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Negócios

Indústria de PCs terá uma reviravolta até 2009

De acordo com o Gartner, produtos muito semelhantes, baixas margens e grande número de fornecedores representam os grandes desafios da indústria.

Por COMPUTERWORLD

07 de novembro de 2005 - 17h31
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Produtos muito semelhantes, baixas margens e grande número de fornecedores farão com que a indústria de computadores pessoais passe por uma verdadeira reviravolta nos próximos meses e até anos. Essa é a análise do Gartner, ao apontar que as disputas entre os fabricantes têm resultado em uma verdadeira corrida pela redução nos preços dos produtos.

Ao mesmo tempo, segundo o estudo, a introdução de tecnologias mais modernas vão representar riscos para os fabricantes de PCs, à medida em que precisarão tomar decisões agressivas de investimentos.

Analistas prevêem que o crescimento anual nas vendas de PCs ficará na média de oito por cento entre 2006 e 2009, mas as receitas permanecerão apertadas, levando muitos fabricantes a lutar pela sobrevivência. O crescimento nos mercados emergentes e a adoção da mobilidade nos PCs, no entanto, serão os principais guias para o sucesso no período.

"A brecha crescente entre os níveis realistas de rentabilidade e expectativas dos acionistas vão intensificar a pressão nos fabricantes de PCs nos Estados Unidos, Japão e Europa, abrindo o mercado para os vendedores nos mercados emergentes, que têm custos de trabalho menores e objetivos mais modestos de ganhos", aponta Brian Gammage, vice-presidente do Gartner.

Muitos grandes fornecedores de PCs, segundo o analista, têm gerado margens operacionais próximas de zero desde 2001. Existe uma grande dificuldade, de acordo com o Gartner, em gerar atrativos extras além do preço para seus equipamentos.

"A pergunta crucial para a indústria é quando e quão rapidamente essas mudanças vão ocorrer. Inicialmente as mudanças serão graduais, mas é mais provável ver uma rápida aceleração à medida que a indústria busque volume para margens", sinaliza o executivo. Na conclusão do Gartner, embora as mudanças no mercado resultem em uma indústria mais saudável, este será um período desafiador para o ajuste dos próprios fornecedores e dos usuários.

Cenário nacional

De acordo com a Hugo Valério, diretor de Informática da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o mercado brasileiro já atravessa turbulências há bastante tempo.

"As margens sempre foram pequenas e a queda de preços é uma constante nas nossas vidas. Além disso, o Brasil tem um fator de agravamento, que é o mercado cinza, que vende equipamentos a preços muito baixos", aponta.

Na avaliação de Valério, uma tendência para esses próximos anos não está somente em os fabricantes enfrentarem maior concorrência, maior pressão negativa por preços ou a entrada da China como forte mercado em PCs, mas sim sobreviverem a novas tendências de computadores.

"O mercado está recebendo alguns aparelhos novos, mais leves e diferentes. Talvez a concepção do PC tenha alguma alteração nos próximos anos e os fabricantes precisarão se adaptar a isso. No entanto, quem vai julgar se isso vai vingar ou não é o próprio mercado. O mercado é o senhor que vai determinar quais os formatos e as configurações", diz.

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