Negócios
A rede de dupla face
Evolução do desenvolvimento da web surpreende até mesmo Demi Getschko, um dos responsáveis pela chegada da internet ao País.
Por Genílson Cezar, especial para o COMPUTERWORLD
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Um dos responsáveis pela implantação no Brasil da rede mundial de computadores, o engenheiro Demi Getschko, atual presidente do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), faz um balanço de dupla face da internet. De um lado, positivo: “Nunca pensei que os sites de busca ficariam tão bons, que as aplicações na web se desenvolvessem tão rapidamente e tão poderosamente.” Do outro lado, assinala, há uma grande preocupação: “Quanto mais a gente usa a internet, mais está exposto. A privacidade individual está próxima de zero”, afirma.
Não é que Getschko menospreze as iniciativas de que participou para trazer a rede mundial para o Brasil. Longe disso. Formado em engenharia eletrônica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em 1975, trabalhou no Centro de Computação Eletrônica até 1985, quando foi contratado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Havia muita pressão da comunidade acadêmica para que se conseguisse uma conexão internacional, com vistas à troca de correio eletrônico e transferência de arquivos entre os pós-graduados e doutorados que voltavam ao Brasil e seus colegas do exterior”, lembra.
Em 1987 surgiram dois canais de rede, um deles ligando a Fapesp, em São Paulo, ao laboratório de física da Universidade de Chicago. “Os canais se ligavam a uma rede chamada BitNet, bastante simples, usando um protocolo da IBM. Foi o começo das redes acadêmicas”, conta. Mas só em 1991 é que houve o primeiro trânsito TCP-IP da linha da Fapesp com uma rede internet chamada ISNet. “A velocidade era de 4.800 bits por segundo (bps).”
Getschko participou também do movimento em prol da definição de um modelo comercial para a web, a partir de 1993. A Embratel, com ajuda da RNP (Rede Nacional de Pesquisas), montou um servidor para permitir acesso às BBSs [bulletin board systems] – mas acabou oferecendo acesso também aos usuários finais. “Se deixássemos daquele jeito, a Embratel acabaria sendo uma internet sob monopólio estatal”, avalia.
Por isso, segundo Getschko, houve uma enorme pressão para vedar às operadoras de telecomunicações a prestação de serviços de acesso para o usuário final. “O Tadao Takahashi e o ministro Sérgio Motta trabalharam muito para evitar isso e criaram um modelo mais democrático”, sustenta. “Assim nasceu um modelo de governança da internet, baseada no Comitê Gestor, que, em sua essência, está perfeito”, afirma.
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