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Negócios

O desafio de se tornar o número 1

Às vésperas do primeiro aniversário da Lenovo no Brasil, Flavio Haddad reafirma o compromisso de transformar a empresa em líder do mercado brasileiro de PCs até 2008.

Por Fernanda K. Ângelo, do COMPUTERWORLD

17 de abril de 2006 - 12h43
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A efetivação da compra da divisão de computadores pessoais da IBM pela fabricante chinesa Lenovo completa um ano em maio. Quando assumiu a liderança da empresa no Brasil, Flavio Haddad, que por cinco anos – até maio de 2005 – integrou a equipe da Big Blue, tomou como desafio pessoal a tarefa de transformar a empresa em líder do mercado local de PCs até 2008. E em nenhum momento hesitou em anunciar sua meta ao público – e aos concorrentes. Agora, às vésperas do primeiro aniversário à frente da organização no País, o executivo conta ao COMPUTERWORLD que sua proposta continua de pé. Haddad também revela como foi o processo de transição da antiga divisão da IBM para a Lenovo, a reação daqueles que já eram clientes IBM e os planos da empresa daqui para frente.

COMPUTERWORLD | Antes de qualquer coisa, o plano de transformar a Lenovo em líder do mercado de PCs no Brasil até 2008 continua valendo?
FLAVIO HADDAD |
Com certeza. Até 2008 vamos liderar o mercado brasileiro. Isso é um objetivo pessoal meu.

CW | Qual a estratégia para alcançar esse objetivo?
FH |
É um conjunto de estratégias. Entre as principais está o foco no mercado de pequenas empresas e usuários domésticos, público que a IBM não mais atendia. Já voltamos a esse segmento com o recente lançamento da linha de desktops e notebooks Lenovo 3000 [destinada ao mercado SoHo e de pequenas e médias empresas no Brasil, com notebooks a partir de 2.799 reais e desktops com preço de entrada de 1.439]. Outra estratégia está na proposta de vender para novos usuários de PCs. Para isso, a empresa incluiu nas máquinas da linha 3000 o Lenovo Care. As ferramentas instaladas nesses computadores restauram suas configurações básicas ao apertar de um só botão. Elas tiram a preocupação dos clientes, de maneira que eles possam se dedicar ao core de seus negócios. Também investiremos pesado em marketing daqui para o final do ano [Na ocasião em que a nova linha foi apresentada, Clarisse Setyon, gerente de marketing da Lenovo Brasil revelou que a companhia investirá entre 5 milhões e 6 milhões de dólares em campanhas publicitárias até o final deste ano, em peças veiculadas em revistas e jornais de grande circulação, em mídia exterior e online.].

CW | A linha Lenovo 3000 foca o mercado de pequenas empresas, onde os produtos Think já tinham boa aceitação. Os equipamentos não acabarão por concorrer entre si?
FH |
Não, isso não acontecerá porque a linha Think será direcionada às empresas em que os problemas de administração do parque de PCs precisam ser gerenciados. São aquelas com mais de cem, 150 usuários. Já a nova linha deve atingir usuários domésticos e empresas de pequeno porte, que preferem não olhar o PC como algo tão complexo. Daí incluir as ferramentas Lenovo Care nessas máquinas. Desta forma, a Lenovo 3000 não competirá com a linha Think.

CW | Como foi conduzir o processo de transição de uma divisão da IBM que se transformou em parte da Lenovo?
FH |
Essa transição exigiu muito trabalho até que a empresa estivesse pronta para funcionar. A transformação se tornou efetiva em 1º de maio de 2005. Nossa prioridade foi manter a estabilidade dos negócios, principalmente sob a ótica do cliente.

CW | E qual foi a reação dos antigos clientes da IBM? A Lenovo chegou a perder clientes por conta da mudança?
FH |
A reação dos antigos clientes IBM foi muito boa. Melhor do que esperávamos e isso pode ser comprovado pela atual relação que mantemos com esses consumidores. A empresa perdeu pouquíssimos clientes! O nível mundial de abandono não chegou a 1%. No Brasil, conseguimos contar nos dedos das mãos os clientes perdidos por conta da mudança, ou melhor, por medo da mudança. Conseguimos mostrar ao mercado que uma fusão desse tipo pode ser positiva.

CW | Você atribui a boa aceitação a algum fato específico?
FH |
A primeira boa decisão da Lenovo foi manter a marca dos produtos Think, com a qual a IBM mantinha uma forte presença no mercado corporativo. Também deixamos o logotipo da IBM nessas máquinas, no lugar onde ele sempre esteve. A marca Think foi transacionada, o que também dá à Lenovo o direito de uso do logotipo da IBM nessa linha. Além disso, as pessoas foram mantidas em suas posições e a própria IBM continua mantendo o relacionamento com os clientes. É ela quem presta os serviços para nós. A Lenovo contratou os serviços de pós-vendas da IBM por cinco anos, com possibilidade de renovação de contrato.

CW | Passada a fase de transição, quais os planos da empresa no Brasil de agora em diante?
FH |
Agora entramos em outras duas fases. A primeira delas é a busca por novos clientes e por um alto padrão de atendimento a esses consumidores. Depois, continuaremos investindo na linha Think. Vamos fortalecer a marca e esses produtos ficarão direcionados ao mercado corporativo. Também investiremos muito em inovação. Todo o nosso negócio será permeado pela inovação. O objetivo é aumentar a eficiência de nossas operações em todos os níveis.

CW | A Lenovo anunciou recentemente a demissão de mil funcionários. Mesmo assim todos os planos de investimento no Brasil serão mantidos?
FH |
O Brasil não será afetado por essa reestruturação anunciada recentemente. A oportunidade do negócio de PCs ainda é de certa forma muito inexplorada no País, que continua num passo muito positivo. A Lenovo decidiu que o Brasil continuará sendo uma geografia de investimento.

CW | Lá fora, a empresa também fabrica e vende outros eletrônicos, como celulares, impressoras e televisores. Há previsão de trazer esses produtos para o Brasil?
FH |
Eu me coloquei a meta de chegar à liderança do mercado de PCs no Brasil até 2008. Nosso objetivo no momento é garantir o sucesso do negócio no País. Então, inicialmente, é a isso que vamos dedicar nossos esforços. Quando isso estiver concretizado, analisaremos a possibilidade de trazer os demais produtos da Lenovo para cá. Para alcançar a ponta, precisamos fazer a Lenovo crescer acima do mercado nos próximos três anos. Já é trabalho suficiente.

CW | E com relação o projeto governamental batizado de “Computador para todos”? Há planos de adequar os produtos da Lenovo ao programa do governo?
FH |
As iniciativas do governo de incentivar a produção local com benefícios fiscais e suas ações contra o mercado cinza são louváveis. Somadas à queda do dólar, representam uma ótima oportunidade para os que querem migrar da informalidade para a legalidade. É muito positivo para os fabricantes que lutam contra a base de produtos “sem marca”. Mesmo assim, já conseguimos praticar o mesmo patamar de preços do “Computador para todos”, com a diferença que não contamos com as facilidades de financiamento do BNDES. Ainda assim, a Lenovo deve homologar em breve suas máquinas para trabalhar com Linux e então incluí-las no programa de popularização de computadores. Um pouco da nossa indecisão está em saber qual a melhor distribuição do sistema operacional Linux. Mas o fato de não estarmos no programa não interfere na estratégia da empresa para alcançar a posição de número um do mercado brasileiro de PCs.

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