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Negócios

Especialista desvenda segredos da SOA

Arquitetura orientada a serviços é o tema da entrevista com o vice-presidente de tecnologia da divisão OpenEdge, da Progress Software, Ken Wilner.

Por Nivaldo Foresti*, especial para o COMPUTERWORLD

17 de abril de 2006 - 18h40
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A SOA (do inglês Service Oriented Architecture) é a sigla do momento, aquela que anda na boca dos CIOs. Entre as perguntas que se devem fazer neste momento é se a arquitetura orientada a serviços é uma realidade ou mais uma daquelas tradicionais “hypes” do mundo da tecnologia. Mas há mais perguntas a serem respondidas: SOA veio para resolver ou para complicar? É bom para os negócios ou simplesmente mais um palavreado tecnológico? Está maduro e sendo adotado pelas empresas? Qual é o risco de adotá-lo?

Dúvidas e mais dúvidas onde deveriam existir certezas e afirmativas. Nada melhor então do que quem está envolvido com projetos de porte e é especializado no assunto para tentar responder a essas e outras questões. Por isso o COMPUTERWORLD entrevistou Ken Wilner, vice-presidente de tecnologia da divisão OpenEdge, da Progress, em recente visita ao Brasil.

O papel de Wilner na empresa é definir estratégias técnicas que atendam aos requisitos de negócios dos clientes e parceiros. Vale lembrar que a Progress, além de ser uma das mais atuantes empresas na utilização dessa abordagem, têm mais de 60% do seu faturamento baseado na venda de produtos embutidos nas soluções desenvolvidas pelos parceiros, portanto, atender a essas necessidades e implementar a arquitetura SOA significa aumentar a receita da empresa e dos parceiros.

A seguir os melhores momentos da entrevista.

COMPUTERWORLD – O Gartner afirmou, em 2003, e você coloca essa afirmação em suas apresentações, que o SOA ainda será a principal abordagem no desenvolvimento de aplicações. Essa previsão irá se concretizar?

Ken Wilner – Bom, estamos vendo a maioria dos nossos parceiros se movimentando nessa direção, principalmente utilizando-se de projetos bem específicos para isso, criando as bases de um ambiente SOA. Acredito que a previsão vai se concretizar, mas há um ritmo a ser respeitado. Afinal de contas, o trabalho começa com aquelas partes que fazem mais sentido inicialmente, depois avança para outro pedaço e mais outro e no final todos estão dentro da mesma filosofia. A Progress está bem perto dos seus parceiros, ajudando-os a fazer essa transição. Como? Olhando os objetivos de negócio de cada empresa e suas estratégias e implementando a arquitetura onde isso traz mais resultados.

CW – O desenvolvimento das aplicações usando essa filosofia (SOA) é mais lento, mais rápido ou não há diferença no trabalho quando comparado aos modelos existentes?

Wilner – É uma boa pergunta. No curto prazo leva mais tempo, pois você tem de trabalhar mais nos requisitos de negócio, na arquitetura das aplicações, quais funções estarão expostas, dentre outras coisas. Mas, no médio e longo prazo a área de TI se tornará mais produtiva com o reuso de funções de negócio e a diminuição da necessidade de se reescrever códigos. O SOA requer uma disciplina. Não é como todo técnico pensa a questão de escrever o programa e sim em pensar o negócio da empresa. Você gasta mais tempo no desenho da arquitetura do que na programação.

CW – Muitos confundem o desenvolvimento usando objetos distribuídos com SOA. Quais são realmente as diferenças?

Wilner – Quando se desenvolve pensando em objetos você acaba criando milhares de objetos, a granuralidade é imensa, pois o pensamento é tornar um objeto encapsulado ao invés de pensar nas funcionalidades de negócio. Quando você pensa no desenvolvimento usando objetos, na realidade você parte de baixo para cima, você pensa tecnicamente.

Com SOA é ao contrário, você pensa no negócio e vai indo para a tecnologia depois. Não importa que tecnologia ou que tipo de implementação será feita.

A confusão é gerada porque as buzzwords, a terminologia usada são as mesmas. Mas uma pensa na tecnologia e outra no contexto de negócio. O SOA é mais gerenciável porque a quantidade de funções ou objetos no final é na casa das dezenas, talvez centenas, não mais milhares como no desenvolvimento por objetos.

Com SOA a tecnologia é o segundo ou terceiro problema a ser discutido, não o primeiro. O primeiro é quais são os objetivos do seu negócio.

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