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Negócios

Impostos e logística afastam fábrica de chips do Brasil

Carga tributária, logística e processo aduaneiro não adequado afugentam investimentos de uma indústria de semicondutores no Brasil.

Por IDG Now!

28 de março de 2006 - 13h05
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O Brasil negocia uma fábrica de semicondutores com europeus e japoneses como uma das contrapartidas na escolha do padrão do padrão de TV digital.

Por que, até agora, o governo recebeu apenas promessas de estudos de viabilidade econômica para uma fábrica de semicondutores, item considerado vital para a indústria eletroeletrônica?

A resposta está em um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizado pela consultoria de tecnologia IDC, a AT Kearney e a Azevedo Sette Advogados.

Este estudo, entregue aos executivos do banco no final de 2002, apontava uma série de entraves e de desafios que precisavam ser vencidos pelo governo brasileiro para pleitear a sua aceitação no clube dos países com fábricas de semicondutores.

"É viável ter uma fábrica de semicondutores no Brasil, mas é desafiador", diz Mário Peres, diretor de consultoria do IDC Brasil, que participou do estudo. "Temos concorrentes muito fortes, como Taiwan, Coréia e Japão, com políticas de incentivos fiscais agressivas."

Por políticas fiscais agressivas entenda-se uma série de incentivos ligados a redução de impostos (territorial e comercial), doações de terrenos, além de que alguns países participam do investimento, com aporte de recursos.O estudo apontava cinco itens considerados críticos para que uma empresa de semicondutores se instalasse no Brasil:

1) Disponibilidade de mão-de-obra especializada: era considerado um dos itens mais importantes, segundo a própria indústria de semicondutores, que foi entrevistada para o estudo. Em notas de 1 a 5 (sendo 5 a mais importante), o Brasil estava no estágio 2, pois o país tem poucos doutores nesta área e a maioria trabalha no exterior.

2) Demanda local elevada: nenhuma fábrica de semicondutores é construída pensando somente na demanda local, mas ela é um fator importante no processo de decisão. A demanda brasileira ainda é muita baixa comparada com os principais competidores, que são Irlanda, Alemanha e os paises asiáticos.

3) Proteção ao capital intelectual e lei de patentes: muito se evolui de 2002 até hoje, mas ainda, na visão do diretor da IDC, este é um ponto crítico, principalmente em projetos de design de semicondutores.

4) Disponibilidade e confiabilidade da infra-estrutura: inclui de porto a aeroportos à infra-estrutura de escoamentos dos produtos, como as estradas.

5) Eficiência da estrutura de importação e de exportação: é a capacidade de liberar rapidamente os produtos. "Todo ano, há pelo menos duas greves da Receita Federal", diz Peres. 

Fábrica

Há três tipos de "indústria" de semicondutores. A primeira delas é ligada ao design, cujo capital é apenas intelectual: engenheiros, altamente especializados, que criam os projetos de chips, para que depois sejam manufaturados.

O segundo processo é chamado na indústria de back-end, que é a fabricação propriamente dita. A matéria-prima para a fabricação são cilindros de silício cristalino com um índice de pureza de 99,9999%. Estes cilindros são cortados em discos muito finos, os chamados wafers (bolachas), onde serão formados os circuitos

Este é a parte mais cara - as fábricas podem chegar a custar bilhões de dólares - mas cujo processo é quase todo automatizado, gerando pouco empregos.

A terceira parte é o encapsulamento e os testes, chamados de front-end pela indústria. Consiste na separação dos circuitos integrados individuais no wafer e na colocação dos mesmos em cápsulas. Com isso, ele fica pronto para ser utilizado em placas de circuito de qualquer equipamento eletroeletrônico.

"A indústria de semicondutores não é intensiva em geração de empregos", afirma Mário Peres. "Mas o seu ecossistema, sim".

O ecossistema do setor de semicondutores consiste em indústrias químicas, que fornecem a matéria-prima para a transformação do silício, principal item para a produção dos wafers.

Déficit

Por que o governo insiste em uma fábrica de semicondutores? É só observar os dados de importação.

Em 2005, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), as importações do setor totalizaram 15 bilhões de dólares, crescimento de 20% sobre o ano anterior. E os componentes tiveram 65% de participação deste valor.

"É uma oportunidade para que a gente passe a ter aquilo que não conseguiu nas últimas décadas e que outros países conseguiram: a indústria nessa área importantíssima de componentes eletrônicos", afirmou Júlio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos sobre o Desenvolvimento Industrial, para a Agência Brasil.

Até agora, o Brasil tem recebido promessas vagas sobre uma fábrica de semicondutores. Os europeus, por exemplo, disseram que precisam de um ano para fazer um estudo de viabilidade econômica. 

A ST Microelectronics e a Philips, segundo os europeus, têm intenção de se instalar no Brasil, segundo a proposta apresentado ao governo brasileiro.

Os japoneses, que também participam da disputa pelo padrão de TV digital, negociam com o governo brasileira a instalação de fábrica para produzir semicondutores.

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