Negócios
Lenovo quer liderar mercado local de PCs até 2008
A companhia apresentou sua linha de equipamentos para o SMB, com desktops e notebooks a partir de R$ 1.439 e R$ 2.799, respectivamente; além disso, revelou seu novo modelo de negócios para desbancar as concorrentes Dell e HP
Por Fernanda K. Ângelo
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A Lenovo deixou claro que o seu objetivo é desbancar a Dell do posto de fabricante número um de computadores pessoais até o fim de 2008. Nesta quinta-feira (09/03), a companhia, criada a partir da aquisição da antiga divisão de PCs da IBM, apresentou a linha de notebooks e desktops Lenovo 3000, destinada ao mercado SoHo e de pequenas e médias empresas no Brasil.
A aposta da empresa para ganhar o mercado nacional está não apenas no baixo custo dos equipamentos, mas em seu novo modelo de negócios. Com preços de entrada de 2.799 reais (notebooks) e 1.439 reais (desktops), os computadores da nova linha levaram a empresa a criar uma nova estrutura de comercialização, que será dividida em dois formatos: o relacional e transacional.
O primeiro foca as grandes organizações, com mais de 500 funcionários. "São clientes que demandam relacionamento freqüente com a companhia", afirma Flavio Haddad, presidente da Lenovo Brasil. Segundo ele, o modelo envolve os computadores das linhas ThinkCentre, inclui a fabricação de máquinas customizadas e sob demanda e visa a redução do TCO do cliente. Enquanto isso, o formato transacional será utilizado para a venda de equipamentos para pequenas e médias empresas por meio de parceiros de negócios e distribuidores em todo o Brasil. Este formato focará a comercialização da linha Lenovo 3000. Ao contrário do relacional, ele oferecerá serviços e produtos padronizados e a produção das máquinas será em alta escala, para serem estocadas.
Outra estratégia da Lenovo para liderar o mercado nacional está na proposta de vender para novos usuários de PCs. Para isso, a empresa inclui nas máquinas da linha 3000 o Lenovo Care. Trata-se de um conjunto de ferramentas de produtividade com as quais, ao apertar uma tecla o usuário pode ter suas configurações restabelecidas. O Lenovo Care também inclui uma ferramenta de atualização automática de softwares e serviços de suporte.
Clarisse Setyon, gerente de marketing da Lenovo do Brasil, revela que a companhia investirá entre 5 e 6 milhões de dólares em campanhas publicitárias até o fim deste ano. As peças serão veiculadas em revistas e jornais de grande circulação, em mídia exterior e online, de acordo com Clarisse.
Competição acirrada
Desde a semana passada, fabricantes como HP e Dell vêm comercializando notebooks com preços a partir de 2.999 reais, bem como desktops a preços reduzidos. Haddad ratificou a intenção de liderar o mercado em dois anos ao anunciar o preço de entrada do notebook 3000 C 100 - 2.799 reais.
A máquina, em sua configuração básica, traz processador Intel Celeron M de 1,5 GHz, HD de 40 GB, 256 MB de memória, combo de CD-RW e leitor de DVD e sistema operacional Windows XP Home Edition. "E os equipamentos já vêm preparados para conexões wireless", destaca Haddad.
O desktop mais econômico da Lenovo, vendido a 1.439 reais, é o 3000 J100, com processador AMD Sempron 2800+. "É a primeira vez, fora da China, que os desktops serão equipados com processadores AMD", afirma o presidente da companhia. A máquina traz HD de 80 GB, 256 MB de memória, Windows XP Professional e unidade de CD-ROM. O monitor de 15 polegadas TFT é opcional. Portanto, não está incluído no valor do computador.
"Praticamos o mesmo patamar de preços do ?Computador para todos?, com a diferença que não oferecemos as facilidades de financiamento do BNDES", diz Haddad. Ele atribui a redução de preços desses equipamentos especialmente às facilidades de produção local - adquiridas após a aquisição da divisão IBM -, aos incentivos fiscais e às ações do governo contra o mercado cinza.
No entanto, as máquinas da Lenovo trazem o sistema operacional da Microsoft e, a esse valor, vêm sem monitor. O Computador para todos inclui monitor, mas em contrapartida, roda o sistema de código aberto Linux.
"O fato de não estarmos no programa não interfere na estratégia da empresa para alcançar a posição de liderança do mercado brasileiro de computadores", assegura o executivo. De qualquer maneira, segundo ele, a Lenovo deve homologar em breve suas máquinas para trabalhar com Linux e, portanto, incluí-las no programa de popularização de computadores.
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