Negócios
Nós fazemos consultoria, sim!
A PricewaterhouseCoopers continua a vender serviços de consultoria mesmo com a aquisição de uma de suas divisões pela IBM, em 2002.
Por Fernanda K. Ângelo, do COMPUTERWORLD
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Enganam-se os que pensam que a PricewaterhouseCoopers deixou de prestar serviços de consultoria em 2002, quando vendeu uma de suas unidades de negócio para a IBM. É verdade que na ocasião a Big Blue desembolsou aproximadamente 3,5 bilhões de dólares para a aquisição da PWC Consulting, atualmente conhecida como IBM Business Consulting Services.
O que muitos desconhecem, no entanto, é que o contrato assinado entre as partes não impediu a PWC de continuar oferecendo consultoria ao mercado. "Por cinco anos [a contar da data do negócio], nós não podemos vender consultoria em implementação de ERP", esclarece Otávio Maia, líder de consultoria da PWC Brasil. "Nesse período, também não podemos pegar projetos de empresas com faturamento acima de 300 milhões de dólares ao ano", completa. Os demais serviços de consultoria estão liberados, de acordo com o executivo.
A questão é que a demanda por esses serviços nunca parou, e a PWC continuou atendendo a ela. Até que cerca de um ano atrás precisou reorganizar as suas operações. Maia conta que em 2002, quando a PWC Consulting foi comprada pela IBM, 70% da receita da empresa no Brasil eram oriundos de serviços de auditoria, 20% provinham de consultoria tributária e os 10% restantes eram gerados por outros serviços. "As operações de consultoria estavam espalhadas por todas as áreas da companhia", lembra.
Hoje, a nova estrutura da companhia inclui uma área de auditoria, uma de consultoria tributária e um terceiro grupo, chamado Advisory. Este último é, na realidade, um guarda-chuva de consultoria, sob o qual as operações são separadas em três áreas: Deals - divisão de apoio a transações e administração de crises e renegociação de dívidas, entre outras -, Outsourcing e Performance Improvement, cujo foco é a melhoria de processos.
"A divisão de melhoria de processos é a que tem mais cara de consultoria de fato", revela Maia. Ele explica que o grupo inclui serviços de apoio a TI -segurança, custos, gerenciamento de identidades, governança, entre outras práticas -, consultoria financeira - revisão de processos, suporte à gestão de riscos e gerenciamento de crédito -, consultoria operacional e GRC (Governance Risc Compliance).
Mesmo com toda a reestruturação em curso, Maia revela que a PWC Brasil cresceu significativamente durante o último ano (veja box sobre os 90 anos da companhia no Brasil abaixo). "De um ano para cá, a área de Advisory cresceu 75%", comemora o executivo, acrescentando que a divisão responde atualmente por 34% da receita das operações locais da empresa. As áreas de auditoria e consultoria fiscal representam 40% e 26% do faturamento da PWC Brasil, respectivamente.
Além da fatia representativa do faturamento total da companhia, prova da força da área de Advisory é a quantidade de profissionais que compõem a equipe: 830, entre funcionários e colaboradores. Destes, 380 foram contratados nos últimos 12 meses, de acordo com Maia.
Ainda sobre o contrato firmado com a IBM na ocasião da compra da PWC Consulting, Maia lembra que uma outra cláusula do contrato proibia a companhia de recontratar, durante três anos, qualquer um dos cerca de 30 mil funcionários transferidos para a divisão de consultoria na IBM. O prazo vence no próximo dia 1º de outubro. Embora afirme que não sairá recrutando profissionais dentro da IBM, a empresa deve avaliar a contratação de especialistas no mercado. "Não vamos tirar ninguém de lá, mas se algum profissional quiser vir, será avaliada a possibilidade", assegura Maia, ao sugerir que já haveria interessados na transferência.
Por outro lado, o executivo faz questão de deixar claro que a PWC Brasil não voltará a atuar na arena de consultoria de implementações de ERP. Isso poderia acontecer a partir de outubro de 2007, mas Maia garante que "não voltará a prestar esse tipo de serviço nunca".
(Colaborou Alexandre Scaglia)
Saudável, aos 90 anos
"Melhor ano em rentabilidade na história da PricewaterhouseCoopers Brasil". Foi assim que Otávio Maia, líder de consultoria da PWC Brasil, classificou o ano em que a empresa completa nove décadas de atividades no País. Com a reestruturação de suas áreas de atividades, a companhia viu sua receita subir cerca de 25%, chegando a aproximadamente 150 milhões de dólares, entre os anos fiscais de 2004 e 2005, encerrado no último mês de junho.
Em seu 90º aniversário, a subsidiária brasileira da PWC comemora o sucesso da nova divisão de Advisory, que representou 34% do faturamento de 2005, e deve dobrar sua receita no prazo de cinco anos. Segundo Maia, a área tem 55% do mercado de Advisory da PWC na América Latina. O sucesso é tamanho que a divisão, aproveitando-se do domínio do idioma português, vem viabilizando processos de obras públicas junto à unidade da Price em Portugal, que carece de especialistas.
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