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Eleições para o mundo invejar

Por trás do projeto brasileiro de urna eletrônica, exemplo para o mundo todo, está o engenheiro Carlos Rocha, que desde o início da carreira aposta no desenvolvimento da TI nacional.

Por Camila Fusco

04 de abril de 2006 - 18h46
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Toda carreira profissional de sucesso é definida a partir de influências diversas. Com o engenheiro eletrônico Carlos Rocha não foi diferente. “Perdi meu pai aos 13 anos, e a figura que acabei adotando como inspiração foi o marechal Casimiro Montenegro Filho – um dos criadores do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), também amigo da família”, aponta o executivo, que nos anos 90 ajudou a colocar o Brasil como referência mundial em projetos de eleição eletrônica.

Os conselhos do marechal Montenegro – sobre a urgência do País desenvolver tecnologia localmente – acabaram incorporados à sua visão sobre o mercado brasileiro e foram refletidas logo cedo em sua carreira. Pouco depois de formado, em 1979, já comandava a automatização da maior operação de cadernetas de poupança brasileira, pertencente ao grupo Delfim. Naquele momento, o País atravessava a reserva de mercado e, sob o ponto de vista do executivo, o modelo acabou favorecendo a formação da indústria de TI local. “Cresci neste processo que fortaleceu muito o papel da engenharia brasileira porque todos foram convocados a desenvolver soluções que atendessem as demandas de mercado.”

Aproveitando o momento, Rocha desenvolveu terminais de automação bancária, de vídeo, e até um dos primeiros microcomputadores, além de acumular projetos na Edisa e SID Informática. Com 26 anos, criou a TDA, empresa que marcaria a TI nacional anos depois, em 1995, com o projeto da urna eletrônica, subcontratado pela Unisys, que venceu a concorrência disputada com IBM e Procomp no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As conquistas, entretanto, foram muito difíceis. Apesar das 78 mil primeiras urnas fornecidas, o engenheiro recorda a falta de apoio aos projetos locais na época. Um dos maiores reveses veio após a TDA ter vencido uma concorrência na República Dominicana e não conseguir financiamento do BNDES para produzir os equipamentos. “Poderíamos ter transformado a urna eletrônica brasileira em um projeto de exportação superior a 100 milhões de dólares, mas infelizmente isso não aconteceu.”

Paralelamente, Carlos Rocha esteve envolvido na criação da Prolan, empresa de redes vendida em na metade da década de 90, e integrou também o conselho da Associação Brasileira da Indústria de Computadores e Periféricos (Abicomp), participando de importantes projetos para o setor no Mercosul. Em meados do ano 2000 as operações da TDA foram descontinuadas e o executivo partiu para liderar a Samurai, empresa que realiza projetos especiais de TI desde a área educacional e de inclusão digital até o desenvolvimento de soluções corporativas.

Olhando para o futuro da tecnologia no Brasil, o executivo enfatiza a necessidade da criação de um plano de longo prazo que envolva toda a esfera governamental, favorecendo desde o desenvolvimento das pequenas operações locais até atraindo investimentos de empresas externas. “Só assim conseguiremos um crescimento de destaque”, conclui.

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