Negócios
A essência da pesquisa no Brasil
O CPqD também está comemorando 30 anos de vida. Hélio Graciosa, hoje presidente da instituição, foi fundamental para sua sobrevivência, enfrentando a privatização do sistema Telebrás e o fim da reserva de mercado.
Por Luciana Coen
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Embora tenha estado à frente da mesma instituição desde que ela foi fundada, Hélio Graciosa pode ser considerado um aventureiro. Gerenciar o crescimento do CPqD antes e depois da reserva de informática foi um feito e tanto. Segurar a instituição quando o mercado se abriu foi outra façanha deste administrador e pesquisador. As histórias de Graciosa e do CPqD confundem-se ao longo destas três décadas.
Logo depois de terminar seu mestrado no Rio de Janeiro, Graciosa foi convidado para trabalhar como pesquisador na recém-criada Telebrás. Em 1976, quatro anos depois, a Telebrás decidiu montar um braço de pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações. Campinas já tinha duas boas universidades: PUCCamp e Unicamp. A cidade também proporcionava alta qualidade de vida e o aeroporto Viracopos fazia vôos internacionais, se colocando como a melhor escolha.
O lobby bem feito de Zeferino Vaz, então reitor da Unicamp, deu o empurrão final. Assim nasceu o CPqD. “Eu gostava de Brasília, mas o projeto de participar da criação de um centro de pesquisas pioneiro na América Latina era um desafio espetacular”, diz.
O momento mais difícil de Graciosa na companhia coincide com a abertura do mercado no início dos anos 90, notícia que caiu como uma bomba no CPqD. “Nós desenvolvíamos equipamentos, passávamos para a indústria para aprovação e o sistema Telebrás comprava – até porque não poderia comprar de outros”, explica. Em 1998, uma crise ainda pior: a privatização do sistema Telebrás. “Muita gente achou que íamos acabar”, confidencia.
Hoje a empresa continua sendo um braço tecnológico do governo, mas aumentou a abrangência em pesquisa, com produtos na área de energia elétrica e setor financeiro, e consolidou-se como fornecedor de inovação 100% nacional. E um fornecedor respeitado por sua competência, não pela falta de opções.
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