorções, precisa vislumbrar para onde o mundo caminha para depois não ter dificuldades no futuro", afirma. Não só isso: "O governo precisa desonerar parte da cadeia tributária e aumentar a demanda do País", reclama.

A Microsoft, por isso mesmo, faz sua parte. A empresa se movimenta para reforçar a atuação junto aos desenvolvedores nacionais por meio de várias formas de incentivo. Uma das iniciativas foi a criação de uma intranet para atender ao ecossistema dos parceiros - 860 mil no mundo inteiro, cerca de 15 mil no Brasil -, que funciona como apoio à venda de produtos, de um país para outro.

Derivado desse trabalho nasceu, há quatro meses, um portal de soluções com duas vertentes - de empresas, hoje em torno de 1,3 mil desenvolvedores nacionais, e soluções, algo em torno de 750 aplicações. Além disso, a Microsoft resolveu facilitar o acesso de seus parceiros aos seus produtos, a um preço extremamente simbólico, "para que as empresas possam cobrir os seus custos", segundo Marcos Pinedo, diretor de desenvolvimento da filial brasileira.

A multinacional não valida os produtos nacionais no mercado internacional. No entanto, conforme Pinedo, procura ajudar as empresas na tarefa de certificação. Primeiro, montou uma infra-estrutura com 12 centros de tecnologia XML em vários pontos do País, com investimentos da ordem de 50 milhões de reais, para certificação de profissionais na tecnologia. Pelo menos 250 empresas já conseguiram a certificação para seus aplicativos e o número de profissionais treinados alcança hoje a casa de 18 mil pessoas.

Junto com a ISD Brasil, a Microsoft lançou ainda um programa do mais alto grau de certificação CMM (Capability Maturity Model), com o objetivo de baixar os custos das empresas com esse tipo de qualificação. Afinal, uma certificação CMM, atualmente, não sai por menos de 250 mil reais e demora 45 meses. Com o programa Microsoft/ISD, os custos caem para menos de 60% e o tempo fica em 30 meses. A iniciativa conta com aporte de recursos da Finep e está sendo exportado para Argentina e México, indica Pinedo.

Para alguns, no entanto, isso é pouco. Segundo Djalma Petit, coordenador geral do Softex, as multinacionais que desenvolvem software estão entrando tardiamente neste processo. "Esse trabalho de fortalecimento do software nacional precisaria ter sido complementado pelas multinacionais com mais freqüência, com muito mais apoio", defende.

As 10 principais cidades para operação de serviços de TI
Por custos                  Por qualidade mão-de-obra
1. Nova Délhi            1. Manilha
2. Manilha                 2. São Paulo
3. Madras                 3. Cidade do México
4. Bangalore             4. Buenos Aires
5. Buenos Aires        5. Nova Délhi
6. Tianjin, China        6. Praga
7. São Paulo            7. Kuala Lumpur
8. Dalian, China        8. Xangai
9. Bangcoc               9. Bangcoc
10. Xangai              10. Bangalore
Fonte: Jones Lang LaSalle, 2005

Opinião do Leitor
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