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Parece fácil, mas não é
Na teoria, a computação em grid gera economia significativa em hardware para as organizações; na prática, porém, a adoção do modelo de infra-estrutura pode resultar em um TCO bastante elevado.
Por Fernanda K. Ângelo, do COMPUTERWORLD
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Grid pode parecer coisa antiga para os mais familiarizados com o mercado de tecnologia da informação (TI). De fato, o conceito do modelo de rede, hoje em dia amplamente adotado em projetos científicos e universitários, surgiu no final da década de 90. A exemplo de toda nova tecnologia, porém, a computação em grid levou alguns anos para amadurecer, especialmente no mercado corporativo, onde agora começa a despontar.
Trata-se de um modelo de rede em que a capacidade de processamento das máquinas interligadas é compartilhada entre elas. Assim, aplicações mais pesadas rodam sem problemas em equipamentos menos potentes. Além disso, em teoria, gasta-se menos com hardware, já que o grid promete otimização dos ciclos de processamento e, conseqüentemente, da utilização dos servidores - pesquisas de mercado indicam que a taxa média de utilização desses equipamentos fica abaixo dos 10%."Na visão das empresas, é preciso ter a capacidade em casa, para o caso de uma emergência", afirma.
Armando Toledo, diretor de sistemas e tecnologia da IBM. Ele diz que esta não é, no entanto, a decisão mais sensata. "Para isso a IBM criou o conceito de On Demand", diz o executivo, defendendo uma das principais mensagens de marketing da Big Blue.
O grid computing seria uma alternativa para a evasão da capacidade de processamento vista atualmente nas organizações. A opção tem, como qualquer outra, seus prós e contras, mas já parece mais madura, tanto que os fornecedores vêm investindo na geração da ainda bem reduzida demanda pela tecnologia, apostando em sua decolagem em 2006. "Nos últimos dois anos o mercado amadureceu e surgiu uma camada de computadores de menor preço que favoreceu essa arquitetura", diz Silvio Pereira, gerente de práticas de negócios da Sun Microsystems no Brasil. Ele conta que a própria Sun reorganizou seu portfólio para ter uma linha de servidores abaixo de mil dólares (nos EUA) exatamente para atender ao mercado de grid. E o movimento parece surtir efeito: "Temos obtido muito sucesso nesse tipo de projeto."
Pereira menciona como aceleradores deste processo a capacidade que os computadores de baixo custo têm de tirar proveito do grid em questões de escalabilidade, balanceamento e contingência. Apesar da boa perspectiva, o executivo alerta para a necessidade de um software para a gerência dos diversos servidores, mais conhecido como software de virtualização. "O grid exige uma camada adicional de software que virtualize o ambiente e faça parecer que os computadores estão todos trabalhando sob a mesma camada", explica.
Esta questão pode ser um empecilho para quem pensa em aderir ao modelo de infra-estrutura. "Quando você junta essas máquinas e as faz parecer uma só, surge a necessidade de reescrever boa parte dos aplicativos", explica Pereira, ao sugerir que pensar apenas na economia com hardware pode ser arriscado. Em contrapartida, ele diz que a tendência é que os próprios fabricantes invistam no desenvolvimento de aplicações para grid, atitude que empresas como a Oracle e SAP já tomaram.
O banco de dados da Oracle - linha 10g - já está adaptado para grid há cerca de dois anos, mas só agora a companhia vê o aumento da procura por essa solução. "Há setores que preferem esperar que a tecnologia se estabilize", justifica Elizabeth Faria, gerente de consultoria de vendas da fornecedora. Ela vê espaço para a adoção de grid nos mercados de telecomunicações e nas empresas de internet. "As pontocom trabalham com uma margem de lucro muito estreita e têm a necessidade de fazer cada vez mais com menos", justifica. "Vemos a adoção de grid em indústrias e segmentos muito competitivos, que buscam isso na redução de custos, inclusive nas áreas de TI", completa.
Segundo Elizabeth, o retorno sobre o investimento (ROI) das empresas que adotam grid chega a 150%. "O investimento se paga no período de um a dois anos", garante, acrescentando que, em média, a economia obtida com hardware chega a 123% no primeiro ano, conforme números levantados pela própria Oracle.
