Negócios
Dólar baixo preocupa exportadores de TI
Por Fernanda K. Ângelo, do COMPUTERWORLD
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Fabio Marchiori, vice-presidente de Information Technology Outsourcing (ITO) da EDS na América Latina, concorda que a queda do dólar reduz a competitividade dos serviços brasileiros em relação aos oferecidos por países como Argentina, China, Hungria e Índia. “Mesmo assim, ainda somos competitivos”, garante, atribuindo o fato à maior produtividade do brasileiro – ou do sul-americano de forma geral.
Marchiori calcula que o patamar mínimo do dólar suportado seria próximo a 2 dólares. “A partir daí, precisaríamos analisar caso a caso para ver se há competitividade. Não podemos comprometer a qualidade para não perder negócios”, enfatiza. “Por enquanto, continuamos com o ‘pipeline’ de crescimento. Queremos dobrar o número de pessoas em 2005, o que significa quase dobrar também a receita”, revela, sem mencionar números. No entanto, o vice-presidente da EDS no Brasil defende a criação de incentivos para a exportação de serviços para compensar a queda da produtividade em função da variação cambial.
A Fitec, uma das onze empresas que compõem o consórcio ActMinds, formado em 2004 para incentivar a exportação de serviços para os Estados Unidos, também sente o impacto com a queda do dólar. “Como temos contratos assinados quando o dólar estava mais valorizado, teremos um forte impacto no fluxo de caixa”, afirma Fabio Frias, gerente de negócios. A empresa perdeu muita atratividade quando o dólar rompeu a barreira dos 2,10 reais. “Se passar dos 2,04 reais deixaremos completamente de ser competitivos.” Ele defende a linha dos incentivos fiscais. “A maior parte dos nossos gastos é com pessoal. Aplicamos a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que é inadequada para o mercado de TI. Mudanças neste sentido seriam excelentes para o nosso segmento.”
Florian Scheibmayr, diretor comercial da consultoria NCG, afiliada brasileira da Capgemini, conta que as operações das diversas regiões concorrem entre si. Assim, se há um projeto mundial, o dólar baixo prejudica muito essa competição. Mas além do real impacto negativo da desvalorização da moeda norte-americana, o consultor teme a fronteira psicológica dos 2 reais. “Se a moeda baixar além disso haverá uma movimentação desencadeada pelo psicológico”, alerta. O idioma é outro fator complicador, segundo Scheibmayr. “É difícil encontrar alguém com preço competitivo e inglês fluente, por exemplo. Existe demanda por profissionais flexíveis – atualmente, as pessoas custam de 15% a 20% a mais do que um ano atrás.”
Apesar das dificuldades, os brasileiros não se dão por vencidos. Ao contrário, muitos prevêem o crescimento das exportações este ano, pelo menos no valor em dólar. “O esforço do brasileiro para exportar software já tem mais de dez anos, com Apex, Softex e outras organizações. Não se trata de um problema sem solução”, assegura Pagani, que também dirige o ActMinds.
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