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Negócios

ERP escandinavo olha para o mercado global

Com perfil diferente da rival SAP, a sueca IFS recupera-se e aposta em alta especialização para atender mercados verticais e empresas de médio porte, seu principal mercado.

Por *Luciana Coen

06 de outubro de 2005 - 15h11
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Em evento para exatamente 1351 participantes, representando 31 países e 314 empresas, a desenvolvedora de software sueca IFS anunciou algumas funcionalidades da nova versão de seu sistema (7), que estará no mercado em abril de 2006. Além disso, mostrou vontade de crescer e tornar-se, de fato, uma companhia global, mantendo seu principal mercado: o de companhias de médio porte.

Entre as principais novidades do sistema estão melhorias no controle da cadeia de suprimentos, suporte a operações globais do cliente, call center e controle de custos de fábricas. "Embora tenhamos soluções para empresas globais, sabemos atender ao mercado de médio porte", ressaltou Michael Hallén, presidente e CEO da IFS. De acordo com Jan Moodh, gerente de área para mercados emergentes da IFS, cerca de 70% do faturamento da empresa é proveniente de clientes de médio porte, 20% vem de grandes empresas e 10% de pequenas empresas.

A IFS é, essencialmente, uma empresa que sabe lidar com mercado de médio porte. Seu cartão de visitas é o sistema de gestão para companhias da área de defesa, filão que começa a ser explorado no Brasil, especialmente na área de aviação civil. Embora seja a maior empresa de software da Suécia, seu faturamento gira em torno dos 500 milhões de dólares, menos de 10% de sua maior rival, a líder SAP.

Estrutura componentizada

A aposta em uma estrutura componentizada de seus aplicativos é uma das grandes forças da empresa. Os usuários podem fazer a migração de módulo em módulo, sem precisar mudar os processos da companhia em apenas um fim de semana. A grande vantagem disso para a IFS é que ela se mantém durante meses dentro de um cliente que já tenha outra solução. E, durante este período, tem enorme oportunidade de conquistá-lo.

E é desta forma que ela continua avançando no mercado de médias e grandes empresas, menina dos olhos da gigante SAP. "Eles (SAP) são concorrentes muito maiores que nós, mas têm várias linhas de produtos e precisam de um tempo para integrar todas elas", aposta Jan Moodh, gerente de área para mercados emergentes da IFS, em entrevista ao COMPUTERWORLD.

Outra estratégia no combate à concorrência, de acordo com Moodh, é a alta especialização em determinadas verticais, como já é o caso em Defesa (que inclui aviação comercial), área em que estão crescendo.

Em relação à Oracle, Moodh afirma que Larry Allison poderia comprar a IFS -"teria dinheiro para isso". No entanto, a relação entre as duas empresas é delicada. A IFS só desenvolve seus produtos para bancos de dados Oracle. É, portanto, um importantíssimo parceiro da Oracle, enquanto mantiver esta estratégia. Por outro lado, concorre com a Oracle quando se fala em sistemas ERP, podendo perfeitamente tirar clientes de Allison - se é que já não está fazendo isto.

A relação torna-se mais delicada ainda quando executivos da IFS contam que, quando a empresa decidiu desenvolver apenas para banco de dados Oracle, em 1983, a Oracle também decidiu estabelecer um escritório na Suécia. E as duas empresas trabalharam muito próximas na Escandinávia durante muitos anos.

Outro ponto a ser levado em consideração para esta análise é que as aquisições feitas pela Oracle até agora estiveram ligadas diretamente a aumento de base de clientes. E uma aquisição da IFS só poderia ter por objetivo os produtos. A respeito de outros concorrentes, Moodh considera a Microsoft um rival mais perigoso do que a SSA Global, empresa norte-americana de ERP que está em terceiro lugar no ranking mundial. "A Microsoft é grande e pode desenvolver rapidamente", acredita.

Antes de pensar em aquisições - a maneira mais natural de conseguir aumentar sua base instalada -, a estratégia da IFS é terminar o ano com saldo positivo. Enfrentando a crise do mercado de TI, a empresa cresceu, em 2004, cerca de 6%.

De acordo com Michael Hallén, presidente e CEO da IFS, os últimos três trimestres foram lucrativos. Jan Moodh, gerente de área para mercados emergentes, arrisca: "nosso crescimento em 2005 deve ser aproximadamente o mesmo, 6%".

Offshore

Para criação da nova versão foram investidas mais de 600 mil horas. Aproximadamente 65% do software foi desenvolvido no Sri Lanka e 35% foi desenvolvido entre Europa e Estados Unidos. O custo de desenvolvimento no Sri Lanka, no entanto, foi de 14%, contra 86% do custo total entre Europa e Estados Unidos. " É exatamente por este motivo que estamos abrindo um novo escritório de desenvolvimento em Delhi, na Índia, e analisando outras regiões", afirma Hallén.

Um dos principais centros de desenvolvimento de software da IFS fica no Sri Lanka, onde estão mais de 400 técnicos. "Um dos pontos que nos atraiu para lá, além do alto nível técnico, foi o idioma. Universitários falam inglês fluentemente", explica Jan Moodh, gerente de área para mercados emergentes da IFS. Segundo Moodh, a fluência em inglês é um dos motivos pelos quais a IFS prefere ainda não pensar no Brasil como alternativa para fábrica de software ou offshoring de desenvolvimento.

"Outro motivo é a valorização do real, o que tem tornado o País mais caro em termos de mão-de-obra", complementa o executivo. Ainda assim, em longo prazo, o Brasil, que hoje fatura com sua subsidiária cerca de 25 milhões de reais ao ano, continua na lista da IFS como possibilidade de investimento para desenvolvimento de software. Países como Romênia, China, Indonésia e Uruguai também são alternativas.

Durante o evento, Michael Hallén, presidente e CEO da companhia, anunciou a aquisicão dos 10% restantes de ações da Escosoft Technologies. Até hoje, a empresa operava naquele país como distribuidora, ainda que 90% de ações já pertencessem à IFS. Desde o dia 19, a IFS passa a ter uma subsidiária na Índia.

Atualmente, a receita da IFS proveniente de mercados emergentes (Ásia/Pacifico e América Latina) representa cerca de 10% do faturamento total. Aproximadamente 70% do faturamento da IFS vêm da Europa e alguns países da África, enquanto 20% vêm dos Estados Unidos.
De acordo com pesquisa feita pelo Gartner, deverá haver um crescimento de 12% de faturamento de vendas de licenças de ERP na Índia até 2008. Este mesmo crescimento deve girar em torno de 8% na região (incluindo Japão, China e Sri Lanka).

A subsidiária brasileira da IFS faturou, em 2004 cerca de 25 milhões de reais. O crescimento foi de cerca de 13%, de acordo com Lávio Falcão, presidente e CEO para região da América Latina da IFS. A IFS no Brasil tem aproximadamente 120 clientes em sua carteira.

A IFS trabalha com foco nas indústrias: automotiva, aeroespacial e defesa (incluindo aviação comercial), energia e utilities, high-tech (equipamentos eletrônicos e médicos), manufatura industrial, indústria de processos (química, bebidas e alimentos, e celulose e papel) e serviços (incluindo área de engenharia e construção).

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