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Com finanças em ordem, Novell promete surpreender

Com 1,2 bilhão de dólares em caixa e uma estratégia que vem consolidar o foco nas plataformas abertas, a Novell avisa que está em ótima saúde financeira e que pode surpreender o mercado nos próximos anos.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD*

17 de abril de 2006 - 13h09
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Em entrevista ao Computerworld, Ron Hovsepian, presidente e COO da Novell, comenta as recentes mudanças na equipe e as perspectivas da companhia, que pretende voltar em breve ao rol dos nomes em destaque da TI mundial. Leia os principais trechos:

COMPUTERWORLD – Em palavras recentes o próprio CEO da Novell declarou que antes da estratégia de adoção do Linux a companhia estava quase desaparecendo do mercado e que agora chegou a hora de crescer novamente. Qual é exatamente a saúde financeira da companhia?
RON HOVSEPIAN –
Existem duas dimensões sobre a nossa saúde. Existe a saúde mental da companhia, que tem sido beneficiada pelo próprio Linux com um trabalho de revigoração, e existe a saúde física que é a saúde financeira propriamente dita. E quando você olha nossa companhia sob perspectiva financeira, pode observar que estamos gerando fluxo de caixa positivo, estamos em uma posição confortável em termos de equilíbrio de caixa, temos 1,2 bilhão de dólares em dinheiro em nosso balanço e mais 500 milhões de dólares nas chamadas debêntures conversíveis. Quando você nos olha sob o ponto de vista físico, somos hoje uma companhia de mais de 1 bilhão de dólares em receita, estamos gerando caixa e temos uma posição forte. O corpo está em boa forma física. Mentalmente, estamos em uma situação muito melhor e sabemos exatamente para onde estamos caminhando.

CW – Como Linux está se comportando nos negócios da Novell em termos financeiros? Os dados de que os negócios relacionados a Linux representam 20% da receita da companhia hoje procedem?
RH –
Não posso revelar números além desses, o que eu diria é que a indústria está crescendo em cerca de 26% ao ano em Linux e nós gostaríamos de crescer mais rápido do que isso. Esse é o número na divisão de servidores. Gostaríamos de servir nossos consumidores de uma maneira muito maior, não apenas com servidores, mas com soluções para desktop, pontos de venda, bancos. É essa perspectiva de variedade exatamente que me motiva sobre o mercado.

CW – Ao mesmo tempo em que a Novell fala sobre crescimento, encolheu em parte sua equipe, com as 600 demissões anunciadas no ano passado. Como podemos interpretar
esses cortes?
RH –
Estamos tornando a empresa mais financeiramente viável. Realizamos os cortes fora das áreas de mercado de maior crescimento. Não estamos empenhados em cortar a equipe de Linux, por exemplo. Já a área de consultoria foi mais afetada porque acreditávamos que não poderíamos ir tão longe daquela maneira. Acreditamos que os parceiros podem fazer um trabalho interessante nessa área. Mas algo que é importante ressaltar é o crescimento da companhia frente a cinco anos atrás em termos de equipe. Hoje somos 5,2 mil funcionários, dois terços a mais do que tínhamos anos atrás. Estamos criando uma companhia com um DNA único, entusiasmada mesmo. Trabalhamos na integração da equipe e vamos alinhar todo o discurso: somos uma única companhia, uma operação, uma equipe. 

CW – A chegada de Roger Levy à unidade de plataformas abertas vem consolidar essa integração?
RH –
A chegada de Levy tem importância principalmente por três aspectos. Ele era um grande usuário de Unix no passado. Ter essa visão é importante também quando se é fornecedor para compreender as necessidades do mercado. Em segundo lugar, sua longa experiência em desenvolvimento de código será crucial para a comunidade. Posteriormente, Levy é um ótimo ouvinte, e a empresa precisa disso.

CW – Quais áreas têm recebido maior prioridade por parte da Novell para investimentos e quais as perspectivas?
RH –
Existem dois tipos de investimentos que podem ser feitos: um em sua linha de produtos e na aquisição de empresas. No primeiro quesito, estamos apostando principalmente em sistemas operacionais de base, virtualização e segurança. Nesse último aspecto, concluímos em uma pesquisa no ano passado que precisávamos de uma suíte para gerenciamento de identidade e acessos. Neste ano, acabamos por anunciá-la. Pelo outro pilar, o de aquisições, recentemente adquirimos uma pequena empresa para acrescenta-la à tecnologia Xen [de virtualização], além das tradicionais Ximian e Suse adquiridas no passado. A meta é crescer de maneira orgânica, mas também por integrações.

CW – Quais as expectativas futuras para as finanças da Novell?
RH –
Informamos a Wall Street que pretendemos atingir o patamar de 12% a 15% de margem operacional até 2008, já que pretendemos investir mais. O objetivo está em, ao invés de oferecer apenas retorno imediato aos acionistas, investir mais em produtos e serviços de maneira de apresentar uma boa rentabilidade para esses mesmos acionistas em médio prazo. A companhia vai surpreender em breve.

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