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Negócios

O defensor do direito eletrônico

Renato Ópice Blum identificou o potencial do mercado de TI para o segmento jurídico e é hoje uma autoridade em direito eletrônico.

Por Fernanda K. Ângelo

04 de abril de 2006 - 17h55
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Renato Ópice Blum teve muitos motivos para construir, a partir de 1991, sua carreira na área que ele próprio chamou de “direito eletrônico”. Ópice Blum, como ficou conhecido no meio, é filho de um desembargador (hoje aposentado) do Ministério da Justiça de São Paulo, que trabalhou na Prodesp. Além disso, viria a ter um sogro também envolvido com desenvolvimento de sistemas e, para completar, até iniciar o curso de Direito, fez quatro anos de engenharia eletrônica.

De fato, o advogado tornou-se referência nesse segmento. Mas mais do que a ligação involuntária com TI, ele soube identificar, na hora certa, o potencial do setor para o mercado jurídico: “Previ que o casamento das áreas de software e hardware com a internet geraria um terreno fértil para nós”, orgulha-se. 

Sua especialização em TI começou já em seu primeiro estágio, em 1991, onde, antes mesmo da abertura do mercado, teve os primeiros contatos com contratos relacionados a TI. Dois anos mais tarde, Ópice Blum passou em um concurso público para estagiar no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Ali teve nova oportunidade de acompanhar casos ligados a tecnologia.

Em 1995, a internet comercial estreou no Brasil. Formado, em 1996, Ópice Blum abriu um escritório próprio. “Nessa época surgiu uma série de casos relacionados à adequação de softwares e revisão de contratos devido aos temores do bug do ano 2000. Logo vieram os crimes na internet”, recorda. O Ópice Blum Advogados Associados tem hoje 40 funcionários –15 são advogados. “Cerca de 95% dos casos estão ligados a TI e telecom”, garante.

Além de estar entre os pioneiros no setor de direito eletrônico, terminologia que, segundo Ópice Blum ele mesmo ajudou a criar e difundir, o advogado é responsável pela concepção de cursos de extensão e especialização nesta área. Prova disso é o fato de ele atualmente dar aula em seis programas de pós-graduação sem nunca ter feito, de fato, algum curso específico de direito eletrônico. “Acho engraçado quando os alunos me perguntam onde foi que eu me especializei. Eu não fiz especialização, mas criei a especialização”, diz um dos pais da modalidade no Brasil.

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