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Jon “Maddog” Hall: ameaça do Linux à MS é certa como o nascer do sol

Figura ilustre do mundo do software livre, Maddog fala sobre o futuro do software e comenta abertura do Java pela Sun.

Por Daniela Moreira, do IDG Now!

22 de maio de 2006 - 20h21
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Uma das figuras mais conhecidas do mundo do software livre, Jon “Maddog" Hall é diretor executivo do Linux International, organização sem fins lucrativos de companhias que apóiam e promovem o uso de sistema operacional Linux.

Presença confirmada no LinuxWorld Conference & Expo, que acontece a partir desta terça-feira (23/05), em São Paulo, Maddog – como prefere ser chamado – falou com exclusividade ao IDG Now! sobre temas como a abertura do código-fonte da linguagem Java pela Sun e classificou como “tão certa como o nascer do sol” a ameaça do código aberto à supremacia da Microsoft.

IDG Now! - Quais são as suas recentes contribuições e como você descreve seu trabalho diário para a comunidade open source?

Maddog -
Atualmente eu viajo o mundo conversando com a indústria, com o governo e com entidades educacionais sobre software livre e de código aberto. Fico contente em dizer que já vi resultados tangíveis em alguns lugares em que estive. Posso ir a um lugar em um ano e conversar com eles, e no próximo ano eles já abriram um centro de desenvolvimento ou criaram um projeto usando software livre.

IDG Now! - Você acredita que o código aberto ameaça a supremacia da Microsoft?

Maddog - Eu acredito que o sol vai nascer amanhã de manhã? Eu acredito que o software livre é inevitável, e venho dizendo isso desde maio de 1994 quando me encontrei com Linus [Torvalds, criador do Linux] pela primeira vez. Observe também que o software livre e de código aberto existe desde 1969, mas o chamávamos apenas de “software” naquela época.

IDG Now! - Quais são as diferenças que existem no processo de desenvolvimento de uma aplicação de código aberto e uma aplicação proprietária?

Maddog - As aplicações proprietárias são desenvolvidas sob as restrições fiscais e de tempo de uma corporação. A companhia tem de lucrar, portanto só está disposta a investir uma certa quantidade de dinheiro nas funcionalidades que o cliente está querendo comprar.

O Linux também foi portado para hardwares que grande parte dos gerentes de produtos não aprovaria, devido ao número restrito de unidades existentes no mercado.

Mas o desenvolvimento de software livre não é restrito a “termos fiscais”, e pode portanto viabilizar projetos como retirar o kernel e redesenhar o subsistema de I/O como foi feito no kernel 2.6.

Aplicações proprietárias também podem ser lançadas “antes do tempo” para aproveitar lançamentos de hardware, lucros trimestrais, e outras “demandas corporativas”. Desenvolvedores de software livre lançam produtos quando eles estão “prontos”. As pessoas que precisarem do software antes disso saberão que estão usando uma versão Alpha ou Beta do código e podem atualizá-lo para as novas funções se assim precisarem. Essas são algumas das vantagens do software livre e de código aberto.

Aplicações proprietárias, em geral, são desenvolvidas atrás de portas e janelas trancadas, portanto você não pode saber como elas foram desenvolvidas. Aplicações de software livre e de código aberto são planejadas, implementadas e entregues em um ambiente onde as pessoas podem ver e opinar sobre as trocas realizadas, como também pegar códigos intermediários para testar. Isso faz com que as aplicações estejam estáveis quando lançadas.

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