Negócios
CIO IT Summit Governo debate ano eleitoral em TI
Na abertura do CIO IT Summit Governo, o economista Eduardo Giannetti analisa o contexto macroeconômico deste ano eleitoral para líderes de TI de empresas de governo e utilities.
Por Rachel Rubin, da CIO Magazine
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Um copo com metade de seu interior ocupado por água está meio cheio na visão do otimista e meio vazio na do pessimista. Foi a partir dessa conhecida metáfora que o economista Eduardo Giannetti guiou sua palestra sobre conjuntura econômica do Brasil durante o CIO IT Summit Governo - evento realizado pelo IDG Brasil e apoiado por CIO que começou ontem, dia 8, e vai até sábado, com a participação de mais de 60 líderes de TI em empresas do governo e de utilities.
Para Gianetti, o "lado cheio do copo" é exemplificado pela melhora de importantes indicadores, como de inflação (com as metas inflacionárias tendo sido cumpridas) e contas externas (a dívida externa reduziu de três vezes e meia para uma vez e meia o valor das exportações). "O risco Brasil está cada vez mais baixo, chegando perto de uma classificação que torne o País um destino mais usual de investimentos estrangeiros", observou.
Mas há a parte "vazia" do copo. Na economia brasileira, disse, é principalmente o fato de não haver um crescimento sustentável. O sinal mais visível são os momentos de euforia econômica, quando se chega a um ponto que é preciso parar de expandir a capacidade de produção para evitar a ameaça da inflação fora de controle, seguidos então de períodos de baixa. "Características de recuperações cíclicas, ou seja, a curto prazo e inconstantes", exemplifica. "Nos últimos três anos, o crescimento da economia brasileira foi de 2,4%, em média, por ano, ficando claro que a promessa do 'espetáculo do crescimento' não se cumpre. A China cresce de 9% a 10% ao ano, de forma contínua", compara.
Essa diferença ocorre, segundo o especialista, porque em países como a China há uma mecânica de formação de capital tecnológico e humano, uma transferência de recursos hoje para melhorar o amanhã. "É a cultura da poupança, do investimento a longo prazo, ao contrário do comportamento brasileiro imediatista", explica - e que o CIO conhece muito bem na hora de tentar aprovar projetos cujo retorno não vem tão rápido.
Outro fator que "esvazia o copo" é o complicado ambiente institucional, em que um problema agrava o outro. Assim, a carga tributária, equivalente a 37% do PIB, faz com que o setor privado financie o setor público, que por sua vez aplica a grande maioria dos recursos em gastos correntes. A situação inibe o empreendedorismo, aumenta a informalidade do mercado de trabalho, que agrava o sistema previdenciário, já à beira do colapso.
O economista também fez algumas previsões. Para 2006, ano eleitoral - e especialmente determinante para os executivos presentes, de empresas públicas - o crescimento da economia será "medíocre", visto que não deverá passar dos 3,5%. Mas a combinação dos atuais índices de inflação a uma política de juros que tende a ser mais branda pode levar a um "novo território", muito positivo, como no promissor período de início do Plano Real, em 1994. E há chances de o País crescer de forma consistente, entre 4% e 6% ao ano. "Vai depender das atitudes do novo governo logo nos primeiros meses", pondera. Segundo Giannetti, apesar de não ser possível resolver todos os problemas em um mandato, há chances de consertar velhas rotas e iniciar o caminho para um crescimento sustentável. Para a alegria da turma dos mais otimistas.
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