Negócios
A descoberta de um know-how desconhecido
À frente da Conectiva, Sandro Nunes Henrique impulsionou o Linux no Brasil e ajudou a colocar o País como referência de software livre.
Por Camila Fusco
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Quem passou pelos corredores da Fenasoft em seus tempos áureos – mais precisamente em 1997 –, provavelmente não deu muita atenção a um pequeno estande distante da área principal que, como muitos outros, prometia uma solução inovadora. Mal sabiam os visitantes que aquela tímida empresa seria, em breve, o maior expoente do software livre na América Latina.
A companhia em questão era a Conectiva, que tinha por trás de suas operações ex-funcionários de TI do Banco do Brasil, entre eles Sandro Nunes Henrique, que sempre apostou no potencial do software livre. “O grande desafio era criar mercado, difundir a solução e explicar o conceito, além de resistir à concorrência”, se recorda o executivo. Os desafios foram bem superados. A companhia cresceu, foi reconhecida por fomentar o espírito desenvolvedor no Brasil e, com o estouro da bolha da internet, precisou se reposicionar. Paralelamente, os planos de Nunes também mudaram. Em 2002, quando viu que suas idéias não condiziam com as necessidades da empresa, partiu para a carreira solo.
Tal mudança de rumo não foi a única de sua carreira. Aliás, adaptação é marca registrada do executivo. Ainda muito jovem trocou Porto Alegre pela pacata área rural de Sergipe diante de uma proposta de trabalho. Posteriormente, migrou para Brasília e depois Curitiba para atuar na área de TI e o sentido mais profundo da palavra adaptação foi vivenciado ao renunciar à carreira de praticamente 20 anos no Banco do Brasil.
“Quando me disseram que era melhor eu não investir em internet porque o futuro da tecnologia estava nos mainframes, percebi que era melhor mudar mesmo de rumo.”
Hoje, com 44 anos, Nunes ocupa a presidência da Freedows, desenvolvedora de software de código aberto para desktops. O ritmo de trabalho atual, entretanto, é um pouco diferente. “Estou no meu segundo casamento e, apesar das viagens constantes, volto para passar o final de semana em casa. Reconheço que, em parte, meu desleixo em relação ao lado afetivo fez minha primeira relação naufragar”, aponta. Para lidar com o dia-a-dia, o executivo agora tenta se basear naquilo que chama “equilíbrio das cinco dimensões”, com atenção aos lados físico, intelectual, espiritual, afetivo e profissional.
O resultado, garante, é refletido em todos os ângulos. Em relação a suas contribuições, o executivo estabelece um paralelo com o cenário atual. “Acredito que o Brasil ganhou visibilidade no exterior como nação desenvolvedora de tecnologia, mas deve continuar apostando em inovação para crescer.”
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