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Intel: mesma oferta, nova embalagem

Fabricante de chips começa 2006 cheia de novidades e um novo mercado de clientes - os usuários da Apple. Apesar do esforço para se manter na frente, a concorrência com a AMD não dá sinais de que irá terminar tão cedo.

Por Ana Paula Oliveira, do COMPUTERWORLD

06 de fevereiro de 2006 - 11h02
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Aquele velho ditado que diz para não se mexer em time que está ganhando não se aplica ao mercado de tecnologia da informação, principalmente nos segmentos onde a busca incessante por inovação dita as regras. O segmento de processadores é uma dessas áreas e embora o time principal - a Intel - seja líder do campeonato há muito tempo, não existe zona cativa na competição, ou seja, é preciso se reinventar sempre, mesmo porque o campeão pode ir para a segunda divisão amanhã. Além da disputa feroz com o segundo colocado - no caso, a AMD - também existe o risco das regras do mercado mudarem no meio do campeonato.

É por tudo isso que a Intel decidiu não só mudar seu logo e seu tagline - que passou de Intel Inside, lançado em 1991, para Leap Ahead, algo como Um passo à frente - como também reposicionar sua oferta para mercados-chave. De acordo com Elber Mazaro, diretor de marketing da Intel Brasil, essa mudança reflete uma nova estratégia que visa ao desenvolvimento de soluções focadas para atender a diferentes tipos de consumidor.

O reposicionamento, segundo Mazaro, vem atender também a uma mudança na demanda dos clientes. "No passado os usuários iam comprar um computador tendo como medida de qualidade o desempenho do chip. Hoje, as demandas são mais complexas, como por exemplo, por mobilidade, produtividade ou entretenimento", argumenta o executivo. A primeira ação da empresa nessa direção foi o lançamento, em 2003, da plataforma móvel Centrino.

No início de 2005, a Intel reorganizou suas áreas seguindo essa linha. Assim, as divisões Casa Digital, Empresa Digital, Mobilidade e Saúde obedecem ao critério de ofertas focadas por público e necessidades. "Era uma mudança necessária, porque a caracterização de nossos produtos era tão arraigada que ficava difícil mostrar ao mercado que podíamos atuar em outras vertentes", reconhece o diretor.

Conceitos à parte, é fato que essa mudança de foco da Intel também reflete a vontade de manter, e até mesmo ampliar, se possível, a distância entre ela e a AMD. Embora essa disputa seja sempre colocada em segundo plano pelas empresas, é inevitável não perceber que a briga continua muito acirrada e que qualquer deslize pode ser fatal.

Diante desse cenário, a linha adotada pela Intel culminou, no início deste ano, com o lançamento da tecnologia de entretenimento digital Viiv e o novo processador Centrino duo, cuja principal finalidade é oferecer mais desempenho, mais horas de bateria e mais conectividade às redes e dispositivos wireless.

A cereja desse bolo, por fim, ficou por conta do anúncio da Apple, confirmado por Steve Jobs no início de janeiro, de que os computadores da empresa passarão a usar processadores Intel. "É muito bom ter em nossa base um grupo de clientes que colocam características como inovação tecnológica entre os principais requisitos para adoção de um produto", afirma Mazaro.

O outro lado da moeda

Para a AMD, toda a movimentação da concorrente não assusta. "Nossa estratégia é bem clara: há dois anos, quando lançamos a tecnologia de 64 bits, fomos reconhecidos pelo mercado como líderes em tecnologia. Essa é a nossa opção", rebate José Pedro Ranalli, gerente de marketing para canal da AMD na América Latina.

Segundo o executivo, a trajetória da AMD vem confirmando essa aposta ao garantir à empresa entrada em mercados que antes eram feudos exclusivos da Intel, como na área de servidores. Além disso, a empresa também aumenta sua presença em mercados high-end. "No Brasil isso se refletiu na conquista de alguns editais do governo como os da Petrobrás e dos Correios", conta Ranalli. A aposta nessa fatia é tão grande que a empresa inaugurou, no fim do ano passado, uma nova fábrica de processadores high-end na cidade de Dresden, na Alemanha.

Para Ranalli, o anúncio feito pela Apple não resulta em nada concreto, por enquanto. "É difícil saber quais foram as razões da Apple, mas a avaliação real será dada pelos usuários da empresa. Eles mostrarão se essa decisão foi acertada ou não", prevê, acrescentando que faria muito mais sentido se a AMD fosse a escolhida de Steve Jobs, já que a empresa vem participando com sucesso de várias produções cinematográficas com estúdios como o Dreamworks e Lucas Films, redutos oficiais de 'applemaníacos'.

Diante desse cenário, o que salta aos olhos é que na disputa pelo mercado de chips, as semelhanças estão bem longe de serem coincidências.

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