Negócios
Oferta renovada de TI para infra
O mercado começa a enxergar os benefícios existentes em novos modelos de infra-estrutura, mas deve atentar aos custos embutidos em eventuais migrações antes de aderir aos blades, thin clients e computação em grid.
Por Ana Paula Oliveira e Fernanda K. Ângelo*
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Como em todo começo de ano, fornecedores de hardware que se prezam anunciam as tecnologias às quais dedicarão investimentos ao longo dos próximos 12 meses. A receita é mais ou menos assim: um fabricante compra uma empresa do segmento "promissor" daqui, o outro faz uma campanha de marketing de lá, surgem produtos específicos acolá e setor começa a aquecer. Pronto: as tecnologias visadas rapidamente se transformam no prato do dia e os produtos e serviços a elas atrelados têm de ganhar espaço no mercado.
Não diferente, entre o fim de 2005 e janeiro deste ano o mercado de tecnologia da informação (TI) assistiu ao ritual. As bolas da vez em 2006, ao que tudo indica, serão os servidores blade, a computação em grid e, com eles, a virtualização de ambientes - esta, intrinsecamente ligada às outras duas.
A mesa está posta: metas estabelecidas, equipes de vendas a postos e o clima otimista em torno das novas receitas já foi instaurado. Porém, da mesma forma como os sabores podem agradar aos paladares mais refinados, resultando em benefícios tanto para os fornecedores quanto para os compradores, os altos investimentos podem se perder caso não haja prudência e uma análise cuidadosa dos prós e contras que novos temperos podem trazer aos usuários.
COMPUTERWORLD ouviu alguns dos concorrentes do segmento de infra-estrutura, que acreditam que servidores blade, computação em grid e virtualização devem mesmo viver um ano financeiramente saudável, graças, especialmente, à busca por simplificação de infra-estrutura, ao menor preço dos equipamentos e ao surgimento de novas aplicações.
No entanto, os bons negócios não devem vir com a força que uma análise superficial faz parecer. As tecnologias são ainda relativamente novas e passam por fase de amadurecimento, enquanto os fabricantes tentam convencer consumidores potenciais de que vale a pena mudar a sua infra-estrutura. "O mercado está aquecido. Temos tido sucesso em projetos de grid", garante Silvio Pereira, gerente de práticas de negócios da Sun Microsystems no Brasil.
O executivo alerta, no entanto, as empresas que mergulham de cabeça na tecnologia em evidência: "O grid realmente proporciona economia em hardware, mas não se pode esquecer da necessidade de uma camada adicional de software que virtualize os equipamentos e faça parecer que todos eles trabalham sob a mesma camada", diz. "É preciso ficar atento para que, no final das contas, o TCO [custo total de propriedade]não seja mais alto devido a gastos com o desenvolvimento de aplicativos."
Marcelo Ehalt, diretor de tecnologia da Cisco no País, conta que as empresas vêm buscando a uniformização de seus recursos. "Fica mais simples e barato lidar com apenas um modelo de servidores e switches", justifica.
Otimista, mas cauteloso, Everton Ramalho, gerente de plataformas corporativas da Intel na América Latina, diz que o consumo de servidores blade vem aumentando ao longo do tempo. Segundo ele, representou 4% das vendas de servidores na região em 2005 e 7,5% no mundo. "Ainda não temos números definidos para 2006, mas a representatividade desses equipamentos deve crescer", aposta.
De acordo com a IDC, o mercado mundial de blades cresceu 65% entre 2003 e 2004, e teve alta de 66% em 2005, quando vendeu 510 mil unidades. "Pelos próximos cinco anos o mercado de servidores blade tende a crescer nesse ritmo agressivo, pois é um modelo de infra-estrutura relativamente novo, com vantagens e diferenciais", prevê Reinaldo Rovieri, analista de mercado da IDC Brasil.
Ainda que o mundo mude do multiprocessamento simétrico, ou SMP - arquitetura que provê rápido desempenho por meio do uso de múltiplas CPUs para o processamento de um mesmo aplicativo - para computação em grid, João Bonnassis, consultor técnico da divisão de treinamento interno e externo da EMC Brasil, acredita que ainda vai levar muito tempo até que os grandes bancos e empresas de telecomunicações distribuam seus dados nessa infra-estrutura. "Toda vez que você virtualiza algo, pode estar criando um problema", alerta. "É preciso testar, colocar em funcionamento e provar sua eficácia. Até lá, eles não vão migrar", assegura Bonnassis. Mesmo assim, o especialista acredita que a será adotada em maior escala pelas empresas de pequeno e médio portes. "Eles têm poucos dados, então esta é mesmo a melhor opção."
Este especial que a equipe de COMPUTERWORLD preparou reúne reportagens mais detalhadas a respeito das expectativas, vantagens e desvantagens dessas e outras soluções de infra-estrutura.
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(*Com colaboração de Genilson Cezar)
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