Para ela, a adoção dessa infra-estrutura proporciona ainda a flexibilidade de trabalhar e mover o poder de processamento sem a preocupação de comprar mais máquinas, além de garantir às empresas maior disponibilidade de suas máquinas. "Com o grid, a administração da rede é facilitada. Ao invés de vários administradores, cria-se o conceito de console único (virtualização), que tem por trás um grupo de servidores."
"A adoção de grid também implica a otimização de recursos", acrescenta Marcelo Ehalt, diretor de tecnologia da Cisco Systems no Brasil. A fabricante de equipamentos de rede aderiu, há cerca de seis meses, à iniciativa Megagrid - um projeto idealizado para estabelecer melhores práticas e diretrizes para a infra-estrutura de grid computing nas corporações. A iniciativa foi lançada em dezembro de 2004 pela Dell, EMC, Intel e Oracle, e atualmente está em sua segunda fase. Na etapa anterior, os focos eram escalabilidade e performance em banco de dados e configuração de armazenamento em rede. Agora, a meta é trabalhar em provisionamento dinâmico e aprimoramento de recursos de storage.
Gustavo Santana, especialista em soluções para data centers da Cisco, diz que a computação em grid é a Fórmula 1 do mercado de TI. "Normalmente, as empresas top 500 em necessidade de processamento enfrentam problemas de falta de CPU e atacam o problema de maneiras diferentes. Entre elas, está a adoção de hardware em grid" explica. "As soluções já começam a vir prontas para rodar nessa infra-estrutura. Então a opção passa a ser bastante considerada, especialmente pelo segmento médio."
Outra integrante do projeto Megagrid, a EMC, embora veja a tendência com um pouco mais de cautela, também acredita que esse modelo vai ganhar espaço nas organizações neste ano. "Estamos no meio de uma revolução tecnológica", declara João Bonnassis, consultor técnico responsável pela divisão de treinamento da EMC Brasil. Ele explica que o grid storage é uma evolução do SCSI. A sigla para small computer system interface refere-se a um padrão de interface paralela usado pelos computadores Macintosh, PCs e diversos sistemas Unix para conectar periféricos como impressoras e drives às máquinas.
Bonnassis explica que as portas SCSI permitem transmissão de dados a taxas de 80 MBps - chegando a 200 MBps com canais de fibra - e são mais rápidas que as convencionais portas seriais e paralelas, mas o adaptador responsável pela interconexão entre os computadores (I/O adapter) só pode ser relacionado a um número determinado de equipamentos. "Com a chegada do grid, essa limitação deixou de existir - o adaptador pode ser atrelado a infinitas máquinas", detalha. "Assim, a necessidade de investir em máquinas gigantescas deixou de existir", afirma o consultor.
Sempre há um porém
Na teoria, é financeiramente mais vantajoso comprar servidores mais baratos e utilizá-los em grid. A prática, porém, não é tão simples. "Toda vez que você virtualiza algo, pode estar criando um problema", alerta o especialista da EMC. Pereira, da Sun, assina embaixo. Ele lembra que o grid constitui um movimento de descentralização de dados. Ou seja, uma rede mais difícil de gerenciar em todos os aspectos, incluindo segurança e com muito mais softwares rodando em seus servidores.
Para Bonnassis, mesmo que o mundo mude do multiprocessamento simétrico, ou SMP - arquitetura que provê rápido desempenho por meio do uso de múltiplas CPUs para o processamento de um mesmo aplicativo - para a computação em grid, ainda levará muito tempo até que os grandes bancos e empresas de telecomunicações distribuam seus dados nessa infra-estrutura. "É preciso testar, colocar em funcionamento e provar sua eficácia. Até lá, eles não vão migrar. Ninguém acreditava que eles um dia largariam o mainframe. E isso vem acontecendo", lembra.
Na visão do representante da EMC, se for provado que as aplicações podem rodar seguramente em grid, essas grandes corporações irão aderir à idéia. Por enquanto, Bonnassis acredita que a tecnologia será adotada em maior escala pelas empresas de pequeno e médio portes. "Os pequenos e médios têm poucos dados, então esta é mesmo a melhor opção", define.
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