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Negócios

A sobrevivente quer voltar ao azul

Depois de superar o processo de concordata iniciado em 2002, a Global Crossing reestrutura processos e consegue atingir metas.

Por Ana Paula Oliveira, do Computerworld

29 de maio de 2006 - 13h25
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Depois de sobreviver a um longo processo de concordata iniciado em 2002 e finalmente ser adquirida pelo grupo asiático Singapore Technologies Telemidia (STT), em 2003, a Global Crossing conta hoje com faturamento mundial de 1,9 bilhão de dólares, mais de 50% das receitas vindas de serviços vendidos para grandes empresas e a América Latina posicionada como terceiro maior mercado global.

Em entrevista exclusiva ao COMPUTERWORLD, Gilberto Silva, diretor-geral da empresa no Brasil, revela detalhes da estratégia adotada para sobreviver à crise e atingir as metas estipuladas pelo controlador – EBITDA positivo no primeiro semestre e fluxo de caixa azul até o fim do ano.

COMPUTERWORLD - Como foi o ano de 2005 para a Global Crossing?
Gilberto Silva –
O ano passado foi um ano extremamente importante para a empresa. Depois da grande reestruturação, em 2005 estabelecemos alguns objetivos com base na nova estratégia, que é o foco nos serviços que oferecem margem maior, sem abandonar o que já oferecia. E essa estratégia casava muito bem com a visão que tivemos da tecnologia IP. A rede da Global Crossing foi uma das primeiras redes mundiais a ter uma plataforma Multiprotocol Label Switching (MPLS), a ter serviços IP da maneira que outras empresas apresentam hoje. Juntando tudo isso, conseguimos atingir todos os objetivos estipulados pelo controlador. Tivemos uma redução da receita bruta, mas felizmente ela foi menor do que o planejado e, por outro lado, a margem subiu bem acima dos objetivos traçados.

Para 2006, nossos objetivos são ao final do primeiro semestre, ser uma empresa, no mundo inteiro, com Ebitda positivo, e no segundo semestre ser uma empresa com cash flow positivo. As perspectivas são muito boas neste ano pelo que estamos acompanhando até agora e, particularmente, a América Latina tem tido um desempenho extraordinário. Embora, como em toda empresa global, a região ainda não seja uma parte extremamente significativa das receitas.

CW – Quanto a América Latina representa hoje?
Silva
– Diria que hoje entre 5% e 6% das receitas mundiais vêm da América Latina, mas isso vem crescendo muito rapidamente. Esse potencial está sendo explorado e bastante identificado. O Brasil, o México e a Argentina dentro da região são os três países que têm apresentado uma aceitação muito grande, com um mercado muito bem explorado. Hoje os dois mercados mais tradicionais da empresa são o mercado de carrier – para operadoras - e o mercado de enterprise – para corporações.

O mercado de carrier é um mercado que tradicionalmente não cresce muito no mundo, mas na América Latina, em 2005, esse mercado representou um crescimento superior a 20%, enquanto a média mundial é de crescimento quase vegetativo. E no mercado de enterprise a América Latina atingiu um crescimento superior a 40%. Nos serviços que focamos como os de VPN IP, por exemplo, crescemos cerca de 80%.

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