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Negócios

Teórico prega abertura de ecossistema de TI

Em visita ao Brasil, Jeff Kaplan, estudioso da Universidade de Harvard, detalha guia de melhores práticas para a interoperabilidade entre sistemas públicos de TI

Por Fernanda K. Ângelo, do COMPUTERWORLD

24 de novembro de 2005 - 15h48
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Desde fevereiro deste ano, cerca de 25 representantes de órgãos públicos, indústria de TI e organizações internacionais de 13 países, incluindo o governo brasileiro, trabalham na criação de um guia de melhores práticas para aquilo que chamaram de ecossistema de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicações).

Batizado de Open ePolicy Group, o grupo é liderado por Jeff Kaplan, da Universidade de Harvard, e conta com patrocínio da Oracle e IBM. Em visita ao Brasil, o estudioso detalhou o "roadmap", fazendo questão de deixar claro que um ecossistema aberto não implica necessariamente a adoção de programas de código livre. "Nós não defendemos especificamente o software livre. O que queremos incentivar é a adoção de padrões comuns que permitam aos sistemas de diferentes organizações conversarem entre si", explica Kaplan.

O teórico conta que a idéia de criar o Open ePolicy surgiu quando a Tailândia foi arrasada pelas ondas gigantes do Tsunami. Segundo ele, as diversas organizações envolvidas no reconhecimento e contagem das vítimas não conseguiam cruzar informações simplesmente porque seus sistemas eram incompatíveis entre si. "Isso atrasou significativamente o processo", lembra.

Kaplan explica que um ecossistema inclui políticas de uso, regulamentação, software, hardware, adoção de padrões e pesquisa e desenvolvimento, entre outros diversos itens. O objetivo do guia de melhores práticas é disseminar a conscientização da importância de ter sistemas que interoperáveis, especialmente em órgãos públicos. Para isso, diz o estudioso, é necessário que as pessoas pensem de forma menos "departamental" e adotem padrões abertos de desenvolvimento. Isso quer dizer padrões compartilhados, independentemente da plataforma adotada. "Seja a plataforma livre ou proprietária, é importante que usem os mesmos padrões", afirma.

No Brasil, por exemplo, a interoperabilidade dos sistemas públicos seria uma forma de evitar que idosos tivessem de se deslocar para provar ao governo aquilo que ele já tem - ou deveria ter - em seu banco de dados. Como isso não acontece, o aposentado tem de se apresentar e comprovar os anos de contribuição com o INSS. Ou mesmo provar que ele está vivo, que ele é ele mesmo.

"Uma das barreiras é que as pessoas (órgãos públicos) se consideram donas da informação. A inconsistência de dados se dá não apenas porque os sistemas são diferentes, mas porque muitas vezes não há interesse em compartilhar dados", critica Vagner Diniz, diretor do Instituto Conip, um dos brasileiros envolvidos com o Open ePolicy Group.

O guia de melhores práticas em inglês pode ser baixado (em PDF) no site do grupo, em http://cyber.law.harvard.edu/epolicy.

Conheça mais detalhes do guia de maturidade criado pelo Open ePolicy Group, assim como outras visões de Jeff Kaplan na próxima edição impressa do jornal Computerworld.  

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