Negócios
Maturidade levará mercado de BI à consolidação, diz IDC
A empresa revela que 57% das companhias de grande porte planejam investir em soluções de business intelligence em 2006.
Por Fernanda K. Ângelo, do COMPUTERWORLD
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O instituto de análises de mercado IDC ainda está consolidando os dados que levarão ao valor total movimentado pelo mercado de business intelligence (BI) no Brasil em 2005. Ainda assim, André Rossini, analista de mercados de software da subsidiária local da IDC, adianta que a cifra final deve ficar entre 70 milhões e 80 milhões de dólares.
Rossini reforça, no entanto, que o número final deve sair somente no início de maio, podendo sofrer alterações até lá. Se confirmado, o valor representa alta de mais de 25% em relação a 2004. Segundo o analista, a mesma taxa de crescimento pode ser mantida no mercado de ERP em 2006, uma vez que as soluções de gestão são prioridade de investimentos em TI nas grandes empresas.
O número foi divulgado durante a conferência IDC Brasil Business Intelligence & Business Performance Management, realizada no início de abril, em São Paulo. Sem definir valores, Bruno Rossi, gerente de análise de mercados de software da consultoria, afirma que boa parte do crescimento da adoção de BI no País se deve ao elevado aumento do mercado de ERP em 2005. “As empresas estão modernizando e atualizando seus sistemas integrados de gestão com ferramentas analíticas, especialmente em módulos financeiros”, garante o gerente, explicando que a parte analítica de um sistema de gestão envolve BI. “Indicadores de desempenho só podem ser analisados a partir dos dados analíticos gerados pelo ERP”, detalha.
Ele revela também que o instituo de pesquisas prevê um crescimento médio de 22% no investimento feito em BI em 2006 sobre o ano passado. O investimento médio das companhias em projetos deste tipo ficará entre 230 mil e 450 mil reais, de acordo com Rossi.
A IDC conduziu uma pesquisa com 800 empresas de grande (com mais de 500 funcionários) e médio (com até 500 funcionários) portes no Brasil. Segundo Rossi, o levantamento revela que 57% dessas companhias pretendem investir em soluções de BI neste ano. Entre os principais motivos para o interesse nessas ferramentas estão a melhoria dos níveis de serviços, mencionada por 28% dos entrevistados, seguida pela governança em TI (26%), segurança (26%) e redução dos custos de tecnologia (25%).
Entre as empresas de médio porte, 41% projetam investimentos em BI em 2006, enquanto 75% delas não possuem ferramentas deste tipo. “O mercado de BI está ganhando maturidade. Como resultado, veremos fusões e aquisições de empresas em busca de oferecer uma solução unificada de ponta a ponta”, prevê Dan Vesset, diretor de pesquisas da divisão Analytics e Data Warehousing da IDC nos Estados Unidos.
A previsão é que restem no mercado de BI somente as poucas empresas com faturamento acima de 500 milhões de dólares, como a Business Objects, que em 2005 ultrapassou a casa de 1 bilhão de dólares – registrou receita de 1,01 bilhão de dólares no ano –, e a Hyperion, que teve faturamento de 702,6 milhões no ano fiscal de 2005.
O diretor sugere que os fornecedores precisam cuidar para não correr atrás apenas de market share, mas principalmente de tecnologias. “A integração de soluções não acontece de um dia para o outro”, afirma, citando como exemplo a compra da Crystal Decisions pela BO em 2003. “Só agora vieram como uma solução completa”, destaca. A BO também adquiriu a Firstlogics no início deste ano.
“Microsoft, Oracle e SAP estão sendo bastante agressivas com suas aquisições”, diz Vesset. “A tendência, diferente do que a Oracle vem fazendo, é comprar empresas pelas tecnologias que elas detêm. É o que a Microsoft tem feito: comprou parceiros. Isso facilita a integração das soluções”, conclui.
Ainda durante a conferência da IDC, Priscila Siqueira, gerente de pré-vendas da Hyperion, destacou que BI hoje tem um conceito muito amplo. Tanto é assim que 60% das empresas possuem entre duas e nove aplicações distintas de business intelligence, segundo dados da própria fornecedora. “Isso acarreta o aumento de custos com hardware, suporte e licenças, pois impede o ganho de escala”, afirma a gerente. De acordo com ela, apenas 18% dos potenciais usuários de BI de fato usam suas ferramentas.
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