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Negócios

Aquisições como estratégia de segurança

Fusões e aquisições na área de segurança da informação aceleram a consolidação de grandes fornecedores de software.

Por André Borges, do COMPUTERWORLD

18 de maio de 2006 - 15h08
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O bordão repetido à exaustão pelo mercado clama por uma “visão holística de segurança”. Mas, na prática, essa busca pelo tal “entendimento integral dos fenômenos” tem se traduzido, com bem mais intensidade, em um constante movimento de aquisições e alianças corporativas.

Nos últimos meses, alguns dos principais fornecedores ligados ao mundo da segurança foram responsáveis por mais de uma dúzia de aquisições atreladas à segurança (veja quadro abaixo). Isso sem considerar a movimentação de companhias que, mesmo alheias ao mundo dos vírus – como Network Appliance ou Sybase – também trataram de dar suas carteiradas.

A ordem é deixar de lado a especialização em um único produto para oferecer uma solução mais completa. E o cenário mudou rápido, com empresas puras de segurança entrando na arena do armazenamento, enquanto gigantes de redes ganharam divisões para lidar com a proteção de dados. “O que nós sentimos é que companhias como Cisco notaram que as ameaças migraram para aquilo que é o núcleo de seus negócios. Muitas pragas deixaram as estações de usuários para atacar, por exemplo, protocolos de rede”, comenta o gerente de negócios da Trend Micro, Fábio Picoli.

Por trás dessa mutação dos crimes digitais, avalia o executivo, estaria a razão de boa parte das recentes aquisições ocorridas no setor, forçando os fornecedores a ampliarem cada vez mais suas ferramentas. “Fazer aquisições foi a única maneira de respondermos rapidamente às ameaças do mercado. Isso foi muito marcante para nós”, afirma.

Mas é claro que as regras deste jogo estão longe de serem, pura e simplesmente, uma resposta à criatividade dos hackers. Segundo o presidente mundial da Symantec, John Thompson, (veja entrevista completa à página 30), a consolidação do mercado de segurança pretende concentrar um setor que hoje é altamente pulverizado.

Adepto convicto do “fenômeno Oracle”, Thompson acredita que o mercado de software como um todo passa por um período de consolidação. “Há muitos fornecedores no mercado, muitos produtos separados, que criam muita confusão entre clientes e parceiros, e isso custa muito dinheiro. A questão é saber quais são as fusões mais lógicas desse mercado”, analisa.

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O resultado de tantas aquisições e alianças começa a chegar ao mercado. A McAffe, por exemplo, acaba de lançar no Brasil um software que reúne, em um único produto, aplicações como antivírus, antispam, detector de intrusão e firewall, tudo voltado para a proteção do micro do usuário.

O produto, segundo o vice-presidente de gestão de produtos da McAfee, Eric Winsborrow, promete uma queda de preços em torno de 30% se comparado com a aquisição tradicional de cada uma das ferramentas de segurança, em separado. “Além de redução de custos, ofereceremos um produto integrado, que simplificará a implementação e, consequentemente, a vida dos usuários”, comenta.

Segundo Márcio Lebrão, executivo que assumiu recentemente a presidência da McAfee Brasil, as mudanças devem fazer com que o número atual de 35 canais da companhia dobre ainda este ano. A mesma meta vale para a base de 250 revendas da empresa. “Estamos entregando um conceito diferente de segurança e vamos precisar de apoio para isso. Essa nova solução inclui a oferta de serviços remotos, que passarão a ser gerenciados diretamente pelos canais ou por nós”, disse.

Empresas como CA e Symantec são algumas das que vem apostando em ofertas deste tipo há algum tempo. Já companhias voltadas para outras especialidades, como Cisco e Microsoft, passam a integrar aplicações aos seus portfólios, seja por meio de aquisições ou parcerias especializadas.

A questão agora é saber se esta ebulição de negócios resultará em um antídoto realmente eficaz contra as pragas digitais. Está em jogo a segurança dos usuários. Também o futuro de seus fornecedores.

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