Negócios
Na rota do Brasil Tecnológico
Eterno entusiasta do potencial brasileiro, Antonio Carlos Rego Gil quer, agora, colocar o País entre os cinco maiores exportadores de TI até 2010
Por Camila Fusco
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“O Brasil precisa trabalhar para se inserir no contexto internacional não só como usuário, mas como grande criador de tecnologia”. Apesar de refletir um conceito que pode soar para lá de utilizado, a frase não tem nada de clichê. O motivo? Foi dita há mais de 30 anos por Antonio Carlos Rego Gil, atual presidente da CPM, em uma época em que já apostava no desenvolvimento do potencial brasileiro para o setor. Engenheiro aeronauta formado pelo ITA, este paulista de 67 anos deparou durante a maior parte de sua carreira com projetos destinados a impulsionar a tecnologia nacional.
E foi justamente uma proposta com esta intenção que fez a carreira do executivo dar uma verdadeira guinada após 25 anos de trabalho na IBM – onde ocupou inclusive a direção de operações no Brasil e a presidência da subsidiária venezuelana. “Na hora ‘H’ de assumir como presidente da empresa também no Brasil recebi um convite irrecusável para sair. E aceitei”, lembra Gil.
O tal convite, garante o executivo, nada teve a ver com cifras volumosas. O projeto que fez brilhar seus olhos em 1986 era de Mathias Machline, idealizador do grupo Sharp, que queria um parceiro para estruturar o complexo SID, composto por SID Informática, SID Microeletrônica e SID Serviços. “Ele já previa o fim da reserva de mercado e queria alguém que fosse capaz de tocar o complexo SID tranquilamente neste período de transição”, diz.
De fato, a reserva de mercado terminou. Gil seguiu mais alguns anos na liderança da companhia até a morte do parceiro. Anos mais tarde, viu-se novamente diante da tarefa de fomentar a indústria brasileira de TI, mas dessa vez, por um outro ângulo. Passou a integrar o grupo internacional de investimentos Bankers Trust e indicou a CPM como uma das empresas de grande potencial para a canalização de recursos. Após o aporte, tornou-se CEO da companhia e conseguiu traduzir em números sua experiência: de um faturamento de 390 milhões de reais em 2001, passou para 636 milhões de reais no ano passado.
Os esforços de Gil para promover a competitividade, não ficam restritos à CPM. Presidente há dois anos do conselho da Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom), o executivo é um dos grandes nomes que carregam a bandeira do chamado Brasil Tecnológico. Entre as atividades promovidas pelo grupo estão a realização de palestras, rodas de discussão e um vídeo que, segundo Gil, “não faz nenhuma alusão a Carnaval ou Amazônia”. O objetivo é concentrar ações de empresas do setor para colocar o Brasil entre os cinco maiores exportadores de serviços e software do mundo nos próximos cinco anos. E esse futuro não intimida Gil, muito pelo contrário. “Mais de 25 anos depois eu me sinto no mesmo momento de quando comecei, mas com mais entusiasmo”, conclui.
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