Negócios
Salesforce.com: compra da Siebel é o fim do software
Mark Benioff,presidente da Salesforce.com - concorrente da ex-Siebel - proclama na abertura da sua conferência anual com usuários que a estratégia da oracle representa, enfim, uma nova etapa para indústria de software.
Por COMPUTERWORLD
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Na abertura da conferência Dreamforce, realizada pela Salesforce.com, em São Francisco, - que passou quase despercebida pelo mercado atento à notícia de compra da Siebel pela Oracle -, o CEO da empresa Mark Benioff, parecia animado com a notícia.
"Este é verdadeiramente o fim do software", afirmou ele no começo de sua apresentação repetindo um slogam que tem sido utilizado para definir a estratégia de serviço de CRM hospedado da Salesforce.com.
"Quando eu estava na Oracle, assistíamos a Computer Associates comprar aquelas empresas de software de mainframe e absorver a receita de suas licenças. Eu nunca pensei que a Oracle fosse fazer isso um dia. E aqui está", afirmou diante de uma audiência de 3 mil clientes e parceiros.
Embora seus 300 mil usuários formem um grupo pequeno frente a base de 3 milhões da Siebel, a Salesforce.com está muito perto de passar a concorrente em vendas trimestrais. Seu modelo de software hospedado tem tido sucesso no midlemarket e começou a conquistar o mercado de grandes companhias.
Análise
O analista da Forrester Research, Ray Wang, vê a compra como outro indício de que o mercado de aplicações high end, onde a Siebel fez fortuna, foi reduzido a quase zero. "A razão da disputa no midlemarket é porque nada restou do Global 2000", apontou, referindo-se à lista das maiores empresas do mundo ranqueadas pela Forbes.
"Eu acho que o mercado de pacote de aplicações como conhecemos hoje continua em grandes problemas", afirma Wang. O que deixa numa posição de exclusividade a Salesforce.com, pioneira na abordagem de novas aplicações que balançaram o mercado tanto quanto a abordagem da Siebel dez anos atrás. Ainda que esta posição seja potencialmente precária.
"A Salesforce.com ainda deve seguir no jogo nos próximos cinco anos. A questão é: eles ainda serão independentes?", disse o diretor de pesquisas da AMR Research Bruce Richardson.
É longa a lista de fornecedores interessados em adquirir a Salesforce.com. A SAP batalha para expandir-se no mercado de pequenas e médias empresas.
A Microsoft luta para desenvolver uma estratégia sob demanda. Richardson acredita que a Intuit seria um complemento ideal para a Salesforce.com - sua aplicação de contabilidade faria uma combinação poderosa com os softwares de vendas da Salesforce.com, defende.
Benioff, entretanto, é taxativo: o destino da Salesforce é remodelar a indústria nos seus termos. "Se a Oracle ou a SAP nos contatasse, os membros diretivos cumpririam seu dever e considerariam a oferta." Mas o CEO acredita que é pouco provável. "Eles não vão fazer isso. Somos empresas muito diferentes", acredita.
Os analistas de mercado não estão tão certos de que a Salesforce.com ficará de fora da fase de consolidações. "É o tipo da coisa que não está somente na mão deles", argumenta David Bradshaw, analista da Ovum, lembrando o caso da PeopleSoft.
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